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Eu Queria Ter a Sua Vida
Escrito por Abonico Sex, 07 de Outubro de 2011 01:56
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Argumento batido de troca de corpos e rotinas volta em comédia protagonizada por Ryan Reynolds
Texto por Tanara de Araújo
Foto: Paramount/Divulgação
Alguém inveja a vida de outra pessoa e bem que gostaria de trocar de lugar com ela. Algo mágico provoca a mudança e, então, os novos corpos revelam que o gramado do vizinho não é tão verde quanto se pensava. Esse é o mote de Sexta-Feira Muito Louca (Freak Friday, EUA, 2003). É também a base dos sucessos nacionais Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2 (2005 e 2009) – o primeiro, a propósito, já era um remake do australiano Dating The Enemy (1996). Ou seja, tal argumento não é dos mais originais. Ainda assim, ele volta em Eu Queria Ter a Sua Vida (The Change-Up, EUA, 2011 – Paramount), que estreia nos cinemas nesta sexta, dia 7 de outubro.
Após aparecer nas telas por meio das relações de mãe/filha e marido/mulher, é a vez de dois amigos de infância: Mitch (Ryan Reynolds) e Dave (Jason Bateman). O primeiro é um boa-vida mulherengo, sem grandes responsabilidades a não ser divertir a si mesmo. O segundo é um advogado em ascensão, casado e pai de três crianças. A questão é que Mitch inveja a rotina bem-sucedida de Dave que, por sua vez, adoraria experimentar a existência sem estresse do melhor amigo. Certo dia, seus desejos tornam-se realidade e, claro, nem tudo era a maravilha que imaginavam.
A partir dessa premissa tão batida, é natural que haja uma miséria de segredos em relação aos 112 minutos do desenrolar da história. Nesses casos, a saída mais digna é recorrer a um roteiro esperto, que emule situações criativas e engraçadas. Ou apostar as cartas em boas atuações. Dirigido por David Dobkin (de Penetras Bons de Bico), Eu Queria Ter a Sua Vida se equilibra fragilmente nesses dois aspectos que, se não o tornam a comédia da temporada, são o que o salvam do total constrangimento.
Assinado por Jon Lucas e Scott Moore, o roteiro é recheado de piadas que escorregam na elegância e muitas vezes passam (bem) longe do bom gosto. Nada muito distante do clima de Se Beber, Não Case, cujo texto, não por acaso, é de autoria da mesma dupla. Mas, assim como neste filme de 2009 (e na sua continuação de 2010), é impossível não achar graça de determinadas sequências, por mais grotescas que sejam. As melhores são reservadas à experiência de Dave (no corpo de Mitch) em um set de filmagem e a de Mitch (no corpo de Dave) tendo que lidar com a intimidade de Jaime (Leslie Mann), mulher do amigo. Você diz “eca!”, mas inevitavelmente morre de rir.
Ainda que nem um pouco grandioso, o elenco é afinado. Mais conhecido por comédias românticas, como Coincidências do Amor (2010), Jason Bateman sai um pouco do terreno seguro que seria interpretar o “certinho” Dave do começo ao fim. Ao vestir a personalidade mais errante de Mitch, acerta no tom de desconforto imposto ao personagem. Já o bonitinho mas ordinário Ryan Reynolds deveria investir mais em filmes leves. Definitivamente convence melhor na pele de um bon vivant do que em uniformes de super-heróis levados a sério. Leslie Mann repete sua interpretação de Ligeiramente Grávidos (2007), o que não é ruim, uma vez que a persona da esposa reclamona lhe cai bem. Olivia Wilde transborda sensualidade sem forçar demais a barra e Alan Arkin ainda faz uma ponta de luxo.
Eu Queria Ter a Sua Vida certamente será vendido sob o slogan “dos mesmos criadores de Se Beber, Não Case”, o que, enfim, não é mentira. E, tal qual seu conterrâneo, é um filme divertido e desopilante. Entretanto, não será lembrado como uma comédia ousada que quebrou certos parâmetros. Será esquecido muito antes de os espectadores desejarem trocar de vida com seus autores.- 29/10/2011 00:44 - Contágio
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