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Ao Vivo :: Planeta Terra
Escrito por Abonico Seg, 28 de Abril de 2008 19:03
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No festival que consagrou o veterano DEVO, nomes da geração MP3 tentam se afirmar fora da internet.
Planeta TerraVilla dos Galpões [São Paulo] :: 10.11.07
Mark Mothersbaugh [DEVO] e Lovefoxxx [CSS, índice]: planeta Terra x planeta Web.
No nosso frenesi diário de troca-troca de músicas, mensagens e imagens, erguemos artistas, da noite para o dia, que se afirmam sobre palcos invisíveis. Palcos sustentados por propaganda involuntária e onipresente no planeta Internet, independente de jornalistas e publicitários. Foi este planetinha dominador que invadiu o festival Planeta Terra e nos deixou diante da supremacia dos terráqueos do DEVO, que se comportaram como alienígenas de verdade. Enquanto isso, Datarock, Kasabian e Cansei de Ser Sexy não mostraram no palco a destreza que desfilam na internet.
A escalação do festival patrocinado pelo provedor de internet Terra, realizado no dia 10 de novembro em São Paulo, foi coerente com origem e motivo da empresa. Desconhecidas da maior parte do público brasileiro, excetuando-se pela cantora Lily Allen com seus hits de rádio "Smile" e "LDN", as outras 14 atrações eram familiares para quem freqüenta diariamente a Internet. Este planeta, como sabemos, está dominando o mundo com códigos próprios. Uma pose no YouTube aqui e uma amostra picotada de som acolá validam uma banda... até que ela toque ao vivo.
Pois foram os habitantes do planeta Internet que povoaram os palcos do Terra, onde as coisas ainda funcionam como antigamente, em qualquer Rock In Rio, Hollywood Rock ou Free Jazz do passado. Os deuses dos downloads ultra-rápidos sabem como eu gostaria de ter coisas muito boas para falar desta juventude conectada, até porque ando muito entusiasmada com a safra 05-07 e gosto dos álbuns que ela tem produzido. Pois é, atenção ao verbo: produzido. Mas quando os álbuns têm de ser defendidos ao vivo, de frente para este público acostumado ao conforto do download caseiro, portando músicas bem programadas e produzidas, a temperatura esfria. A síndrome do cool ataca, as vergonhas ficam expostas, as deficiências aparecem.
A ciência de uma boa canção, então, aparece dominada pelos cinqüentões barrigudos, de cabelos brancos do DEVO, atração do Main Stage. Eles foram mais modernos e rebeldes que o tempo moderno e rebelde do qual vieram. Foram tanto que permanecem até hoje. Ainda vestidos como operários responsáveis por sacudir as estruturas, inflitrados nos subterrâneos da América do Norte, os integrantes do quinteto deram o melhor show do festival, livres da assombração do cool que aterroriza o planeta Internet. Com músicas-manifesto como "Girl U Want", "Mongoloid", "Freedom of Choice", "Satisfaction" (os Stones eletrocutados e desconstruídos na versão cubista), "That's Good", "Whip It!" e "Uncontrollable Urge", o DEVO se impôs como banda atemporal. Foram punks, nerds, eletrônicos, oitenta e muito agora. E além das músicas, costuraram uma narrativa precisa do inconformismo ao começarem com um vídeo debochando de mentes vazias e consumismo e terminarem com o vocalista Mark Mothersbaugh fantasiado de Booji Boy, uma espécie de bebezão de propaganda dos anos 50, cantando o hino da mais alta ironia, "Beautiful World".
Quem não foi muito além da promessa de cool do momento foi Lily Allen. Cigarros e whisky no vento gelado de São Paulo não favoreceram a performance, diminuíndo e esfriando a voz afinada mas naturalmente pequena da cantora inglesa. Lily usou, como sempre, um vestido anos 50 tipo debutante excêntrica e muito bonito (comprado no Brasil, aliás) e ficou descalça depois de tirar suas Havaianas simpáticas. Até fez a gente balançar as pernas mas não passou disso. O arranjo reggae/ska para todas as músicas deixou tudo muito parecido e parecido com um fim de tarde morno em uma Jamaica branca. Sua voz e persona só brilharam mesmo em "Littlest Things", uma baladona ao piano que deixou suas cordas vocais à vontade, sem competir com os metais. O show teve covers de Keane, Blondie e Specials, o que demonstra que Lily ainda não consegue fazer mais que um pop rock inofensivo com ska roots que, nela, soam como bailinho. De debutante nada excêntrica.
