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Guerra ao Terror

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Inferno de soldados americanos no Iraque dispensa ufanismos em cenas de realismo e tensão

 

Jeremy Renner é o frio sargento JamesTexto por Jean Garnier

Fotos de Imagem/Divulgação

 

Através daquilo que se pode chamar do que sobrou de uma parte da cidade de Bagdá, caminha o Sargento Matt Thompson (Guy Pearce) em direção a uma bomba, vestindo uma armadura que cobre completamente o seu corpo e cujo objetivo é protegê-lo de quaisquer estilhaços ou explosões. O robozinho que faria o serviço já tinha ficando em um obstáculo e o sol forte faz a tensão aumentar. Além de seus companheiros, ele é observado por alguns moradores e surge a dúvida: serão eles potenciais rebeldes disfarçados ou apenas telespectadores de toda aquela tragédia? Só que algo inesperado acontece e... BOOM! Thompson é arremessado para longe e não retorna a consciência.

 

Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2009 – Imagem Filmes), que desde o ano passado figura nas prateleiras das locadoras do nosso país, passa-se durante alguns dias da invasão norte-americana ao Iraque. Um esquadrão do exército tem como missão desarmar artefatos nas ruas escaldantes da capital. Toda a trama gira em torno do heroísmo dos homens em lidar com explosivos letais, seja no meio de entulhos, seja nas pilhas de lixo. Não há muito tempo para sentimentalismos, dos soldados pouco conhecemos e o que sabemos é sobre as suas rotinas recheadas de perigo, paranóia e o caos crescente.

 

Como o show não pode parar e as ogivas idem, o destemido e frio Sargento William James (Jeremy Renner) se junta ao grupo e assume a posição. James é o cara perfeito para o serviço: é atraído pelo perigo, assume que ama o que faz (ao ponto de ter uma contagem de quantas já desarmou), não gosta de robôs e seus controles remotos (prefere lidar com as bombas pessoalmente) e tampouco se preocupa com honrarias, já que aquilo tudo é o seu maior prêmio.

 

O longa começa com uma frase do jornalista Chris Hedges do The New York Times: “A guerra é uma droga”. Se realmente for, o protagonista é um declarado viciado, daqueles que jamais sossega e certamente lamentaria ao ver o fim do seu prazer. Ele “segue” ordens do chefe da equipe, JT Saborn (Anthony Mackie), um profissional responsável que quer fazer o seu serviço de uma maneira o menos complicada possível.

 

O jornalista Mark Boal passou em 2004 um tempo incorporado a um esquadrão antibombas no Iraque e escreveu o roteiro de maneira convincente e atrativo. A diretora Kathryn Bigelow conseguiu captar todo o realismo com imagens fantásticas e tensão, fazendo o espectador se sentir na linha de frente daquele misterioso inferno – onde qualquer homem, por mais que possa ser acompanhado por sua tropa, sente-se sozinho no meio de um emaranhado de fios onde um pequeno erro pode ser fatal.

 

Bigelow já havia retratado tamanha adrenalina em produções como Caçadores de Emoção e K-19: The Widowmaker. Só que agora ela não precisou abusar das frenéticas correrias, perseguições e balas para mostrar todo esse suspense e, em nenhum momento deixa a sensação de ter criado uma obra ufanista. Resultado: seu filme recebeu nove indicações ao Oscar, e agora ao invés de iraquianos, luta contra o favorito, milionário e recordista mundial Avatar, encabeçado pelo seu ex-marido e também diretor James Cameron.


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