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Banda americana faz a festa de saudosistas eighties mas não toca “Legal Tender” no Rio de Janeiro

Trenzinho durante a música Love ShackTexto de Löis Lancaster, com colaboração de André Mansur, Crib Tanaka e @dodoazevedo

Foto de /gpatton (tirada do flickr de /fmc45)

 

Antes de começar a glosar os motes das tuitadas, cabem algumas explicações/ressalvas: 1) Como enviei por SMS os posts sem conexão direta com a web, não recebi feedback enquanto rolava o show no Citibank Hall (RJ) na noite de 18 de abril; 2 ) os exatos segundos em que as coisas a que me refiro aconteceram contam aqui com um pequeno atraso –vocês hão de considerar o tempo que leva para digitar qualquer coisa em um celular com várias letras para cada tecla...

 

10:09 PM – Todo mundo parado com a incrível animação da Ploc 80´s antes do show. Acho que felizmente essa onda tá no fim!

Havia um DJ num palanquinho improvisado em cima do palco, tocando as coisas trash dos anos 80 que mais nenhuma festa tem coragem de tocar e para um público que nem aí tem coragem de dançar. Ainda bem. Todos que viveram a época e retêm um mínimo de senso crítico sabem que os eighties foram muito mais – e melhores – que aquilo.

Em tempo: por que ainda nenhuma banda ou produtor sacou que esse público (os roqueiros que beiram hoje os quarenta) poderiam gostar de ouvir um rock novo, talvez até remetendo aos 80 na forma, mas com letras que comentassem a realidade atual deles. Imagino algo como um Plebe Rude discorrendo sobre a situação de ter de manter um emprego público para sustentar as rebeldias do filho adolescente ou uma Legião falando sobre a separação de um segundo casamento e o que fazer com as crianças...

 

10:19 PM – Muita gente ainda não conseguiu entrar, comprando na hora. Fila grande.

 

10:22 PM – Um solitário radiante me pede para fotografá-lo. Diz que há 25 anos aguarda esse momento.

Sim, muita gente gosta mesmo dos B-52's. E por que não? O grupo influenciou muita gente, não só no comportamento e no visual, como na maneira de musicá-los. Os arranjos de duas vozes femininas com Fred Schneider fazendo o contraponto em uma narração 'descolada' fez escola em bandas tão diferentes como Blitz e Sugarcubes.

 

10:27 PM – Se é chato para uma banda ficar tocando medalhão de 20 anos atrás, imagina ficar apertando play para o mesmo efeito, DJ Ploc!

 

10:30 PM - No palco vazio, bongô, maracas e estrobos em pilares. Na platéia, gente com a discografia em vinil esperando autógrafos.

Uma pessoa, principalmente. Bem na frente do palco. Durante o show, o sujeito segurava os vinis e ia passando as capas, mostrando a do álbum que continha a faixa que eles estavam tocando.

 

10:38 PM – Um cara tira foto do palco vazio, sem flash, usando a cabeça da namorada como tripé.

Isso em um Citibank Hall sem mesas para atrapalhar, como em alguns shows de progressivo eles insistem em colocar.

 

10:46 PM – Personalidades presentes: /helenbar, do fotolog, montada como Kate Pierson.

/helenbar é uma ilustradora/designer que ganhou fama internacional e internética como protagonista de uma série de fotomontagens baseadas em Alice no País das Maravilhas. Para uma cobertura internética, uma aparição de webcelebrity – e a moça tem talento.

 

10:46 PM – Comecou.

A excelente "Pump", do álbum novo, acrescenta um certo peso e traz uma estrutura mais apolínea na composição.

 

10:48 PM – Muita animação de ambas as partes. Let´s go to Mesopotamia!

“Mesopotamia”, do álbum epônimo que não fez muito sucesso, produzido por David Byrne, do Talking Heads.

 

10:52 PM – David Byrne deixa marcas por onde passa. Um pouco de T-Heads passou por aqui.

A banda está feliz. Dá pra ver que estão fazendo o que querem, para quem quiser ouvir e ver. Por que geralmente esse descompromisso só surge quando o auge da popularidade já passou? Ou será que quando surge antes o auge não acontece e a carreira do grupo pode ser consistente e longeva mas passar despercebida?

 

10:54 PM – Chegando ao g-spot agora!

Música "Ultraviolet". Cindy fica mais na dela, tocando bongô vestida até os punhos e tornozelos de preto como uma cadete espacial da Enterprise. Kate e Fred passeiam, ou antes orbitam pelo palco, com diversos pequenos gadgets.

 

11:00 PM – “Are you ready to go to Idaho, Rio?”, anuncia Kate!

Com “Private Idaho”, o povo entra em delírio. Especialmente os GLSBTRIUHLKJDH... e as balzaquianas e pós-balzaquianas já de pilequinho.