Enquanto Lily Allen dava uma de atormentada com sua leve bebedeira, entrava no Indie Stage o Cansei de Ser Sexy. E muitos saíam correndo do gramado a céu aberto para presenciar o primeiro show do CSS em São Paulo após 17 meses em turnê estrangeira. Aliás, talvez a produção do Terra não tenha se ligado que há mais pontos em comum entre o público de Lily Allen e o Cansei que se pudesse imaginar. O que se viu na platéia do festival, estimada em 15 mil pessoas, foi menos segmentação e preconceito que o costumeiro, especialmente para os padrões de São Paulo. O caldeirão de dance, hip hop, reggae, rock, pop e electro dos anos 00 movia-se em pequenas ondas de gente para lá e para cá. Gente que estava disposta a experimentar de tudo e que saudavelmente ou não, parece não saber muito bem o que quer, como quem pula de MP3 em MP3, cortando uma faixa para ouvir a próxima.
Baguncinha high school
Mas e o CSS? Alguns apostaram que voltariam mais profissionais, o que significaria instrumentos bem tocados e composições consistentes. Mas eles continuam os mesmos, ora levando-se a sério demais para a baguncinha high school de sessão da tarde que apresentam (o palco foi decorado com balões coloridos – boa metáfora para sua música, vistosa mas cheia de ar), ora muito relapsos para algumas boas canções pop-electro que encontram força na performer Lovefoxxx. A vocalista, inclusive, remeteu muito ao visual de Björk em sua recente passagem pelo Brasil: estava enfeitada de papel de seda, lantejoulas e outros confeitos. E ela encheu bexigas, pulou, segurou o pedestal do microfone, gritou, contorceu-se, parecia extasiada com os fãs que seguraram a urgência da apresentação nas primeiras filas. "Pretend We're Dead", cover do L7, expoente feminino do grunge, parecia promissor mas escorregou na frouxidão e na limpeza do arranjo. O CSS se saiu melhor nos momentos reggae-rock de arena glam-carnaval, com um estranho suingue duro, como em "Music is My Hot Hot Sex" e claro, nas referências pop escrachadas de "Meeting Paris Hilton" e "I Wanna Be Your J.Lo". Mas jogadas as plumas, ficou um gosto de música à semelhança das celebridades dos títulos. Faltou mais cérebro e arte nesta diversão, até porque a banda deixou entrever que não está só afim de diversão na postura excessivamente cool, a praga pós-moderna.
O Datarock foi outra banda tipicamente planeta Internet que, a supor pela audição de sua estréia em 2005, seria arrebatadora. Mas não foi. A dupla norueguesa, acrescida de outros dois músicos de apoio, surgiu presepeira em uniforme hip hop vermelho (leia-se hoodies e calças de moletom tipo Adidas) e batendo palminha. Desde o início ficou claro que o clima seria desleixado se comparado ao caráter introspectivo e levemente paranóico a la Talking Heads do álbum. Por isso mesmo, as músicas apoiadas no synth, dispensando baixo e bateria, foram as mais interessantes. E tome passinhos e niu-rêive aeróbica. Quando a guitarra falava mais alto, o Datarock aproximava-se de um U2 agüado pós-anfetamina. "Sex Me Up" e "Fa Fa Fa", seus dois hits indies, foram tocadas em aceleração incômoda, mas foram bem acompanhados pela platéia, que investiu na coreografia e estava achando a maior graça. Duas músicas novas, "True Stories" e "Stay", foram apresentadas com veia mais discopunk. E eles terminaram com o momento mais inusitado e extravagante do festival, quando colocaram para tocar "I've Had The Time Of My Life", breguice bufante anos 80, da trilha sonora de Dirty Dancing. Sim, colocaram pra tocar, dançaram e às vezes até cantaram por cima. Os indies se esbaldaram, acompanhando a letra e rindo, provavelmente lembrando da infância ou da última leitura do Almanaque dos Anos 80. Um bonitinho momento guilty pleasure que passou longe de ser the time of my life.
