Quarta Fev 20

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Afrodite – Quadrinhos Eróticos de Alice Ruiz e Paulo Leminski

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Livro resgata várias HQs com roteiros feitos pelo casal para a histórica editora Grafipar

Acima, Alice na Itiban; abaixo, a capa do livro e o detalhe de uma das históriasTexto e foto por Abonico R. Smith

Poesia, livros, traduções, letras de música, redação publicitária. Alice Ruiz e Paulo Leminski serem foram artistas múltiplos no quesito habilidade na manipulaçao das palavras. O que pouca gente sabe, porém, é que ambos exerceram mais uma função neste extenso rol de atividades: escreveram roteiros de histórias em quadrinhos. E de cunho erótico, ainda por cima.

Isso se deu lá pelo início dos anos 1980, nos tempos áureos da Grafipar. Enfrentando as poderosas casas editoriais do eixo Rio-São Paulo, esta gráfica-editora paranaense distribuía pelo Brasil todo diversos títulos que vendiam bem e atraíam o trabalho de artistas e redatores de prestígio. Eram revistas de atualidades, horóscopo, assuntos femininos e masculinos, terror. E muitos quadrinhos. Sobretudo quadrinhos. Foi uma produção intensa durante cinco anos, desde a criação da empresa até o encerramento das atividades em 1983. Algo até agora nunca igualado por qualquer outra iniciativa comercial. Detalhe número um: quase tudo era temperado por altas doses de sexo, ingrediente que, segundo o diretor Faruk El-Khatib (o filho do proprietário e criador da Grafipar), ajudava bastante para puxar as vendas. Detalhe número dois: tudo isso em um tempo onde a ditadura militar ainda se arrastava em nosso país e a censura federal, embora não mais tão rígida quanto nos anos anteriores, ainda exercia altos poderes de veto

Especializada em HQs alternativas, a editora paulista Veneta decidiu reunir em uma coletânea alguns destes trabalhos feitos por Alice e Paulo nos tempos da Grafipar. Afrodite – Quadrinhos Eróticos de Alice Ruiz e Paulo Leminski reúne em 112 páginas um total de 22 curtas histórias publicadas em diversos títulos do catálogo da casa. Ela, contratada para editar duas revistas mensais, aparece com produção maior (dezesseis). Ele, free-lancer, vem em menor número (as outras seis). Nenhuma delas, porém, em parceria entre o casal. Eles escreviam os roteiros e entregavam a bola para craques do desenho rabiscarem e colocarem no papel suas ideias. Nesta turma encontravam-se nomes como os veteranos Flavio Colin, Julio Shimamoto e Claudio Seto, mais alguns jovens e pruasque, Rodval Matias, Mozart Couto, Eros Maichrowicz e Itamar Gonçalves.

Durante este fim de ano de 2015, Alice Ruiz passou uma tarde de sábado na Itiban – o ponto de encontro dos fanáticos por HQ e afins em Curitiba. Ela assinou muitos exemplares, contou diversas curiosidades daquela época e ainda bateu um papo com o Mondo Bacana sobre o livro e os tempos de Grafipar.

GRAFIPAR

“Ganhar dinheiro trabalhando lá era um sonho e isso estava realmente acontecendo. Mas o que mais era estimulador era o fato de que a gente estava sendo lido e reconhecido em todo o país, até fora do Brasil. Foi um período de ouro, muito mágico. Havia todo aquele elemento do erotismo incluído nos trabalhos mas acho que para quem estava lá trascendia a algo espiritual. Principalmente porque a editora proporcionava a possibilidade de reunir uma variedade de artistas da maior qualidade que também comungavam das mesmas ideias.”

COMEÇO DE TUDO

“Cheguei à Grafipar através da revista chamada Atenção, que tratava de coisas sério do cotidiano. Fui chamada para escrever sobre a condição feminina. Eu e Paulo éramos frilas, a princípio. Mas toda edição tinha um artigo meu e outro dele. Batíamos ponto por lá pelo menos duas vezes por mês: para entregar o trabalho escrito e para receber por isso depois. Depois foi  criada a Eros, voltada para o público masculino. A Eros, por sua vez, gerou a Rose. Note que Rose é um anagrama de Eros... Acabei sendo contratada para co-editar a revista junto a duas jornalistas, Ligia Mendonça e Ana Lucia Rocha. Mas não entrava nada de receita, tricô ou crochê por lá. A Rose tinha um slogan sugestivo: “a revista que tira a roupa dos homens e informa as mulheres”. Colocávamos o nu masculino para as leitoras nas páginas centrais. Não havia nada frontal. Às vezes alguns amigos aceitavam posar com violões, livros, pernas cruzadas e outros artifícios. Mas muitas vezes acabávamos recorrendo a banco de imagens mesmo, porque nós fazíamos algo muito moderno para a época. Até nos temas que a gente discutia nas reuniões de pauta, veja só. Falávamos sobre aborto, masturbação, união homossexual. Havia também as páginas com as HQs e o horóscopo que eu escrevia com um pseudônimo. Isso sem falar nas tarjas pretas usadas para cobrir os órgãos genitais nas fotos. Claro que a gente aproveitava para aumentar um pouco mais do que o necessário. Só para brincar um pouco com a imaginação de quem via as fotos... (risos)”

