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O Curioso Caso de Benjamin Button
Escrito por Abonico Qua, 18 de Fevereiro de 2009 02:37
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Brad Pitt e o diretor David Fincher voltam a unir forças em tocante história sobre a passagem do tempo
Texto de Karen Tortato
Fotos de Warner Bros/Divulgação
“A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos
Um fato real – o furacão Katrina, que destrói parte de New Orleans – dá início aos trabalhos de um dos mais curiosos filmes adaptados de Hollywood. O Curioso Caso de Benjamin Button aperfeiçoa a parceria do diretor David Fincher com Brad Pitt (com quem já trabalhara em Se7en – Os Sete Pecados Capitais e Clube da Luta) neste longa sensacional e muito diferente de tudo que já vimos nas grandes telas. Acredito que esta é a história que a vida toda sempre quisemos ver no cinema, sempre imagimos isso no nosso subconcsciente que passa a vida tentando enganar a velhice e a morte. E quando nos deparamos com cenas surreais da morte ao contrário temos, no mínimo, uma experiência única que faz refletir sobre a nossa própria trajetória.
Um relógio que anda ao contrário faz uma analogia do sentimento de perder alguém amado, da possibilidade de poder retardar o tempo ou simplesmente começá-lo de trás para frente para que ações como estas não obstruam os momentos mais importantes da vida. Assim era o desejo de um relojoeiro na década de 20. Após perder o filho na Primeira Guerra, ele passa horas de sua vida construindo o Grande Relógio que volta o tempo. Isso se insere perfeitamente bem na narrativa de perda, de destruição da vida pela morte. Isso faz a analogia perfeita para dar o início à história, pois o pai que perdeu o filho quis voltar o tempo para trazê-lo de volta e em dado momento, em outra circunstância, outro pai rejeita o filho, entregando-o à própria sorte. Sorte essa que traz a maravilhosaTaraji P. Hanson (que concorre ao Oscar de atriz coadjuvante e é um dos destaques do longa).
O conto escrito pelo norte americano F. Scott Fitzgerald conta a história de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que nasce com cerca de 80 anos de idade, com problemas de saúde, ossos fracos e pele enrugada. É quase um monstrinho rejeitado pelo pai, porém com idade mental de uma criança normal. Ele vai rejuvenescendo ao longo dos anos, fisicamente. Em contraponto, mantém sua maturidade evolutiva normal. Assim, ao mesmo tempo em ue as pessoas ao seu redor continuam os seus ciclos de vida, Button vai se deparando com uma estranha infãncia-velhice da qual mal consegue entender os porquês. Acaba por comover e desviar a atenção tanto para o trabalho de maquilagem quanto à atuação de Pitt, que torna-se absolutamente natural dentro do contexto e caminha de forma tranquila e perena apesar das mudanças notoriamente drásticas na sua postura e personalidade.
Final da Guerra. Beatles explodindo na passagem do tempo. O ataque à Pearl Harbor em uma cena fantástica de cores e luzes que nos levam para momentos históricos, enquanto Benjamin se descobre herdeiro de um segredo pesaroso de sua origem e família. É um homem-menino. Não sabe nada da vida, apesar da casca madura que vai eclodindo.
Daisy (Cate Blanchett) – em cenas pueris no auge da juventude como bailarina (em primorosa fotografia do talentoso Claudio Miranda) – cresce e amadurece aos olhos de Pitt em uma metáfora do amor impossível. A bela trajetória da paixão se transforma ironicamente em saga narrada pela personagem de Blanchett para a filha Caroline (Julia Osmond) de forma comovente e bem parecida com a forma de narrativa de Forest Gump ou, quem diria, até Titanic e O Diário de uma Paixão. Nestes todos, personagens velhos, à beira do leito de morte, contam suas histórias para um ente querido ou um coadjuvante importante.
O Curioso Caso de Benjamin Button – indicado a 13 Oscars neste ano – é uma discussão e uma passagem pelas décadas, evolução de vida. Também é, decididamente, um entretenimento curioso e fácil de se assistir nas quase três horas dentro do cinema. Não derramar uma gotinha que seja de lágrima frente a esta narrativa emocionante é não saber questionar nossas próprias passagens de tempo e encontros da vida.
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