Já, o Kasabian mostrou que é banda de arena mesmo. Uma cruza de Primal Scream com Bon Jovi, se é que isso é possível. O vocalista falou bastante entre as músicas e parecia animadíssimo com o fato de estar tocando no Brasil, gritando "Son Pouuuwwlo" várias vezes para delírio de alguns. À esta altura, playboys, indies, new ravers, hip-hoppers, clubbers e gente sem uniforme se sacudiam. O Kasabian foi bem menos dançante que seus singles mais conhecidos nas pistas alternativas. "Reason Is Treason", "Processed Beats" e "Lost Souls Forever" atacaram as jugulares roqueiras, entre menções a jogadores de futebol brasileiros, como Kaká e Pelé. Tudo com muita simpatia e melodias pouco memoráveis, embora... cool.
O Rapture, outra cria do planeta Internet – que depois do estupendo Echoes (2003) nos deu o mais fashion do que criativo ou notável Pieces Of The People We Love, no ano passado – fez o melhor show do festival pelo que disseram os que não estavam vendo o DEVO, Eu não tive como checar a veracidade da informação. Tomara que tenha sido. Só isso salvaria o planeta Internet de uma regularidade enfadonha que não condiz com a fervura das esquinas virtuais, onde a fantasia lucra com a distância.
Fora do terreno musical, um ponto mais do que positivo: a Terra nunca esteve tão limpa quanto dentro dos domínios da Villa dos Galpões, na Avenida Nações Unidas. Logo na entrada do evento, recebíamos aqueles recipientes de plástico tipo tubinho de ensaio pra colocar bituca de cigarro. Ótima iniciativa da produção. Não vi ninguém usando mas o chão estava sempre limpo, talvez pelo uso das menos inusitadas latas de lixo, que brotavam oportunas em qualquer canto, como deve ser. Pontualidade também foi um dos fortes do festival, com o show do CSS chegando a começar quatro minutos antes do marcado! Eflúvios ingleses. E teve gente amaldiçoando essa pontualidade toda porque shows interessantes estavam, de fato, rolando ao mesmo tempo. Problema de quem não consegue escolher. A praça de alimentação também proporcionou ótimas opções e fartura em mesas e cadeiras. Destaque para a Ícone, com a comidinha do momento, o temaki. Todo mundo adora ser bem tratado assim....
Outros shows do festival: Pato Fu, Tokyo Police Club, Supercordas, Lucy & The Popsonics, Instituto (tocando Tim Maia Racional). NO DJ Stage, o principal nome da noite foi Vitalic.
Leïlah Accioly
A escalação do festival patrocinado pelo provedor de internet Terra, realizado no dia 10 de novembro em São Paulo, foi coerente com origem e motivo da empresa. Desconhecidas da maior parte do público brasileiro, excetuando-se pela cantora Lily Allen com seus hits de rádio "Smile" e "LDN", as outras 14 atrações eram familiares para quem freqüenta diariamente a Internet. Este planeta, como sabemos, está dominando o mundo com códigos próprios. Uma pose no YouTube aqui e uma amostra picotada de som acolá validam uma banda... até que ela toque ao vivo.
Pois foram os habitantes do planeta Internet que povoaram os palcos do Terra, onde as coisas ainda funcionam como antigamente, em qualquer Rock In Rio, Hollywood Rock ou Free Jazz do passado. Os deuses dos downloads ultra-rápidos sabem como eu gostaria de ter coisas muito boas para falar desta juventude conectada, até porque ando muito entusiasmada com a safra 05-07 e gosto dos álbuns que ela tem produzido. Pois é, atenção ao verbo: produzido. Mas quando os álbuns têm de ser defendidos ao vivo, de frente para este público acostumado ao conforto do download caseiro, portando músicas bem programadas e produzidas, a temperatura esfria. A síndrome do cool ataca, as vergonhas ficam expostas, as deficiências aparecem.
