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Para Roma Com Amor
Escrito por Abonico Dom, 15 de Julho de 2012 00:17
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Woody Allen chega à capital italiana para contar quatro pequenas histórias com resultado irregular
Texto por Abonico R. Smith
Fotos: Paris Filmes/Divulgação
Woody Allen completará 77 anos de idade no final deste ano. Muito ele já fez para o mundo das comédias e do cinema. Mesmo assim, continua trabalhando compulsivamente. Todo ano, de maneira pontual, ele entrega a nós um novo filme, nem que para isso ele passe a assumir as intenções comerciais de sair de sua amada Nova York para assumir uma determinada cidade como pano de fundo para sua nova história. E tanta produção assim, periódica e em um espaço de tempo tão pequeno, é algo que compromete a regularidade da qualidade que todo mundo espera de um gênio como Allen.
Depois de passar por Londres, Barcelona e Paris, Woody agora chega à quarta parada no continente europeu em Para Roma Com Amor (To Rome With Love, Espanha/EUA/Itália, 2012 – Paris Filmes). Com mais um elenco recheado de grandes e famosos atores – desta vez do cinema americano quanto do italiano – ele escreve e dirige um combinado de quatro tramas, todas tendo como pano de fundo as ruas e os pontos turísticos de sua nova “cidade cenográfica”. Como as histórias não se cruzam em nenhum momento, o filme parece uma grande entrelaçamento de quatro curtas-metragens com timing e personagens bem diferentes um do outro, o que não chega a empolgar tanto em determinados momentos ou mesmo é o que se esperava do último ganhador do Oscar de roteiro original.
Entretanto, mesmo um Woody Allen manco e distante de seus melhores e mais inspirados momentos ainda vale a pena e consegue ser melhor do que tantos outros espalhados por aí no universo da sétima arte. Ainda mais quando ele resolve voltar a atuar (depois de seis anos ficando somente por trás das câmeras) e pega para si o melhor de todos os papéis do filme. Na história que abre e fecha o novo longa, Woody interpreta Jerry, um experiente, ousado e “mal-entendido” diretor de óperas judeu que hoje curte seus dias de aposentadoria. Junto à mulher, a psicóloga Phyllis (Judy Davis), ele vai a Roma para conhecer os pais de seu genro italiano Michelangelo (Flavio Parenti) e logo vê no pai dele, o agente funerário Giancarlo (Fabio Armiliato, um dos mais celebrados tenores italianos da atualidade) uma grande chance de unir o útil ao agradável: voltar a assinar um espetáculo de vanguarda e, lógico, fazer mais um pouco de dinheiro. Nesta saga, ele protagoniza algumas das melhores tiradas e situações de seus filmes mais recentes – inclusive ao contornar o grande problema que impede Giancarlo de mostrar seu grande talento em público.
Em outra boa história, Allen desfila toda a sua habilidade criativa para satirizar o (sub)mundo das celebridades e todo o circo armado pela mídia ao redor dela. Leopoldo (Roberto Benigni, em atuação que, para a surpresa de muitos, não chega a comprometer o resultado final) é uma pacato cidadão comum que, inexplicavelmente e de uma hora para a outra, torna-se a bola da vez da imprensa e dos comentários a respeito de sua vida pessoal. Suas preferências no café da manhã, suas opiniões a respeito das coisas mais corriqueiras e até o modo de fazer a barba ao levantar passam a se tornar relevantes para um tanto de pessoas e o levam a experimentar o gosto da fama meteórica. Tudo isso torna-se um prato cheio para o diretor e roteirista soltar farpas pontiagudas para a sociedade contemporânea e ainda dar uma resolução à situação tão banal quanto tudo aquilo que passa a incomodar Leopoldo.
Aproveitando a ocasião de rodar um filme em Roma, Allen também arruma um jeito de homenagear um de seus grandes ídolos do cinema. Na terceira história, ele reproduz a premissa de um dos primeiros filmes de Federico Fellini, Abismo de um Sonho (1952), e faz um casal de semivirginais jovens do interior do país viver grandes aventuras sexuais assim que desembarcam na cidade cidade. Penelope Cruz, no papel da prostituta Anna, é o principal nome desta comédia de erros marcada por mais algumas agudas tiradas de Woody. Gargalhadas tornam-se inevitáveis quando Anna está no Vaticano e em uma festa com homens da altíssima sociedade italiana.
Por fim, tem a história com Ellen Page e Jesse Eisenberg, dois ótimos nomes da safra mais recente do circuito alternativo do cinema norte-americano. Apesar de bons atores em cena – a trinca ainda se completa com um Alec Baldwin transbordando cinismo em suas falas – a minitrama não decola. É mal-amarrada (afinal, o arquiteto John existe ou é somente uma projeção fantasiosa das mentes dos jovens Jack e Mônica), mal resolvida e ainda força a barra ao empurrar aos espectadores e “futuros turistas” a necessidade comercial de transformar certas localidades da capital italiana em cenário. Tudo isso sem falar na inexplicável “transformação” de Page, atriz de inegável qualidade e longe de ter os atributos físicos em ponto alto da carreira, em bombshell que “exala sexualidade por todos os poros” – termo que vem aqui entre aspas para reproduzir uma das falas da namorada do estudante interpretado por Eisenberg.
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