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Dupla francesa de sucesso desnuda os confusos bastidores de uma luxuosa festa de casamento

O cerimonialista Max (Bacri) tenta dar instruções a seus comandados na cozinha do casteloTexto por Abonico R. Smith

Foto: Paris Filmes/Divulgação

Os diretores e roteiristas Eric Toledano e Olivier Nakache se transformaram em uma dupla imbatível no cinema gaulês desta década. Em 2011, souberam rimar qualidade com popularidade em Os Intocáveis e chegaram a provocar burburinho no mercado norte-americano e ter o filme transformado em peça no Brasil e em remake na Argentina. Três anos depois, Samba não repetiu o mesmo furor mas foi o suficiente para manter o nome da dupla em evidência. Agora, os parceiros apresentam seu mais novo rebento, Assim é a Vida (Le Sens de la Fête, França/Canadá/Bélgiva, 2017 – Paris Filmes), seguindo na mesma linha da tragicomédia armada em cima de situações mais do que banais do cotidiano e personagens extraídos do arquétipo da sociedade francesa contemporânea mas com atitudes e filosofias de vida que acabam encontrando eco na universalidade.

Desta vez sem contar com a atuação de Omar Sy, Toledano e Nakache acertam em cheio ao apostar na força do conjunto. Apesar da história inteira girar em torno de um protagonista – o veterano cerimonialista Max Angély (Jean-Pierre Bacri) – a força de todo o elenco chama para si a responsabilidade, dando a diversos coadjuvantes a oportunidade de brilhar em momentos especiais da história que passa toda “em tempo real”, no decorrer de quase 24 horas.

Naquele fim de semana Max responde pela organização de uma festa de casamento em um castelo do século XVII. Ele possui uma pequena empresa que contrata legalmente a maioria de seus funcionários mas que, por causa de questões da economia e da burocracia do país (lógico que não poderiam faltar pinceladas de pequenas críticas sociopolíticas em se tratado de um filme francês), muitas vezes precisa apelar para a improvisação e chamar de última hora de pessoas não registradas e, consequentemente, sem muita habilidade ou conhecimento de suas funções. O que seus leais subordinados não sabem, porém, é o patrão já está bem cansado de tudo isso e esta talvez seja uma de suas últimas empreitadas no ramo.

Só que todo este desgaste físico, emocional e profissional do protagonista é deixado em segundo plano no roteiro escrito a quatro mãos pelos diretores. O que interessa aqui – e por isso o título original (a frase, no original, significa “O sentido da festa”) faz muito mais sentido do que o nome decidido para o lançamento no Brasil, que, por sua vez, é a tradução literal da expressão francofônica C’Est La Vie!, que batiza o filme nos mercados espanhol, britânico, sueco, israelense e norte-americano. O que importa aqui é mostrar todas as dificuldades encontradas para se orquestrar uma equipe para estar afiada e fazer com que tudo aconteça da forma planejada quando a festa tiver início de fato e possa estar preparada para o que pode vir a dar errado.

Garçons, integrantes da cozinha, recepcionista, animador musical, fotógrafo e, claro, mais o chefe de todos eles passam toda a primeira hora, preliminar à festa, mostrado ao espectador suas diferenças entre si, personalidades obtusas e peculiaridades que levam à deliciosa metade final, quando a sempre poderosa Lei de Murphy – aquela que diz que tudo o que pode dar errado dará – entra em cena para afastar todo o planejamento prévio de Max para um casal de noivos que também não são lá muito afeitos a normalidades. Enquanto isso, uma trilha sonora de primeira corre solta, conseguindo até mesmo encaixar a bossa nova brasileira e a música indiana na mesma festança em que são ouvidos clássicos das pistas de dança do áureo período entre 1976 e 1982, como o funk do Earth, Wind & Fire (“In The Stone”) a disco de Candi Staton (“Young Hearts Run Free”) e a hi-NRG do Boys Town Gang (a sempre deliciosa cover de “Can’t Take My Eyes Off Of You”.

E por mais que o objetivo principal de Toledano e Nakache seja o do entretenimento, eles ainda são capazes de estender o requinte dos ouvidos aos olhos do espectador, com figurinos e cinematografia de primeira – vale a pena ressaltar, aliás, que muitas das cenas foram rodadas na área externa do histórico e suntuoso castelo medieval Fontainebleau, que serviu de moradia para diversos monarcas franceses, entre eles Luis XIV, Maria Antonieta e Napoleão. E o elenco, se não tem Omar Sy,ainda é recheado de atores em momentis inspiradíssimos, como Gilles Lelouche (na pele do impagável e canastríssimo cantor/entertainer James) Eye Haïdara (a gerente de operações Adèle, capaz de quase chegar às vias de fato com seu “antagonista” James), Kevin Azaïs (Patrice, o garçom recrutado de última hora e sem qualquer experiência o ramo, que na verdade está fazendo um bico fora do quartel onde trabalha como miltar), Jean-Paul Rouve (o fotógrafo Guy, que acabou sendo ultrapassado pelo tempo) e Suzanne Clément (Josiane, a namorada “secreta” de Max, que cuida da recepção aos convidados mas acaba se divertindo tanto quanto eles naquela noite).


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