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Bruce Springsteen
Escrito por Abonico Seg, 28 de Abril de 2008 18:44
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A volta do Chefe
Bruce Springsteen lança Magic no início de outubro e mostra que sua maré criativa mantém-se favorável e constante. Gravando de volta com seus velhos companheiros de E Street Band, Boss gravou um grande disco de rock que se conecta diretamente com sua produção setentista e algumas das lembranças do passado. Carlos Eduardo Lima, que já ouviu o trabalho, atesta com plena convicção: além de servir para recuperar a fé no ser humano, este é um dos discos do ano.
Bruce ,aos 59 anos, olha para a frente sem tirar o foco das lembranças e sons do passado.
A agulha da vitrolinha imaginária do computador perscruta as frases de “Radio Nowhere”, primeiro single de Magic e logo um nome vem à mente: Pearl Jam. As guitarras e o andamento da canção não negam o pedigree e a voz do Chefe parece em boa forma. A semelhança com alguma canção da banda de Eddie Vedder se justifica pela franqueza do ataque rocker, sem qualquer clima antecipando algo. Um, dois, três e pronto. Além do mais, nada tão natural quanto alinhar Pearl Jam e Bruce Springsteen no mesmo pensamento, a partir do momento que são conectados por muitos pontos, musicais ou não.
Bruce e a E Street Band conduzem a pegada pesada da canção, que não se parece com nada do que eles fizeram em tempos recentes. E isso é bom. Convém lembrar que Bruce gravou sozinho entre 1988 (o álbum Tunnel Of Love) e 2000 (quando lotou o Madison Square Garden na reunião com sua velha banda de apoio), voltando ao estúdio com os velhos companheiros para registrar o belo álbum The Rising. Era 2002 e o mundo do velho Boss mudou bastante de cinco anos pra cá. Bruce optou por novo hiato na colaboração com a E Street Band (Dan Frederici, teclados; Steve Van Zandt e Nils Lofgren, guitarras; Roy Bittan, piano; Garry Talent, baixo; Clarence Clemmons, saxofone; Max Weinberg, bateria e a Sra. Springsteen, Patti Scialfa, guitarra e backings) quando concebeu e deu a luz ao projeto We Shall Overcome – The Seeger Sessions, um disco com canções folk tradicionais, todas compostas ou do repertório do trovador que fez a ponte entre o canto contado de Woody Guthrie e os meios de comunicação em massa, Pete Seeger. Bruce recrutou um grupo de músicos folk, batizado The Sessions Band, e gravou as canções na sala de sua casa em Nova Jersey. Mais do que um trabalho revisionista, The Seeger Sessions era um aceno ao passado com cara de presente, uma vez que todas as letras de protesto do meio do século 20 (até mesmo anteriores) se casam perfeitamente com a situação do mundo, principalmente da América.
Devidamente respaldado no sucesso de vendas e nas elogiosas resenhas da crítica especializada, Springsteen caiu na estrada levando a Sessions Band e registrou um incendiário show na Irlanda, que se transformou no álbum ao vivo Live In Dublin, com novos arranjos para as canções tradicionais que compunham grande parte do repertório da turnê. Poucos poderiam pensar que Bruce já tinha material para um novo trabalho autoral e um Brendan O’Brien meio desconfiado foi recrutado pelo Chefão para ouvir as novas canções em Nova Jersey, pouco antes da tal turnê pela Irlanda. O’Brien, então, estava diante de mais um dos discos clássicos da melhor verve de Bruce: ou seja, rocks clássicos, acenos ao r&b sessentista, letras otimistas e/ou desesperadas e singelas canções de amor. E o sujeito ainda pretendia arregimentar a velha banda para acompanhá-lo no estúdio.
O’Brien, que produzira os dois últimos trabalhos autorais de Bruce, The Rising (2002) e Devils & Dust (2005), rumou para Atlanta, na Geórgia e reservou o The Southern Tracks para a gravação do décimo-quinto álbum da carreira de Springsteen. O Chefe permaneceu em Atlanta durante todo o processo e os integrantes da E Street Band vinham nos fins de semana para gravar suas participações.
Bruce e O’Brien deram a cara de um disco setentista para Magic e não soaram pretensiosos ao tentar igualar obras como The River ou Darkness On The Edge Of Town. Várias canções soam como parentes próximas de clássicos da carreira de Bruce. A faixa-título é uma singela balada acústica. “I’ll Work For Your Love” é mais uma das canções de amor desesperadas, tão comuns na obra de Bruce. Poderia estar em Born To Run (clássico de 1975). O maior exemplo “de já ouvi” do bem aparece na melhor faixa de Magic, “Livin’ In The Future”, que poderia conectar-se sem problemas a “Tenth Avenue Freeze Out” (faixa de Born To Run) ou a “Hungry Heart” (gravada em The River, em 1980). Além dela, “Long Walk Home”, “Girl In Their Summer Clothes” e “Long Walk Home” também parecem mais velhas do que realmente são.
A pegada rocker de “Radio Nowhere”, entretanto, aponta para um sopro de ar puro e um pouco mais de sorrisos na produção recente de Bruce. Se The Rising foi um disco de pop songs próximas da perfeição entremeadas por protestos velados ao 11 de setembro (“Waiting On A Sunny Day” e “My City Of Ruins”, respectivamente) e Devils And Dust já pegava pesado nas cicatrizes da guerra no Iraque, Magic não procura conectar-se total ou explicitamente ao atual momento do país do Tio Sam. Bruce parece a fim de visitar suas pequenas ruas da infância com musas inatingíveis, o que justificaria a presença de seus velhos companheiros para legitimar sua busca pelo antanho em Freehold, Nova Jersey.
A face do homem de 59 anos na capa do disco mostra, no entanto, que o tempo passou, mas nunca o bastante para lembrarmos de onde viemos, principal baliza que aponta para onde vamos. Magic - que acaba de cehgar às lojas - é um dos discos de 2007.
Texto também publicado no site RockPress
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