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Flores do Oriente
Escrito por Abonico Ter, 05 de Junho de 2012 02:53
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Christian Bale é um americano perdido que se disfarça de padre na China em guerra com o Japão
Texto por DTS (originalmente publicado no blog Resenhas de Filmes)
É comum em filmes americanos que vejamos um grupo étnico realizando algo sob a supervisão de um branco. Um filme tem essa perspectiva: Tempo de Glória, sobre um batalhão de soldados negros que são liderados por um branco. Vemos a história de todos esses homens apenas através do que o comandante nos apresenta. É comum em produções americanas, mas me surpreende ver esse tipo de perspectiva em um filme chinês.
Flores do Oriente (Jin Lín Shí San Chai, China/Hong Kong, 2011 – PlayArte) se passa durante uma grande atrocidade que aconteceu durante a guerra. Em 1937, o Japão invadiu a cidade de Nanquim, que era então a capital da China imperial. A invasão culminou em uma série de ataques, saques e assassinatos a civis, com números que podem chegar até a 300 mil mortos. Foram localizados 155 mil corpos, mas estes números não contam os queimados ou jogados nos rios. Para piorar, os soldados japoneses caçavam mulheres e adolescentes para realizar estupros coletivos. Não é incomum que civis morram no curso da guerra, mas esse tipo de atrocidade vai muito além de ser um crime de guerra. A história é tão vergonhosa, que o governo japonês proíbe que ela seja ensinada nos colégios.
Pela primeira vez eu vejo um filme sobre o assunto, e o diretor Zhang Yimou nos conta a história de um bêbado americano que trabalha como coveiro chamado John Miller (Christian Bale). No meio de tiroteios e explosões, ele chega para enterrar o padre de uma igreja católica, que teoricamente é um terreno neutro na guerra. Como na escola se encontram apenas crianças, incluindo um menino que ajudava o padre e as meninas estudantes, Miller resolve ficar por lá bebendo whisky e dormindo em uma cama. Depois de sua chegada, escondem-se ainda um grupo de prostitutas em uma espécie de porão secreto debaixo do altar.
Miller começa o filme como apenas um bêbado incapaz de fazer alguma coisa, mas aos poucos ele começa a se endireitar e, durante um ataque de soldados japoneses interessados em estuprar as meninas, veste-se como padre e coloca todas as mulheres sob a sua proteção. Apesar de não ser fisicamente capaz de proteger as meninas (os soldados não sabem que as prostitutas se encontram lá), o pensamento rápido dele e a ajuda de um oficial japonês que parece ser honrado conseguem manter as meninas em segurança, até um determinado ponto. Miller deve conseguir fazer um caminhão da igreja funcionar para tirá-las do perigo. O plano, que não ouso revelar para não estragar surpresas, envolve a redenção do protagonista e das prostitutas ao mesmo tempo.
Nesse ponto, um pensamento começa a me incomodar um pouco: fora dos muros da igreja, milhares (talvez milhões) de pessoas estão morrendo. Japoneses estão atirando em qualquer pessoa que apareça no caminho, mas parece que tudo que interessa neste filme é a redenção do americano bêbado e a salvação de um grupo de mulheres. Mais ainda: alguém consegue me explicar porque há a presença de um americano neste filme? Não poderia ser um padre chinês? Sequer sabemos o que ele está fazendo naquele país em guerra.
O filme é, como esperado de um filme de Yimou, um grande espetáculo. Incrivelmente fotografado e usando o que acredito serem ótimos sets, especialmente a igreja e seus arredores. E há um bom elenco para nos segurar durante a projeção, incluindo um Bale que, apesar de começar de forma desastrosa, cresce como o herói, apesar de seu personagem faltar em profundidade e histórico. Uma pena que o plot central da história enfraqueça a força que o longa poderia ter.- 17/06/2012 00:33 - Madagascar 3 – Os Procurados
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