 

11:02 PM – Agora “Give Back My Man”, com o glockenspiel de candelabro na frente.
"Glockenspiel de candelabro" foi como eu consegui definir em poucas palavras (pra quem não sabe, cada postagem no twitter tem de ter no máximo 140 caracteres) aquele instrumento de banda de desfile ou parada: um metalofone prateado em forma de lira (tanto que em inglês se chama bell lyre), erguido por uma haste. Isso aqui.

http://img3.musiciansfriend.com/dbase/pics/products/1/8/8/374188.jpg

 

11:04 PM – O Mansur tá dizendo que o mais engraçado do show sou eu tuitando!

Em “Party Out Of Bounds”, música que adoro, danço um pouco e "tuíto" um pouco. Realmente devo estar destoando da maioria, enquanto procuro as letras no teclado difícil do meu celular-fusquinha. Paciência... Tudo em nome do progresso nas comunicações!

 

11:11 PM – “A song about malls”, Fred anuncia dentro de um...

Sim, afinal estamos dentro de um Shopping Mall, em uma casa de shows patrocinada por um banco. A letra de “Funplex” tem pérolas sobre malls e diet pills.

 

11:14 PM – A canção do telefone, em tempos de celular. Tonight's the night!

"Strobe Light" alterna partes faladas sem música e música sem voz com uma inspiração poucas vezes alcançada no pop.

 

11:18 PM – Alguém vai de “Quiche Lorraine”? Excelente “sad song”, como eles disseram.

 

11:22 PM – Fellini agora: “Juliet Of The Spirits. Platéia mais atenta que dançante.

 

11:26 PM – Quanto mais os cotovelos estão separados do corpo, mais duro o baterista. É o caso aqui.

O nome do baterista é Keith Strickland. Sim, ele é competente, mas muito rígido. Talvez seja o efeito do click em seus ouvidos para manter o andamento das músicas.

 

11:27 PM – Around the world, with B-52's wings.

Outra das grandes músicas da banda: "Roam".

 

11:29 PM – Reclamação: muita luz em cima da plateia.

Muita gente estava ficando inibida com o excesso de luz na plateia em muitos momentos. A vergonha alheia e a própria incomodaram um pouco. Até porque não havia lotação para aquilo. A casa estava ainda com muita capacidade ociosa, o que foi bom (só se espremeu quem quis).

 

11:38 PM – “Love In The Year 3000”!

 

11:41 PM – Kate continua balançando como sempre, em um corpete preto de arabescos, entre nós e atenas.

Não parece que a moça está em seus sixties. Daí pensamos: o hype em cima de Madonna fazendo o que faz hoje tem tanta justificativa assim? Ah, Athens, na Geórgia (EUA), é a terra natal da banda.

 

11:47 PM – O lado esquerdo do palco são Flea na guitarra e Tina Weymouth no vocal. Iguaizinhos!

 

11:50 PM – “Love Shack”. Balões na plateia e Cindy com Kate mais afinadas do que nunca!

Realmente surpreende a afinação e a forma da voz das duas. Em uma tuitada posterior eu detalho a técnica de Kate Pierson dobrando em uníssono um teclado que, eletrônico como é, não erra mesmo nos glissandos. E ela segura a onda. Qualquer músico de orquestra sabe que uníssonos são uma prova de fogo.

 

11:54 PM – Trenzinho no palco... “Bang, bang, bang!”

Um momento de grande participação da platéia. E Fred só incitando: "I Can't hear you!!!"

 

11:57 PM – Fim do tempo regulamentar, ainda sem “Legal Tender”. Deve estar no forno.

Na verdade, não estava. Uma coisa que pouca gente sabe é que "Legal Tender" – uma música muito boa, com estrutura incomum e melodia interessantíssima – foi um fenômeno local, só estourou no Brasil, por conta do Rock in Rio 1. Pode até ser que a banda soubesse disso, mas dá pra imaginar razões para não incluí-la nesse revival mesmo assim, como a pouca (se alguma) participação de Fred Schneider nos vocais. De qualquer modo, "Legal Tender" não rolou...

 

12:00 PM – Bis com os rayguns de Fred anunciando a chegada no “Planet Claire”. A voz de Kate segue o teclado!

 

12:08 PM – “Rock Lobster” in Copacabana Beach!

 

12:14 PM – Erosão animada: /helenbar já está desmontada e se acabando...

 

12:15 PM – ... E acabou!

O bom do Twitter é isso: você pode determinar com exatidão quando uma coisa foi dita. E se essa coisa dita narra algo que aconteceu, com exatidão um pouco menor determina-se esse algo que aconteceu.

 

12:18 PM – É isso ai, meu povo! Obrigado pela audiência e ate a próxima aventura!

 

>> Resenha gentilmente cedida pelo Portal RockPress e originalmente tuitada por Löis Lancaster.


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