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Kate Nash
Escrito por Abonico Seg, 28 de Abril de 2008 18:42
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O que Kate faz
Kate Nash tem apenas 20 anos e é mais uma artista a despontar para o mundo a partir de sua página no MySpace. Seu primeiro álbum, Made Of Bricks, recém lançado nos dois lados do Oceano Atlântico, mescla pop perfeito com um certo senso lo-fi de composição. Carlos Eduardo Lima conta a breve história desa bela irlandesinha ruiva e tenta codificar o hype em torno desta “aspirante a atriz que se transformou em estrela da música” com uma pequena ajudinha de amiga Lily Allen.
Folk, lo-fi, pop e eletrônico são gêneros que cabem na boa música de kate Nash.
Não se espante: Kate Nash é um rosto e uma voz prontos para o seu consumo, não importa o que você queira ouvir/ver. A moça parece algo concebido em laboratório, resultado final de uma extensa pesquisa sobre os sons, hábitos e desejos que uma geração pode vir a ter. Um resultado eficiente, convenhamos.
Kate é aquela menina que saiu da escola, que entrou na faculdade, que é bonita, cool, capaz de refletir sobre sua condição no mundo com um certo savoir faire, ainda que beba água Perrier e vista roupas caras. Ela é um produto pronto, ao contrário da musa anterior do MySpace, Lilly Allen, que emplacou um hit mundial (“Smile”) e sumiu. Kate e seu disco Made Of Bricks oferecem um espectro maior e menos inspirado de canções boas de cantar e grudentas como chiclete velho.
O Reino Unido, aliás, sempre foi um belo celeiro para a engorda desse tipo de artista – vide o aparecimento recente de gente como James Morrison, James Blunt e a própria Lilly Allen. São pessoas que não parecem capazes de chegar ao segundo disco, mesmo porque não parecem dispostas a isso. Parecem participar de um reality show no qual o prêmio é ser um cantor mais ou menos relevante e capaz de atingir multidões. É o conceito do next big thing devidamente domado e limado de qualquer variável que possa significar um desvio do programa.
Kate Nash é o último hambúrguer a sair desse moedor de carne. A moça nascida há vinte anos em Dublin, capital da Irlanda, mudou-se para Londres ainda criança. Ela aprendeu piano no colégio mas não deu muita bola para a música pop, preferindo tentar a carreira de atriz. Após levar bomba na Bristol Old Vic Theatre School, Kate decidiu tentar a sorte gravando algumas canções velhas e se oferecendo para concertos no circuito local. O repertório trazia as velhas composições e alguns covers e a menina decidiu colocar uma parte do material para acesso dos usuários do MySpace. Daí nasceu a amizade com Lily Allen, que experimentava o sucesso a partir do mesmo caminho.
Admitamos: as canções de Made Of Brick, bastante celebrado na Grã-Bretanha depois do sucesso do compacto de estréia de Kate (que tinha dois a-sides, “Birds” e “Caroline’s Is a Victim”, ambas com ótimas letras e videoclipes), são legais. “Mariella” é um docinho sonoro, com nuances mais interessantes trazidas pela voz e sotaques da menina Nash, que é sabedora de seus encantos vocais e os coloca totalmente a seu favor. A produção coloca as passagens acústicas em choque com as programações levemente dançantes, tornando o disco sutilmente mais amplo, não sendo um trabalho daqueles para ser ouvido deitado na cama, pensando na vida, nem para ser digerido em uma pista de dança – mas ninguém que o ouça numa dessas duas situações será acusado de estar em lugar errado.
Outras canções como “Foundations”, “Birds” e “We Get On” também não fazem feio. E o sotaque londrino da moça é capaz de assegurar o hype nos Estados Unidos, onde o disco foi lançado há menos de um mês, abrindo passagem para a sua chegada em nossas prateleiras em outubro.
Kate está agora colhendo os frutos de seu trabalho através de participações nos principais festivais do verão inglês (a saber: Glastonbury, Isle Of Wight e o novo O2 Wireless), além de percorrer o circuito televisivo da Velha Ilha, aparecendo no badalado show de Jools Holland, entre outros. Se tudo isso é legal? Talvez seja pelos próximos dois meses, no máximo. É o presente em fast forward e não há nada que possamos fazer contra isso.
Texto também publicado no site RockPress
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