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Blitz
Escrito por Abonico Seg, 15 de Junho de 2009 22:47
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Banda que escancarou as portas do sucesso para o rock nacional ganha biografia de respeito
Texto de Abonico R. Smith
Fotos: Reprodução e Divulgação
Gratidão. Foi este o principal sentimento que motivou o jornalista e músico Rodrigo Rodrigues a escrever a biografia de uma das mais importantes bandas da história do rock nacional. Afinal, foi graças à paixão imediata despertada durante a sua infância que ele despertou para o mundo das artes, o qual faz questão de acompanhar de perto há cinco anos no programa Vitrine (TV Cultura) e ainda participar dele com os eventuais shows de sua banda Soundtrackers (cujo repertório é formado apenas por clássicos das trilhas sonoras do cinema). “Quis agradecer do meu jeito à Blitz por tudo o que eles significaram para mim”, conta o autor.
Rodrigo conheceu o grupo quando alguns músicos compareceram a uma gincana realizada durante o período de férias em seu colégio. “Eu tinha uns sete anos de idade. Alguns colegas conseguiram levar vários integrantes para lá. Era uma daquelas tarefas que dizia que você tinha de levar alguém famoso. Foi justamente o fenômeno pop que estava estourado nas rádios naquele momento. Lembro bem até hoje como fiquei hipnotizado na frente dos caras e das lindas vocalistas”, conta, referindo-se às backings Márcia Bulcão e Fernanda Abreu, que faziam os contrapontos vocais do líder Evandro Mesquita.
Mais tarde, o jornalista acabou desenvolvendo laços de amizade com os remanescentes da formação “clássica” (Evandro, o tecladista Billy Forghieri e o baterista Juba) mas sem nunca esquecer o coração de fã. “De lá para cá, tudo mudou. Foi o primeiro show da minha vida, tive os três primeiros discos e colecionei muita coisa deles”. Inclusive, claro, o clássico álbum de figurinhas – nunca na história da música jovem nacional uma banda de rock havia ganho até então tal primazia para confirmar sua popularidade extrema entre jovens e crianças ou recebido o convite para fazer barulho
Ascensão e queda
Toda esta história de sucesso, fama e glória que varreu o país durante a primeira metade de década de 80 está dissecada em Aventuras da Blitz (Ediouro). Por causa de sua proximidade com a banda e fácil, curiosidades são reveladas e certas histórias de bastidores também são contadas pela primeira vez. Da explosão meteórica do compacto “Você Não Soube Me Amar” aos shows megaproduzidos e arrastando multidões em todo o país, passando pelos sucessos radiofônicos em série entre 1982 e 1984 e um apuro visual inacreditável nos três primeiros álbuns. “Toda a arte dos discos e dos shows era assinada por Gringo Cardia e Luiz Stein, dois nomes que viriam a se transformar em excelência no design brasileiro. Eles trouxeram toda aquela referência de pop art, quadrinhos e fotonovelas que casou-se perfeitamente com toda a linguagem teatral trazida pelo Evandro do tempo do Asdrúbal Trouxe o Trombone.
Entretanto, o lado jornalista de Rodrigo também não poderia deixar de lado pontos negativos como a briga de egos que abreviou a carreira de quatro anos de extremo sucesso e ainda o desentendimento que levou ao naufrágio o grande comeback da banda em meados dos anos 90. Tal desentendimento, aliás, é significou o grande racha da formação clássica. Até hoje os dissidentes Ricardo Barreto (guitarra), Márcia e Antônio Pedro (baixo) não se pronunciam publicamente sobre a Blitz. A trinca, que recorreu à justiça para reivindicar os direitos do uso do nome, que ficaram com Evandro, também não deram entrevistas para o biógrafo.
Lobão (o primeiro baterista, que saiu da Blitz de maneira insólita dias antes do lançamento do primeiro álbum) e Fernanda Abreu foram os únicos ex-integrantes a conversar com Rodrigues sobre suas experiências anteriores às bem-sucedidas trajetórias solo de ambos. “Lobão foi quem sugeriu o nome da banda, aliás. Ele é um grande amigo meu e me contou várias histórias do começo da carreira. E olha que coincidência: estou aqui falando dele e acabei de vê-lo passar neste momento lá embaixo, aqui no prédio da Cultura”, dispara o jornalista.

"Underground luxuoso"
A Blitz, há vários anos e desde que retornou para valer nos anos 90, vive naquilo que se chama de “underground luxuoso”. Ou seja, mesmo sem o apoio de gravadoras, sem emplacar músicas novas nas rádios, sem aparecer na TV, sem vários integrantes originais, a banda ainda se reúne, grava álbuns e DVDs, recebe convite para tocar em festas pelo interior do Brasil e tenta encaixar sua agenda com as gravações de Evandro para a tevê e outros compromissos pessoais do vocalista.
Enquanto isso, o combo carioca prepara munições para o próximo álbum, também independente como as quatro últimas empreitadas. Entre as novidades estão parcerias com Erasmo Carlos e o grupo mineiro Pato Fu e canções que seguem o mesmo divertido estilo de histórias e diálogos instaurado quase trinta anos por um grupo de jovens que soube mexer e se comunicar com uma juventude ainda inerte e ávida pelas mudanças sócio-político-comportamentais que se dariam no país nos anos posteriores. E é justamente com o olhar voltado para o futuro de seus ídolos-biografados que Rodrigo Rodrigues encerra As Aventuras da Turma da Blitz parafraseando Evandro Mesquita. “Enquanto houver bambu, tem flecha!”












