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Sherlock Holmes

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Detetive inglês volta às telas com muita ação, tiros, explosões e humor corrosivo

 

Downey Jr e Law: dupla dinâmicaTextos de Abonico R. Smith e Marden Machado

Fotos de Warner Bros/Divulgação

 

Ele domina as artes marciais, controla os fundamentos do boxe, pratica o atonalismo no violino, veste-se como dândi, fuma charuto, deixa vários dias a barba por fazer, tem transtorno de bipolaridade e, sobretudo, a língua afiadíssima, capaz de diminuir qualquer adversário com respostas bate-pronto corrosivas e sarcásticas ao extremo. Agora passa a ser o mais novo integrante das franquias cinematográficas de heróis dos quadrinhos e da literatura.

 

Este é Sherlock Holmes, o inglês eternizado nas histórias escritas pelo médico escocês Arthur Conan Doyle. Ou melhor, este é novo Sherlock Holmes, agora levado às telas pelo atrevido diretor Guy Ritchie, que vasculhou – e encontrou – novas qualidades para somar à astúcia, ousadia, sabedoria (Química, Física, Matemática, História, Geografia, Filosofia, Religião, idiomas) e exímia capacidade de observação em segundos do detetive. Tudo, claro, atuando paralelamente à Scotland Yard para solucionar os mais cabeludos casos que aterrorizam a cidade de Londres no final do século 19. Sem o clima noir de antes e com muita, muita ação. E, óbvio, os tiros e explosões que não podem faltar em um filme com a assinatura de Ritchie

 

Em sua nova encarnação – a cargo de um brilhante (e baixinho) Robert Downey Jr, que vive um novo apogeu profissional depois de vencer a luta contra as drogas – Sherlock também conta com a ajuda de um novo John Watson. Médico como seu criador, o “Doutor” também chega modificado. Vivido por um não menos afiado Jude Law, ele supera o papel de coadjuvante e também desfruta seus dias de protagonista. Sem o amigo, Holmes não seria nada e sua vida correria muito mais riscos. Estão definitivamente superados os dias de inferioridade, no qual vivia o papel de “escada” e escriba maravilhado das aventuras do mestre. Para chegar em Hollywood e tomar conta do público acostumado com blockbusters, os dois tiveram de formar uma dupla realmente dinâmica e entrosada. E tanto Sherlock não prescinde de Watson, que teima em sabotar várias vezes o noivado do companheiro de aventuras – o que ainda imprime à história de Holmes uma forte atmosfera gay, outra novidade no universo criado por Doyle.

 

Para trazer o investigador aos cinemas do Século 21, a equipe de roteiristas pouco utiliza dos elementos e personagens clássicos dos contos e romances. Esta aventura inicial do novo Holmes não tem o professor Moriarty como seu grande inimigo. Às voltas com uma suspeita Irene Adler (Rachel McAdams), um de seus amores literários e agora transformada em anti-heroína, ele precisa desvendar o grande mistério de Lorde Blackwood.

 

O objetivo de Blackwood é espalhar o caos e o terror através de uma intrincada trama sobrenatural que envolve rituais de magia negra, seita secreta, mortes em série, corrupção no Parlamento e, claro, o desejo de governar o mundo (vilão que é vilão nunca abre mão disto!). Obedecendo a uma série de atos em cadeia, que começam antes mesmo de sua execução por enforcamento e o consequente retorno do mundo dos mortos, ele consegue seu objetivo e ainda coloca o Inspetor Lestrade e toda Scotland Yard contra Holmes. De investigador extra-oficial, Sherlock se transforma em fora-da-lei. Para dar o molho ao temido antagonista, Ritchie recorreu a um velho conhecido: chamou Mark Strong, quem dirigira em dois longas anteriores (Revólver e RocknRolla – A Grande Roubada). Experiente ator de teatro e televisão no Reino Unido, Strong é o grande trunfo “desconhecido” do filme. Domina o pouco espaço que é dado ao seu personagem com uma interpretação magistral característica de quem costuma se opor ao herói da história.

 

Como este filme nem disfarça as deixas e uma segunda história já em ebulição, resta especular sobre o vilão do próximo longa e se Ritchie permanecerá com o comando por trás das câmeras. Como em toda boa franquia de herói cinematográfica. (ARS)

 

Na literatura

Existem poucos dados sobre a vida do famoso detetive inglês William Sherlock Scott Holmes. Ele nasceu em Londres, por volta de 1845, e desde cedo demonstrou um incrível talento para a dedução lógica. Quando tinha pouco mais de dez anos o pequeno Sherlock descobriu que seu pai traía sua mãe com uma corista. O senhor Holmes deixou de falar com ele e o mandou para um colégio interno. Seu irmão mais velho, Mycroft, passou a ser seu único elo familiar.