MEU PRIMEIRO ROTEIRO

“Aproveitei logo no meu primeiro roteiro para quadrinhos para fazer uma espécie de vingança na literatura paranense... (risos) Tive esta ideia durante uma viagem de trem para o litoral do estado, aliás. Nos contos do Dalton Trevisan as personagens femininas têm um papel muito triste. Sempre estiveram sujeitas às patofarias do cotidiano. E isso não resumia ao Dalton aqui no Paraná, não. Antes dele já havia Nelson Rodrigues e outros escritores que as relegavam a isso, Aí criei a história do escritor que maltrata a sua personagem. Mas ela acaba ganhando vida e se revolta contra o criador, proporcionando um fim trágico a tudo.”

HORÓSCOPO E MITOLOGIA

“A seção sobre os signos fazia tanto sucesso nas páginas de Rose que uma segunda revista foi criada para suprir a demanda. Então veio a Horóscopo de Rose. Ali, na parte de quadrinhos, tive a ideia de unir astrologia e mitologia. Na parte das HQs falávamos então sobre os deuses referentes aos planetas que estão vinculados a cada signo. Neste livro estão quase todas estas histórias. Eu e Paulo que escrevíamos os roteiros.  E o erotismo entrava nos desenhos dos personagens”

CENSURA

“As primeiras experiências da Grafipar com a Censura foram terríveis. As páginas eram riscadas direto. Aí acabou vindo um censor aqui para Curitiba só para acompanhar de perto o trabalho feito pela editora. Nesta fase já não se barrava tanta coisa porque os quadrinistas, que eram as pessoas que estavam mais expostas por causa da questão visual do erotismo e da sexualidade, já conversavam sobre isso antes de desenhar. Quanto a mim, mantinha a conduta de jamais chamar a atenção da Censura Federal para algo que pudesse impedir ou atrapalhar o trabalho que a gente fazia por lá e achava algo de extrema importância. Nunca me queimaria de propósito, Meu jeito de fazer política era e até hoje atuar de modo a ajudar a mudar os costumes, não indo de frente a algo.”

SURPRESA!

“A gente sabia que a Rose vendia bem. Só que recebíamos poucas cartas das leitoras. Bem poucas, a ponto de muitas vezes eu ter de inventar comentários e colocar nomes fictícios. Depois de várias edições, Faruk decidiu fazer uma pesquisa para incrementar ainda mais as vendagens. Aì tivemos uma grande surpresa e descobrimos o verdadeiro perfil das ‘leitoras’. Na verdade quem comprava a revista eram homossexuais masculinos. Eles nem estavam tão interessados assim naqueles assuntos que eu, a Ligia e a Ana discutíamos a fio em cada reunião de pauta e avaliávamos meticulosamente o que e como abordaríamos. O que queriam ver eram as páginas centrais, tão somente. Segundo a pesquisa, as mulheres tinham vergonha de ir até a banca e pedir a revista. Claro, havia várias que compravam, mas o número era bem pequeno. Desnecessário dizer que nós três acamos perdendo o emprego para dois rapazes mais no perfil dos leitores da Rose. Hoje é uma história para se rir dela.”

EROTISMO x PORNOGRAFIA

“A primeira sugestão de capa vinda da editora achei algo demasiadamente grosseira. Mostrava coisas explícitas, como línguas ou órgãos de fora. Acho que uma capa tão explícita assim afastaria muito o público de comprar o livro. Ok, isto pode ser a imposição da sexualidade através do quadrinista, mas fecha a porta para a imaginação e a curiosidade do leitor, Já tive esta experiência com a revista feminina que, afinal, não era tão comprada assim pelas mulheres. Acho que na questão visual, assim como no terreno da poesia, você tem de permitir ao espectador/leitor participar também do jogo. Acho a capa final muito melhor. São balões que pressupõem uma conversa entre duas pessoas que estão deitadas e não são vistas. Isto, sim, é erótico. No erotismo existe consenso. Para mim, a pornografia é onde não há consenso.”

HQ NUNCA MAIS

“Depois da experiência com a Grafipar eu parei em definitivo com os quadrinhos. Claro, eu continuo lendo uma ou outra coisa. O Rogério [de Campos, dono da Veneta] de vez em quando me presenteia com coisas interessantes da editora, Mas ficou mesmo no passado a minha admiração por esta área. Não me vejo mesmo voltando a escrever novas histórias. A única coisa que eu quero muito é, um dia, ‘transar com a Laerte’ naquele programa da TV.”


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