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Epopeia de erros faz você torcer por ladrão que rouba obras de arte para não ir à bancarrota

Roger (Hennie) em momento atrapalhadoTexto por Flavio St. Jayme (Blog Pausa Dramática)

Foto: Vinny Filmes/Divulgação

Às vezes parece que os personagens de filmes não assistem a filmes. Toda vez que alguém tem um plano infalível o que acontece? Invariavelmente ele falha, e as consequências acabam não sendo nada boas.

Que o diga Roger Brown (Aksel Hennie). O sujeito arrumou uma ótima forma de compensar a baixa estatura: precisa de dinheiro, um carro de luxo, uma casa enorme e uma mulher estonteante; afinal, ele é somente 1,68m de altura. E ele tem tudo isso, mas seus recursos estão se tornando escassos. Seu emprego de headhunter em uma grande empresa sueca não lhe permite estes luxos e Roger está com a prestação da casa atrasada. Sem que sua mulher saiba, o cara está indo à bancarrota e precisa encontrar uma solução. E ela vem fácil. Diana, a esposa (Synnove Macody Lund, bem mais alta e mais bonita que ele), é marchand e está em vias de inaugurar sua própria galeria de arte. A solução que Roger encontra é justamente roubar obras de arte.

Até que consiga saldar suas dívidas e manter seu padrão de vida, o protagonista age em alguns roubos menores em parceria com um funcionário de uma empresa de segurança. Mas a grande oportunidade surge quando um estrangeiro, Clas Greve (Nikolaj Coster-Waldau, de Game Of Thrones) oferece um quadro milionário à sua esposa, que estava escondido desde a Segunda Guerra Mundial. Aquele quadro vai resolver todos os problemas de Roger e será seu último roubo num plano perfeito.

Como uma bola de neve macabra, cada ação de Roger após este roubo vai desencadear reação ainda pior até que a situação se torne insuportável e “inconsertável”. A agonia (dele e do espectador) entra num crescendo de erros a ponto de, ao final, você se pegar na ponta da cadeira contorcendo as mãos e torcendo pra que ele, ainda que não se consiga imaginar como, contorne tudo e consiga resolver sua vida.

Mesmo sendo um ladrão confesso e em muitos momentos um cafajeste, do lado de cá você acaba por torcer pelo protagonista. Em sua epopeia de erros, Roger vai se meter em situações nojentas, engraçadas e sempre agoniantes. Sempre. Fica-se com a impressão que cada passo que ele dá o afunda mais e mais numa areia movediça. Do primeiro “erro”, uma recaída sentimental que desencadeia uma descoberta, o efeito dominó vai em frente e não se tem ideia de como o filme irá acabar até a última cena.

Dos mesmos produtores da trilogia Millennium, o filme germânico-escandinavo HeadHunters (Hodejegerne, Noruega/Alemanha, 2011 – Vinny Filmes) é uma grata surpresa. Dirigido por Morten Tylum, por vezes é mais corajoso que os filmes americanos ou ingleses do gênero. Tem humor na medida certa e ótimos atores em um roteiro excelente.

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