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Cinema :: Control

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Anton Corbijn estréia em longas com um retrato poético sobre os impulsos e paixões de Ian Curtis.

Amor nada perdido

DivulgaçãoPor muito tempo ficou uma pergunta no ar: quando irão fazer um filme decente sobre o grande ícone do movimento pós-punk? Foi preciso esperar até 2007, mas valeu a pena. Dirigido pelo renomado fotógrafo/diretor Anton Corbijn, Control é um retrato poético da carreira meteórica do Joy Division e de seu ex-líder Ian Curtis. Alexandre Bezzi conta como a estréia de Corbijn em longas consegue encantar, da fotografia à excelente atuação do protagonista Sam Riley, passando pela trilha com Killers e pelo retrato de um jovem impuslivo e apaixonado.

Longa conta a história de Ian pelos olhos da viúva Deborah Curtis.

O amor vai nos separar, assim dizia o jovem Ian Curtis quando compôs a canção existencialista sobre a tristeza de amar. Impressionante como suas letras se mantêm atuais após mais de duas décadas de seu suicídio aos 23 anos [no dia 18 de maio de 1980]. Por muito tempo ficou uma pergunta no ar: quando irão fazer um filme decente sobre esse ícone do movimento pós-punk? Foi preciso esperar até 2007, mas valeu a pena.

Comandado pelo renomado fotógrafo Anton Corbijn, estreante em longas cinematográficos, Control (EUA/Grã-Bretanha/Japão/Austrália, 2007) – exibiio em outubro na Mostra Internacional de São Paulo – é um retrato poético da carreira meteórica do Joy Division e de seu ex-líder Ian Curtis. O filme explora o lado pessoal do personagem dando ênfase aos seus conflitos internos. Ian Curtis é mostrado não como uma estrela do rock e sim como um ser-humano impulsivo e apaixonado.

Inspirado no livro Touching From a Distance, escrito pela viúva Deborah Curtis (vivida pela premiada atriz Samantha Morton), Control mostra em detalhes a vida particular do músico. No início como um adolescente entediado fã de David Bowie à transformação em mártir do rock da década de 80. Ian sofria de epilepsia, teve um caso com a repórter belga Annik Honoré (Alexandra Maria Lara) seguido de um conturbado divórcio que podem ter levado às causas de seu suicídio.

Antes de entrar em circuito comercial, Control teve recepção positiva nas mostras de cinema. Foi premiado com a Câmera de Ouro no festival de Cannes e Sam Riley (ótimo, no papel principal) ganhou o prêmio de melhor ator no festival internacional de Edimburgo. Riley havia participado em uma ponta do icônico A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People, ainda inédito em DVD no Brasil), que, coincidentemente, tratava sobre a Factory Records, gravadora fundada por Tony Wilson e que tinha em seu elenco o Joy Division. Sam se dedicava à desconhecida banda de rock 10.000 Things e trabalhava em uma loja de roupas quando soube dos testes para o papel principal. Foi um lampejo de sorte para o novato ator, que caiu como uma luva no papel do perturbado vocalista.

A filmagem em preto e branco reforça a beleza da fotografia de Anton Corbijn. Também são de sua autoria fotos famosas da banda no final da década de 70. E mais tarde, ele viria a trabalhar – fotografando e dirigindo videoclipes – com nomes de peso como Depeche Mode, U2, Nirvana e Metallica.

Control é, acima de tudo, um documento sobre uma época revolucionária em que fazer música dependia de boas idéias e paixão. Ian Curtis se foi há 27 anos, mas seu legado ficou. Bandas como Interpol, Editors, I Love You But I've Chosen Darkness, She Wants Revenge e Killers (presente na trilha com a versão de "Shadow Play", que vem na coletânea de b-sides e raridades Sawdust, prevista para sair no começo de novembro) são a prova sonora disso.

Texto originalmente publicado no site RP

Outros textos de Alexandre Bezzi podem ser lidos no Discoteca Kamikaze


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