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Paraísos Artificiais

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Filme mostra-se irregular ao contar história de amor com consumo de drogas como plano de fundo

Lara (Lívia) e Érika (Nathalia) numa raveTexto por Flavio St Jayme (Blog Pausa Dramática)

Foto: Nossa Distribuidora/Divulgação

Não é muito fácil falar de um filme como Paraísos Artificiais (Brasil, 2012 – Nossa Distribuidora). Um filme de público restrito (pessoas entre 25 e 40 anos, de “cabeça aberta”, sem muitos preconceitos, bom nível cultural e um certo domínio da língua inglesa), um tanto difícil e irregular mas que mesmo assim – ou justamente por tudo isso – fica na cabeça e rende ótimas discussões em uma mesa de bar.

O filme começa quando Nando (Luca Bianchi) sai da cadeia. Não sabemos porque ele estava preso, não sabemos o que aconteceu lá dentro. Salta para uma festa em Amsterdam, onde o mesmo Nando conhece a DJ Érika (Nathália Dill). Os dois acabam por se envolver. Salta para um flashback: dois anos antes Érika e Lara (Lívia de Bueno) estão indo para uma rave no nordeste brasileiro. Produtor de Tropa de Elite e diretor do documentário Estamira, o diretor Marcos Prado demonstra uma visão totalmente diferente de ambos, com um filme que, com o consumo de drogas de plano de fundo, traz no fim das contas uma bela história de amor.

Entre flashbacks vamos vendo a “história de amor e êxtase” que o cartaz anuncia. Érika e Lara têm um envolvimento afetivo. Érika e Nando também terão. Mas o que aconteceu nesses dois anos? Por que Nando estava preso? O que Érika fazia em Amsterdam? Onde foi parar Lara? Tudo isso vai sendo respondido aos poucos em cenas de altos e baixos qualitativos: textos bons se misturam com textos ruins, boas interpretações (como de Nathalia Dill e César Cardadeiro, irmão do protagonista) batem de frente com interpretações medianas (como de Luca Bianchi e Lívia de Bueno) e, como num efeito de droga, o filme mistura momentos eufóricos com melancólicos.

Com ótima fotografia, trilha sonora arrebatadora e locações belíssimas, os tais paraísos artificiais vão se desenhando à nossa frente da mesma forma que a história: lentamente. Sem ser didático e deixar muitas resoluções óbvias insinuadas para que o público conclua sozinho nem optar por defender ou criticar o uso de drogas, desfilam na tela os mais variados tipos de alucinógenos: pó, liquido, comprimido, planta. Mas tudo muito encaixado no roteiro, apesar de excessivo. Tudo faz parte da história, nada está ali por acaso. Alguns são usuários de ocasião (consomem somente nas festas), outros vendem, outros filosofam sobre, outros aplaudem o pôr do sol. Irregular sim, mas com estilo.

Nesse ponto, o filme leva a melhor ao não tomar partido mas ao mesmo tempo mostrar algumas consequências nada agradáveis das drogas. Nada mostrado tão drasticamente como em Réquiem Para Um Sonho ou Trainspotting, pois não é essa a mensagem que o diretor quer nos dar. Ele parece querer dizer que você pode usar, basta saber a hora de parar; curtir não faz mal, mas exagerar sim; e às vezes é um caminho sem volta.

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