A ciência de uma boa canção, então, aparece dominada pelos cinqüentões barrigudos, de cabelos brancos do DEVO, atração do Main Stage. Eles foram mais modernos e rebeldes que o tempo moderno e rebelde do qual vieram. Foram tanto que permanecem até hoje. Ainda vestidos como operários responsáveis por sacudir as estruturas, inflitrados nos subterrâneos da América do Norte, os integrantes do quinteto deram o melhor show do festival, livres da assombração do cool que aterroriza o planeta Internet. Com músicas-manifesto como "Girl U Want", "Mongoloid", "Freedom of Choice", "Satisfaction" (os Stones eletrocutados e desconstruídos na versão cubista), "That's Good", "Whip It!" e "Uncontrollable Urge", o DEVO se impôs como banda atemporal. Foram punks, nerds, eletrônicos, oitenta e muito agora. E além das músicas, costuraram uma narrativa precisa do inconformismo ao começarem com um vídeo debochando de mentes vazias e consumismo e terminarem com o vocalista Mark Mothersbaugh fantasiado de Booji Boy, uma espécie de bebezão de propaganda dos anos 50, cantando o hino da mais alta ironia, "Beautiful World".
Quem não foi muito além da promessa de cool do momento foi Lily Allen. Cigarros e whisky no vento gelado de São Paulo não favoreceram a performance, diminuíndo e esfriando a voz afinada mas naturalmente pequena da cantora inglesa. Lily usou, como sempre, um vestido anos 50 tipo debutante excêntrica e muito bonito (comprado no Brasil, aliás) e ficou descalça depois de tirar suas Havaianas simpáticas. Até fez a gente balançar as pernas mas não passou disso. O arranjo reggae/ska para todas as músicas deixou tudo muito parecido e parecido com um fim de tarde morno em uma Jamaica branca. Sua voz e persona só brilharam mesmo em "Littlest Things", uma baladona ao piano que deixou suas cordas vocais à vontade, sem competir com os metais. O show teve covers de Keane, Blondie e Specials, o que demonstra que Lily ainda não consegue fazer mais que um pop rock inofensivo com ska roots que, nela, soam como bailinho. De debutante nada excêntrica.
Enquanto Lily Allen dava uma de atormentada com sua leve bebedeira, entrava no Indie Stage o Cansei de Ser Sexy. E muitos saíam correndo do gramado a céu aberto para presenciar o primeiro show do CSS em São Paulo após 17 meses em turnê estrangeira. Aliás, talvez a produção do Terra não tenha se ligado que há mais pontos em comum entre o público de Lily Allen e o Cansei que se pudesse imaginar. O que se viu na platéia do festival, estimada em 15 mil pessoas, foi menos segmentação e preconceito que o costumeiro, especialmente para os padrões de São Paulo. O caldeirão de dance, hip hop, reggae, rock, pop e electro dos anos 00 movia-se em pequenas ondas de gente para lá e para cá. Gente que estava disposta a experimentar de tudo e que saudavelmente ou não, parece não saber muito bem o que quer, como quem pula de MP3 em MP3, cortando uma faixa para ouvir a próxima.
Baguncinha high school
Mas e o CSS? Alguns apostaram que voltariam mais profissionais, o que significaria instrumentos bem tocados e composições consistentes. Mas eles continuam os mesmos, ora levando-se a sério demais para a baguncinha high school de sessão da tarde que apresentam (o palco foi decorado com balões coloridos – boa metáfora para sua música, vistosa mas cheia de ar), ora muito relapsos para algumas boas canções pop-electro que encontram força na performer Lovefoxxx. A vocalista, inclusive, remeteu muito ao visual de Björk em sua recente passagem pelo Brasil: estava enfeitada de papel de seda, lantejoulas e outros confeitos. E ela encheu bexigas, pulou, segurou o pedestal do microfone, gritou, contorceu-se, parecia extasiada com os fãs que seguraram a urgência da apresentação nas primeiras filas. "Pretend We're Dead", cover do L7, expoente feminino do grunge, parecia promissor mas escorregou na frouxidão e na limpeza do arranjo. O CSS se saiu melhor nos momentos reggae-rock de arena glam-carnaval, com um estranho suingue duro, como em "Music is My Hot Hot Sex" e claro, nas referências pop escrachadas de "Meeting Paris Hilton" e "I Wanna Be Your J.Lo". Mas jogadas as plumas, ficou um gosto de música à semelhança das celebridades dos títulos. Faltou mais cérebro e arte nesta diversão, até porque a banda deixou entrever que não está só afim de diversão na postura excessivamente cool, a praga pós-moderna.
