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Paula Toller
Escrito por Abonico Seg, 28 de Abril de 2008 18:38
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Mulher sofisticada
Em seu segundo álbum solo, Paula Toller se despe da sombra do Kid Abelha para apostar em uma sonoridade mais requintada, chegando a cantar em inglês e flertar com produtores e hitmakers americanos. Gian Rufatto analisa Só Nós e conclui que a música pop brasileira está finalmente perto de conhecer a sua grande diva.
La Toller: totalmente à vontade em nova empreitada solo.
Meu primeiro contato com Só Nós (Warner), o segundo trabalho solo de Paula Toller, foi a versão para “Vicious World”, do herdeiro da família Wainwright, o bardo Rufus. Confesso que como fã do disco que tem essa canção (Want One), temi ouvir e me decepcionar. Mas acabei gostando da canção que cita Maysa e tira uma com os gringos que descobriram a bossa com batidas eletrônicas.
A aposta da Warner foi bem esperta em um ano que os cantores (e cantoras) estão na moda por aqui e as bandas nacionais andam meio à deriva das grandes vendagens. Paula Toller ressurge com pouquíssimos ranços do Kid Abelha, que só faz ser lembrado lá pela sexta canção, “Meu Amor Mudou Pra Lua”. O encarte sugere alguma intimidade (não dê bola para a capa feia, porque a contracapa e o encarte são maravilhosos) e mostra la Toller totalmente à vontade com muita pele à mostra – e ela (a pele) parece que está cada dia melhor.
Agora o álbum. Pode se falar de qualquer ponto desse disco. A produção é bem feitinha, lembrando cantoras como Aimee Mann (o timbre da voz de Paula é muito parecido em varias canções) e Norah Jones. Alias, Jesse Harris, autor de “Don’t Know Why”, grande hit de Norah, é a presença principal entre os compositores do disco – comparece com duas canções, “If You Won’t” e a deliciosa “Long Way From Home”. Também está presente o “quase famoso” Donavon Frankenheiter, que compôs e cantou com Paula em “All Over”.
O unico porém de Só Nós reside na participação de Kevin Johansen, que compôs “À Noite Sonhei Contigo” e “Glass, I’m So Brazilian”. Ambas soam deslocadas e um tanto forçadas entre de canções mais intimas, como “Barcelona 16”, escrita para o filho Gabriel, e “Rústica”.
O grande destaque atende pelo nome de Erasmo Carlos. Sim, o velho Tremendão compôs a melhor faixa do disco, “? (O Q É Q Eu Sou)”. Uma canção como a muito (ou nunca) não se ouvia por um artista brasileiro, trocando as referencias sonoras nacionias pelo o que de melhor se produz atualmente em Memphis. Acabou sendo uma das melhores gravações deste ano.
A sensação que fica após ouvir as catorze canções do disco é que ninguém mais precisa do Kid Abelha. Se Paula apostar em um próximo disco solo seguindo essa mesma cartilha, periga encontrar a diva brasileira que alguns insistem em ver em gente como Maria Rita e até em Sandy. E isso abriria um novo nicho para cantoras no país.
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