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Thurston Moore
Escrito por Abonico Seg, 28 de Abril de 2008 18:45
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Um banquinho e um violão
Quem acompanha a carreira do Sonic Youth sabe muito bem os barulhos e ruídos desconcertantes que a banda pode fazer com as guitarras. Agora poucos poderiam apostar que o novo álbum solo de Thurston Moore poderia vir baseado em arranjos acústicos, feitos ao violão, violino e bateria. Cristiano Viteck ouviu Trees Outside The Academy e comenta a genialidade do músico, mesmo distante da sonoridade habitual de sua banda.
Trees Outside The Academy desnuda a faceta unplugged de Thurston Moore.
Que os últimos discos do Sonic Youth estavam com uma faceta bem mais pop não é novidade para ninguém. Agora, duvido que alguém, mesmo em seus mais profundos devaneios, tenha imaginado o que Thurston Moore preparou para o seu mais novo álbum solo. Trees Outside The Academy (Ecstatic Peace) chegou às lojas norte-americanas e da Europa na semana passada (por enquanto sem previsão de lançamento por aqui) e, com certeza, não vai decepcionar nenhum fã.
Gravado com o parceiro de Sonic Youth, Steve Shelley, na bateria e com a amiga Samara Lubelski no violino, este trabalho solo de Thurston Moore surpreende por desnudar um lado do músico que até então jamais havia se mostrado de maneira tão explícita em 25 anos de carreira, seja em outras viagens solitárias ou junto ao grupo que o tornou famoso. Trees Outside The Academy é um disco quase que todo acústico, onde são raras as distorções e ruídos característicos dos demais trabalhos do guitarrista. Porém, o que a princípio pode parecer uma mudança brusca no modo dele compor, na verdade é o clímax de um processo que vinha sendo trabalhado há bem mais tempo por ele.
Conforme Thurston revelou recentemente, em entrevista à revista Spin, já nos últimos três discos do SY a maioria das suas canções haviam surgido tendo como base o violão, para então serem rearranjadas para o formado elétrico. Agora, o que ele fez foi justamente mergulhar de vez no formato acústico, que ganhou em beleza e doçura com os arranjos de violino de Samara Lubeski e a bateria discreta, mas sempre precisa, de Steve Shelley.
É verdade que nem tudo aqui foi registrado no formato acústico. O violão em Wonderful Witches, por exemplo, teve a companhia de solos e riffs de guitarra que são típicos do quarteto nova-iorquino. Algo semelhante foi feito com as instrumentais “Off Work” e “Trees Outside de Academy”, todas distribuídas na segunda metade do álbum.
Mas o supra-sumo desta belezura criada por Thurston Moore são justamente as cinco primeiras faixas. Destas podem ser destacadas “Frozen Guitar”, que dá um início tenso ao disco, principalmente quando surge o solo de guitarra criado em poucos minutos e executado com maestria por J. Mascis (aliás, vale dizer que o disco foi gravado no estúdio caseiro do líder do recém ressuscitado Dinosaur Jr e produzido John Agnello, que também assinou Rather Ripped, último álbum de inéditas do SY); e “Honest James”, cantada em dueto com Christina Carter, do praticamente desconhecido Charalambides. Mas também não dá para deixar de citar “Silver>Blue” e “Fri/End”, que se fossem gravadas em alguma espécie de Unplugged MTV poderia levar Thurston Moore/Sonic Youth a índices de popularidade só experimentados por eles na época dos discos Goo (1990) e Dirty (1992). Mas, é provável que omarido de Kim Gordon, do alto de seus 49 anos de idade, esteja cagando pra isso...
Trees Outside The Academy ainda tem seus momentos nonsense na sinistra “American Coffin” (50 segundos de riffs perdidos seguidos por outros três minutos de piano solo); os 36 segundos de “Free Noise Among Friends” (o título já explica) e “Thurston@13”, uma gravação de 36 anos atrás, naquilo que poderia ser descrito como os primeiros passos de um adolescente nos caminhos da poesia beatnik.
Gravado doze anos depois de seu primeiro trabalho solo, este novo vôo solitário de Thurston Moore de forma alguma significa uma crise no Sonic Youth – que, aliás, fez de seus três últimos trabalhos obras próximas da perfeição. Pelo contrário: pode apontar, quem sabe, para futuros rumos para esta que é uma das mais importantes bandas alternativas de todos os tempos. Ou talvez Trees Outside The Academy não aponte mesmo para lugar algum. Apenas confirme (novamente) a genialidade musical de Thurston Moore. Isso já está de bom tamanho!
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