O Datarock foi outra banda tipicamente planeta Internet que, a supor pela audição de sua estréia em 2005, seria arrebatadora. Mas não foi. A dupla norueguesa, acrescida de outros dois músicos de apoio, surgiu presepeira em uniforme hip hop vermelho (leia-se hoodies e calças de moletom tipo Adidas) e batendo palminha. Desde o início ficou claro que o clima seria desleixado se comparado ao caráter introspectivo e levemente paranóico a la Talking Heads do álbum. Por isso mesmo, as músicas apoiadas no synth, dispensando baixo e bateria, foram as mais interessantes. E tome passinhos e niu-rêive aeróbica. Quando a guitarra falava mais alto, o Datarock aproximava-se de um U2 agüado pós-anfetamina. "Sex Me Up" e "Fa Fa Fa", seus dois hits indies, foram tocadas em aceleração incômoda, mas foram bem acompanhados pela platéia, que investiu na coreografia e estava achando a maior graça. Duas músicas novas, "True Stories" e "Stay", foram apresentadas com veia mais discopunk. E eles terminaram com o momento mais inusitado e extravagante do festival, quando colocaram para tocar "I've Had The Time Of My Life", breguice bufante anos 80, da trilha sonora de Dirty Dancing. Sim, colocaram pra tocar, dançaram e às vezes até cantaram por cima. Os indies se esbaldaram, acompanhando a letra e rindo, provavelmente lembrando da infância ou da última leitura do Almanaque dos Anos 80. Um bonitinho momento guilty pleasure que passou longe de ser the time of my life.
Já, o Kasabian mostrou que é banda de arena mesmo. Uma cruza de Primal Scream com Bon Jovi, se é que isso é possível. O vocalista falou bastante entre as músicas e parecia animadíssimo com o fato de estar tocando no Brasil, gritando "Son Pouuuwwlo" várias vezes para delírio de alguns. À esta altura, playboys, indies, new ravers, hip-hoppers, clubbers e gente sem uniforme se sacudiam. O Kasabian foi bem menos dançante que seus singles mais conhecidos nas pistas alternativas. "Reason Is Treason", "Processed Beats" e "Lost Souls Forever" atacaram as jugulares roqueiras, entre menções a jogadores de futebol brasileiros, como Kaká e Pelé. Tudo com muita simpatia e melodias pouco memoráveis, embora... cool.
O Rapture, outra cria do planeta Internet – que depois do estupendo Echoes (2003) nos deu o mais fashion do que criativo ou notável Pieces Of The People We Love, no ano passado – fez o melhor show do festival pelo que disseram os que não estavam vendo o DEVO, Eu não tive como checar a veracidade da informação. Tomara que tenha sido. Só isso salvaria o planeta Internet de uma regularidade enfadonha que não condiz com a fervura das esquinas virtuais, onde a fantasia lucra com a distância.
Fora do terreno musical, um ponto mais do que positivo: a Terra nunca esteve tão limpa quanto dentro dos domínios da Villa dos Galpões, na Avenida Nações Unidas. Logo na entrada do evento, recebíamos aqueles recipientes de plástico tipo tubinho de ensaio pra colocar bituca de cigarro. Ótima iniciativa da produção. Não vi ninguém usando mas o chão estava sempre limpo, talvez pelo uso das menos inusitadas latas de lixo, que brotavam oportunas em qualquer canto, como deve ser. Pontualidade também foi um dos fortes do festival, com o show do CSS chegando a começar quatro minutos antes do marcado! Eflúvios ingleses. E teve gente amaldiçoando essa pontualidade toda porque shows interessantes estavam, de fato, rolando ao mesmo tempo. Problema de quem não consegue escolher. A praça de alimentação também proporcionou ótimas opções e fartura em mesas e cadeiras. Destaque para a Ícone, com a comidinha do momento, o temaki. Todo mundo adora ser bem tratado assim....
Outros shows do festival: Pato Fu, Tokyo Police Club, Supercordas, Lucy & The Popsonics, Instituto (tocando Tim Maia Racional). NO DJ Stage, o principal nome da noite foi Vitalic.
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