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Garota Infernal

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Nome de Diablo Cody e apelo sexy de Megan Fox não salvam este “terrir” teen do fiasco

Megan Fox: enfim, protagonistaTexto por Tanara de Araújo

Fotos de 20th Century Fox/Divulgação

Em centenas de materiais de divulgação de filmes você já deve ter lido “dos mesmos realizadores de fulano” ou “com produção de beltrano”. Prática das mais corriqueiras no comércio cinematográfico, a ênfase de um nome notório (geralmente respeitável) por trás da equipe pode ser uma pista sobre o título em jogo (quantos, por exemplo, não foram conferir o sanguinolento O Albergue (Hostel, EUA, 2005) só porque Quentin Tarantino assinava a produção executiva?). Na maioria das vezes, porém, trata-se de um método simplório para desviar a atenção de engodo à vista. Caso esse de Garota Infernal (Jennifer’s Body, EUA, 2009), terror teen ao molho pardo embalado no rótulo “dos mesmos criadores de Juno

Atualmente em cartaz no país, o longa é dirigido pela quase estreante Karyn Kusama (do fraco Aeon Flux). A publicidade em torno de Garota Infernal, porém, é espertamente concentrada em outros chamarizes. Um deles é a hypada roteirista Diablo Cody. Na condição da “ex-stripper que se revelou boa de letras”, ela ganhou os holofotes em 2007, quando, entre outros prêmios, papou o Oscar de roteiro original com Juno — dirigido por Jason Reitman, que retorna aqui como um dos produtores. Nada mais natural, portanto, do que almejar uma continuidade daquele conteúdo original, criativo, contemporâneo e pincelado pelo melhor das referências pop à moda Cameron Crowe. Infelizmente, as expectativas são frustradas, deixando a impressão de que Cody não só gastou a maior parte dos fósforos na propalada estreia, como viu e absorveu filmes de “terrir” adolescente em excesso.

Diablo e Megan durante intervalo no setCitações pop

É evidente que há esforços do roteiro em sintonizar-se ao seu tempo, sobretudo nas tiradas sarcásticas dos diálogos, com destaque para o deboche da supremacia da internet (“É verdade sim, está na Wikipédia!”, diz uma personagem). Existem ainda tentativas em recorrer às sempre bem-vindas alusões ao universo pop. Canções do álbum Live Through This, do Hole (ex-banda de Courtney Love), por exemplo, são assíduas: “Jennifer’s Body” empresta o nome ao título original e “Violet” é executada nos créditos finais. No conjunto, entretanto, esses elementos se perdem no meio de uma coleção de clichês. Da beldade que vira monstro à tradicional sede de vingança — sem sequer abrir mão do batido baile de formatura —, praticamente tudo de Garota Infernal é um repeteco do que já foi visto e revisto em filmes como Prova Final, Lenda Urbana e até o clássico Carrie, a Estranha.

Considerando que os problemas de estrutura se limitassem ao abuso do lugar-comum, haveria talvez uma anêmica chance de o longa disfarçar sua mediocridade. Mas, no meio do caminho tinha outra pedra. Aliás, um rochedo atulhado de incoerências que colocam a última pá de terra sobre a narrativa. Se em uma cidade do interior, daquelas que um espirro vira manchete de jornal, começa a ocorrer uma série de crimes medonhos, o que acontece? Em Garota Infernal, nada. Onde uma menina moderna, inclusive aquela do tipo tímida e deslocada, faz uma pesquisa secreta sobre assuntos ocultos hoje em dia? Em Garota Infernal, na biblioteca da escola.

Fox ainda abusa das curvasAtributos carnais

A outra cartada para chamar a atenção do público atende por Megan Fox, a estrelinha da temporada. Coadjuvante que roubou a cena em Transformers, a atriz assume sua primeira protagonista, desperdiçando uma boa chance de provar suposta habilidade além do rosto e corpo perfeitos. Da cheerleader mais desejada da escola à literal devoradora de homens, seus atributos em Garota Infernal continuam essencialmente carnais. Recheios e curvas que, por sinal, até sustentam uma personagem que tenta enrolar a melhor amiga com uns amassos e declara com certo orgulho de que “não é virgem nem na porta de trás”. Daí a atingir o nível de uma Angelina Jolie, que une talento e beleza, são outros quinhentos. Salvar um filme do fiasco — independente de quem seja seus criadores — mais outros.


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