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Thrills

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Apesar do parto complicado, Teenager mantém o sol da Califórnia dos anos 60 brilhando nestes irlandeses.

Sob o sol da Califórnia

DivulgaçãoA banda mais americana da Irlanda, o Thrills lança seu terceiro álbum. Teenager mantém o aceno gracioso ao som da Califórnia sessentista, bebendo nas fontes clássicas de gente como Byrds, Neil Young e Beach Boys. Ainda dá um bom caldo, embora a originalidade seja aqui um elemento distante para quem conhece o som desses musos inspiradores e dos signos do rock daquela época. Carlos Eduardo Lima destrincha o disco que levou três anos para ser concluído ao lado do produtor que já calibrou nomes como Beck e Belle & Sebastian.

Conor Deasy e sua trupe trazem o sol do psicodelismo sixtie para o frio da Ilha Esmeralda.

Ninguém pode acusar esse quinteto irlandês de picaretagem. Desde que lançou seu primeiro álbum, há quatro anos, o Thrills nunca pretendeu ser uma banda britânica, no sentido mais amplo do termo. A praia aqui, literalmente, é a Califórnia ensolarada e mítica do final dos anos 60. Aquele momentum do tempo em que os Beach Boys habitavam as paradas de sucesso, os Byrds eletrificavam o folk e Neil Young gravava com o Buffalo Springfield. Na verdade, o que a banda de Dublin pretende desde o início é ser americana e visitar os signos ianques com ingenuidade e firmeza de propósito impressionantes.

Muita gente na Irlanda deve detestar ver esses sujeitos posando como americanos em pleno frio da Ilha Esmeralda, mas Conor Deasy e seus asseclas não parecem dar a mínima para isso. Mesmo que a música do Thrills não seja nem um pouco inovadora, não se pode dizer que os três álbuns deles, So Much For The City (2003), Let’s Bottle Bohemia (2004) e Teenager (2007) não sejam pequenos primores da arte de compor polaróides do passado não vivido, em três minutos e meio de duração. Mesmo que a gravação de Teenager tenha consumido três anos, finalmente sendo concluída com a ajuda do produtor Tony Hoffer, o sujeito que os lançou há quatro anos e que pilotou estúdios para Beck, Belle And Sebastian e Grandaddy.

A revisitação aos signos americanos já começa na capa e no título do novo trabalho. Dois adolescentes dão um amasso caprichado em um quarto tipicamente ... adolescente. Além disso, a própria passagem para a vida adulta é algo que os ianques sempre fazem questão de lembrar e falar sobre. Isso foi adaptado ao modelo de canção da banda, com direito aos corais ensolarados, aos dedilhados de guitarra decalcados de Roger McGuinn e à impressão que os sujeitos estão na beira da praia, em um comercial de Coca-Cola.

Mas tudo funciona bem na jornada dos irlandeses. Canções como “The Midnight Choir”, “This Year”, “Restaurant” não fazem muito esforço para inserir-se na categoria sunny songs e o disco soa muito agradável aos ouvidos. O único problema aqui parece ser a disponibilidade de acesso às obras dos musos inspiradores. Não é possível imaginar quem poderia preferir a homenagem deles aos originais sessentistas.

Se você acha que é muita exigência ao pensar assim, caia dentro de Teenager. O disco é bom, mesmo que não seja totalmente original. Afinal de contas, quem é original no rock desde que Chuck Berry imitou o andar de um pato porque suas calças estavam pescando siri?


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