 

Era o melhor aluno do colégio, porém, desenvolveu um método estranho de estudo, que chamava de “aprendizado seletivo”. Costumava dizer: “para que perder tempo estudando coisas que nunca precisarei usar?”. Tinha um prazer especial em estudar Química, Matemática, idiomas, Biologia, História e Geografia. Foi nesse período que ele conheceu o jovem John Watson, que veio transferido do interior para estudar em Londres e se formar em medicina.

 

Dois professores, Rathe e Waxflatter, tiveram uma grande influência em sua vida. O primeiro lhe ensinou a disciplinar o próprio corpo através da esgrima e do controle das emoções; o segundo abriu sua mente para o fantástico mundo das pesquisas científicas.

 

Foi no laboratório de Waxflatter que Holmes conheceu o primeiro e maior amor de sua vida: Elizabeth, sobrinha do professor, que veio a morrer tragicamente meses depois por culpa de Rathe, um egípcio criado na Inglaterra que sonhava em recriar o reinado de terror do deus Rame Tab. Holmes frustrou seus planos e quase foi morto por isso. A bala que deveria matá-lo acertou Elizabeth.

 

Após a morte da amada, Holmes foi morar com o irmão mais velho e tornou-se autodidata, iniciando poucos anos depois sua carreira de detetive. Seu amigo Watson formou-se em Medicina e foi lutar na África, voltando logo para Londres como herói de guerra. Os dois se reencontram e passaram a dividir um apartamento na Baker Street, número 221-B.

 

Watson, que sempre fora fascinado pelo talento dedutivo de Holmes, decide relatar as aventuras do amigo em forma de romance policial e publicá-las no jornal local. Isso traz mais fama ainda para Sherlock que em pouco tempo torna-se o detetive mais requisitado não só na Europa, mas também em outras partes do mundo, como o Brasil, por exemplo, aonde veio no ano de 1886 para solucionar o misterioso desaparecimento do violino Stradivarius que pertencia ao imperador brasileiro Dom Pedro II.

 

Como já foi mencionado, Holmes adorava estudar línguas e aprendeu a falar o português durante uma breve estada em Macau, na China. No período em que ficou no Brasil, apaixonou-se por nossa feijoada e adorava beber uma caipirinha. Foi também em terras brasileiras que ele conheceu Ana Candelária, sua segunda grande paixão, com quem quase perdeu a virgindade.

 

Sherlock Holmes precisava manter sua mente sempre em atividade. Quando isso não acontecia, entrava em depressão, começava a tocar pessimamente seu violino e recorria ao uso de drogas. Watson tentou por inúmeras vezes livrar o amigo do vício do ópio, sempre sem sucesso.

 

Durante um trabalho na Áustria, Holmes conheceu um médico que vinha desenvolvendo teorias que apontavam o sexo e a figura materna como causa de praticamente todos os problemas do homem. Dr. Sigmund Freud, através de hipnose, conseguiu curar o remorso de Holmes por ter magoado a mãe ao revelar a traição do pai e o libertou do vício. No entanto, não foi capaz de fazê-lo parar de tocar seu violino desafinadamente.

 

Watson documentou exatas 58 aventuras do detetive. As melhores envolviam o famigerado rei do crime londrino, o professor Moriarty, inimigo número um de Holmes e tão inteligente quanto ele. O que Holmes nunca descobrira é que Moriarty era na verdade a nova identidade de seu antigo professor Rathe.

 

Holmes teve ainda um terceiro amor, Irene Adler, que conhecera durante a solução de um escândalo na Boêmia. Na realidade, foi mais um amor não concretizado e durante muito tempo ele se referia a Irene como “a mulher”.

 

Até prova em contrário, Sherlock Holmes morreu virgem na primeira década do Século 20. Seu legado, imortalizado pela pena de Watson, serviu de inspiração para os grandes detetives que surgiram depois dele: Hercule Poirot, Miss Marple, George Simenon e, principalmente, Bruce Wayne (que costuma vestir uma sombria roupa de morcego).

 

Hoje, passados mais de cem anos, sua figura esguia, vestida sempre com um sobretudo e um chapéu meio ridículo, de cachimbo na boca e lupa na mão, continua viva em nosso imaginário. Virou até substantivo e adjetivo. Nada mais elementar, meu caro! (MM)


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