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Sete Dias Com Marilyn

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Michelle Williams e Kenneth Brannagh brilham com suas interpretações de mitos do cinema

A cena da clássica foto na banheiraTextos por Flavio St Jayme (Blog Pausa Dramática) e Jean Garnier

Foto: Paris Filmes/Divulgação

Michelle Williams acabou se tornando conhecida como a “viúva de Heath Ledger”. Sua presença nos filmes nunca foi muito marcante, apesar de ter sido indicada ao Oscar três vezes. Causou estranheza a escolha de seu nome, portanto, para interpretar Marilyn Monroe, diva eterna do cinema, símbolo sexual e de sedução. É bem verdade que a própria Marilyn não era lá grande coisa como atriz, mas além de tudo a semelhança física não era grande e Michelle Williams parecia não conseguir suportar o peso de uma diva como essa.

No entanto, quando ela aparece pela primeira vez como Marilyn Monroe em Sete Dias Com Marilyn (My Week With Marilyn, Reino Unido/EUA, 2011 – Paris Filmes) fica claro seu brilho e competência. Sua personagem ilumina a tela da mesma forma que a diva ali representada fazia. Como diz um dos personagens, “quando ela está na tela não conseguimos olhar pra mais ninguém”. E é isso que Williams consegue. Com filmes pesados como Namorados Para Sempre e O Segredo de Brokeback Mountain no currículo (suas duas outras indicações ao Oscar, aliás), ela consegue aqui trazer a leveza e inocência necessárias à pessoa de uma mulher que apesar de sex symbol era frágil, insegura e carente. Sua interpretação mostra todos esses lados, fazendo-nos ver a mulher real, humana e levemente perturbada por trás do mito.

Da mesma forma, quando Kenneth Brannagh surge como Sir Lawrence Olivier em cena, ficamos petrificados pelo poder e presença do personagem. Ator extremamente competente que vai com desenvoltura sobrenatural de Shakespeare a bobagens como As Loucas Aventuras de James West, Brannagh possui cinco indicações ao Oscar, três delas por adaptações de Henrique V e Hamlet (ambos adaptados do bardo inglês e o segundo uma verdadeira obra-prima). Por Sete Dias Com Marilyn levou sua quinta indicação, mais do que merecida. Por mais que o protagonista real do filme seja Colin Clark (o fraco Eddie Redmayne), o filme é de Williams e Brannagh (talvez mais merecedores das estatuetas que Meryl Streep e Christopher Plummer).

A história real conta a semana que o depois autor do livro, Colin Clark, passa auxiliando na produção do filme O Príncipe Encantado, anterior ao sucesso Quanto Mais Quente Melhor. Como qualquer ser humano que se preze e apesar de muito avisado, Colin se apaixona por aquele mito subitamente tão próximo de si e acaba se transformando, inocentemente, no boneco de Marilyn Monroe. Vale salientar que o diretor Simon Curtis tomou o cuidado de reproduzir durante o filme cenas de fotografias conhecidas mundialmente de Marilyn, como sua pose na banheira ou sua entrada nua no rio.

Com elenco completado por nomes nomes como Emma Watson (em seu primeiro papel pós-Harry Potter), Julia Ormond (como Vivien Leigh) e Dominc Cooper (como um ciumento produtor), Sete Dias Com Marilyn possui leveza e brilho próprios. É um filme fácil e gostoso de se assistir repetidas vezes. E na íntegra. (FSJ)

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Norma Jeane Mortenson nasceu na cidade de Los Angeles em 1926, não conheceu o pai biológico, passou parte da infância em orfanato e se casou com 21 anos. Alguns anos depois ela se tornou em uma mais famosos símbolos de sensualidade e popularidade com o seu nome artístico, Marilyn Monroe. Em Sete Dias Com Marilyn (My Week With Marilyn, Reino Unido/EUA, 2011 – Paris Filmes) acompanhamos por um outro olhar o que muita gente na época queria: ficar perto dela, tamanha era a devoção.

O filme gira em torno da visão sobre uma semana conturbada de Colin Clark (Eddie Redmayne), um jovem inglês de 23 anos, aspirante a cineasta e que trabalha como assistente na produção de O Príncipe Encantado (The Prince And The Showgirl, 1957) dirigido e estrelado por Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh) e, é claro, Marilyn (Michelle Williams).

A diva está no seu terceiro casamento, agora com o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott), e exala carisma ao ponto de ter o mundo aos seus pés. Ela é tudo em relação à popularidade mas quer ser reconhecida como uma grande atriz. Já Olivier é o contrário. Considerado um dos maiores do seu tempo, quer o brilho que a loira possui em demasia. Aí começa um conflito por parte do ansioso Laurence, que fica esperando o ponto para agir enquanto observa os passos da adorável e por vezes tola Marilyn, e a atriz.

Miller vai para Paris e deixa Marilyn na Inglaterra para as filmagens. Durante um hiato na produção, Monroe pede que Colin passe uma semana com ela e, aos poucos, Laurence começa a deixar de lado todo aquele encantamento que tinha pela colega. Ela continua linda e se mostra bastante inteligente, vulnerável e por vezes até infeliz. Mas também personifica exatamente o tipo de pessoa que vive em um mundo só dela – o que significa que, para frequentá-lo, o preço será bem custoso. Isso se traduz nas indisciplinas que ela comete ao não decorar falas, não cumprir horários e deixar personalidades – incluindo Olivier – esperando simplesmente porque todos sabiam e diziam ser ela o máximo. Lógico, Colin não consegue deixar de gostar de Marilyn e, mesmo um pouco desconfiado, vive naquele mundo de fantasias.

Baseado nos livros The Prince, The Showgirl And Me e My Week With Marilyn, do próprio Colin Clark, o filme agrada mesmo não tendo nada revelador. Correndo o risco de ser uma caricatura, Michelle Williams torna Marilyn viva, seja na doçura, no apelo sexual ou mesmo em momentos de estrelismo. Enquanto isso, Kenneth Branagh é o Olivier já cinquentão, vaidoso, calculista, tentando entender os encantos de um mito que o mundo jamais esqueceria. (JG)