Qui Mai 23

Arquivo

Para Roma Com Amor

Atenção, abrir em uma nova janela. ImprimirE-mail
Twittar este Artigo

Woody Allen chega à capital italiana para contar quatro pequenas histórias com resultado irregular

Allen dirige Penelope na cena da festaTexto por Abonico R. Smith

Fotos: Paris Filmes/Divulgação

Woody Allen completará 77 anos de idade no final deste ano. Muito ele já fez para o mundo das comédias e do cinema. Mesmo assim, continua trabalhando compulsivamente. Todo ano, de maneira pontual, ele entrega a nós um novo filme, nem que para isso ele passe a assumir as intenções comerciais de sair de sua amada Nova York para assumir uma determinada cidade como pano de fundo para sua nova história. E tanta produção assim, periódica e em um espaço de tempo tão pequeno, é algo que compromete a regularidade da qualidade que todo mundo espera de um gênio como Allen.

Depois de passar por Londres, Barcelona e Paris, Woody agora chega à quarta parada no continente europeu em Para Roma Com Amor (To Rome With Love, Espanha/EUA/Itália, 2012 – Paris Filmes). Com mais um elenco recheado de grandes e famosos atores – desta vez do cinema americano quanto do italiano – ele escreve e dirige um combinado de quatro tramas, todas tendo como pano de fundo as ruas e os pontos turísticos de sua nova “cidade cenográfica”. Como as histórias não se cruzam em nenhum momento, o filme parece uma grande entrelaçamento de quatro curtas-metragens com timing e personagens bem diferentes um do outro, o que não chega a empolgar tanto em determinados momentos ou mesmo é o que se esperava do último ganhador do Oscar de roteiro original.

Entretanto, mesmo um Woody Allen manco e distante de seus melhores e mais inspirados momentos ainda vale a pena e consegue ser melhor do que tantos outros espalhados por aí no universo da sétima arte. Ainda mais quando ele resolve voltar a atuar (depois de seis anos ficando somente por trás das câmeras) e pega para si o melhor de todos os papéis do filme. Na história que abre e fecha o novo longa, Woody interpreta Jerry, um experiente, ousado e “mal-entendido” diretor de óperas judeu que hoje curte seus dias de aposentadoria. Junto à mulher, a psicóloga Phyllis (Judy Davis), ele vai a Roma para conhecer os pais de seu genro italiano Michelangelo (Flavio Parenti) e logo vê no pai dele, o agente funerário Giancarlo (Fabio Armiliato, um dos mais celebrados tenores italianos da atualidade) uma grande chance de unir o útil ao agradável: voltar a assinar um espetáculo de vanguarda e, lógico, fazer mais um pouco de dinheiro. Nesta saga, ele protagoniza algumas das melhores tiradas e situações de seus filmes mais recentes – inclusive ao contornar o grande problema que impede Giancarlo de mostrar seu grande talento em público.

Em outra boa história, Allen desfila toda a sua habilidade criativa para satirizar o (sub)mundo das celebridades e todo o circo armado pela mídia ao redor dela. Leopoldo (Roberto Benigni, em atuação que, para a surpresa de muitos, não chega a comprometer o resultado final) é uma pacato cidadão comum que, inexplicavelmente e de uma hora para a outra, torna-se a bola da vez da imprensa e dos comentários a respeito de sua vida pessoal. Suas preferências no café da manhã, suas opiniões a respeito das coisas mais corriqueiras e até o modo de fazer a barba ao levantar passam a se tornar relevantes para um tanto de pessoas e o levam a experimentar o gosto da fama meteórica. Tudo isso torna-se um prato cheio para o diretor e roteirista soltar farpas pontiagudas para a sociedade contemporânea e ainda dar uma resolução à situação tão banal quanto tudo aquilo que passa a incomodar Leopoldo.

Aproveitando a ocasião de rodar um filme em Roma, Allen também arruma um jeito de homenagear um de seus grandes ídolos do cinema. Na terceira história, ele reproduz a premissa de um dos primeiros filmes de Federico Fellini, Abismo de um Sonho (1952), e faz um casal de semivirginais jovens do interior do país viver grandes aventuras sexuais assim que desembarcam na cidade cidade. Penelope Cruz, no papel da prostituta Anna, é o principal nome desta comédia de erros marcada por mais algumas agudas tiradas de Woody. Gargalhadas tornam-se inevitáveis quando Anna está no Vaticano e em uma festa com homens da altíssima sociedade italiana.

Por fim, tem a história com Ellen Page e Jesse Eisenberg, dois ótimos nomes da safra mais recente do circuito alternativo do cinema norte-americano. Apesar de bons atores em cena – a trinca ainda se completa com um Alec Baldwin transbordando cinismo em suas falas – a minitrama não decola. É mal-amarrada (afinal, o arquiteto John existe ou é somente uma projeção fantasiosa das mentes dos jovens Jack e Mônica), mal resolvida e ainda força a barra ao empurrar aos espectadores e “futuros turistas” a necessidade comercial de transformar certas localidades da capital italiana em cenário. Tudo isso sem falar na inexplicável “transformação” de Page, atriz de inegável qualidade e longe de ter os atributos físicos em ponto alto da carreira, em bombshell que “exala sexualidade por todos os poros” – termo que vem aqui entre aspas para reproduzir uma das falas da namorada do estudante interpretado por Eisenberg.

Artigos Relacionados:
Artigos Relacionados - Recentes:
Artigos Relacionados - Antigos:

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario
menor | maior

security code
Escreva os caracteres mostrados


busy

Novos Downloads

Wasabi EP (mb 93) Magaivers
Wasabi EP (mb 93)
Bunch Of Grapes (mb 92) Tangerines And Elephants
Bunch Of Grapes (mb 92)
Two Shots For The Lovers EP (mb 91) Lasttape
Two Shots For The Lovers EP (mb 91)

Videos Recentes

View Video
Across The Sky
View Video
Best Of Friends (2013)
View Video
I Could've Been Your Girl
View Video
Second Bite of The Apple
View Video
Petit Pavé
View Video
Our Frank
View Video
Direct Hit
View Video
Hangover