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Arctic Monkeys

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Sucesso da internet e das paradas britânicas, grupo aterrissa no Brasil para fazer três shows no Tim Festival.

Monkeys business

DivulgaçãoO Arctic Monkeys foi alçado à fama graças à divulgação viral na internet, através do compartilhamento de arquivos de música entre seus fãs. Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, lançado em janeiro de 2006, bateu recorde como o álbum de estréia mais rapidamente vendido na história da música inglesa. Foram 120 mil cópias somente no primeiro dia de vendas no Reino Unido – mais do que a soma dos Top 20 do país naquela data. Aquela mesma semana fechou com o assombroso número de 360 mil cópias.

O segundo álbum, Favourite Worst Nightmare, chegou às lojas rapidamente, sem muito tempo para intervalo ou descanso, em abril deste ano, também com a expressiva marca de 225 mil exemplares vendidos apenas na semana de estréia. Com resultados tão surpreendentes, os quatro rapazes de Sheffield apresentaram ao mundo uma nova possibilidade de se lançar e promover novas bandas sem apelar para as desgastadas fórmulas do combalido mercado fonográfico.

Atração do Tim Festival de 2007 em três capitais (Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba), o baterista e co-fundador do Arctic Monkeys, Matt Helders, concedeu a entrevista abaixo, cedida pela produção do evento. O bate-papo, sobre fama, o sucesso meteórico e o Live Earth, ocorreu durante o festival de Roskilde, na Dinamarca, no mês de julho, no mesmo dia do megaevento que balançou todos os continentes do planeta.

Os quatro macacos de Sheffield: apaixonados por futebol e boxe.

Vocês já se vêem como uma banda estabelecida ou acham que ainda há caminho a galgar até chegar lá?
Um pouco dos dois. Obviamente já gravamos dois discos e isso nos faz sentir um pouco estabelecidos. Mas só temos 21 anos, então acho que ainda temos muito que provar e fazer.

O sucesso chegou muito cedo para vocês? Como lidam com o assédio?
Para nós, o timing foi perfeito. Porque somos jovens não precisamos encarar nada disso muito a sério e vamos aprendendo conforme vamos caminhando. Como o reconhecimento veio cedo na nossa carreira, nunca precisamos nos preocupar com isso, nunca tivemos que nos preocupar em fazer dinheiro e ter uma carreira e coisas do tipo, o que é bom. Temos o resto da vida para fazer dinheiro então neste momento suponho que o melhor que temos a fazer é nos divertir.

Recentemente vocês criticaram o Live Earth e se referiram ao evento como “hipócrita”. Você acha que esse é o perfil de todos os eventos desse tipo ou a sua implicância é especifica com o Live Earth?
Não tenho problema com todos os eventos desse tipo. Mas obviamente com o Live Earth, em que as pessoas voam de jato particular ida e volta só para fazer um show, não faz sentido. É por isso que não participaríamos. Seria um pouco de paternalismo da nossa parte dizer para o mundo como se comportar e não seguirmos as mesmas diretrizes.

O Live Earth coincidiu com a apresentação de vocês na Dinamarca. Muita gente pode achar que fazer um show pago é que é o motivo real da recusa de vocês em participar do evento...
Não é assim. Não é que estejamos fazendo outra coisa para não fazer o Live Earth. Na verdade, nem sei se fomos convidados a tocar no Live Earth. Mas é que para nós não fazia sentido tocar em um evento como aquele.

As suas letras falam de situações do dia-a-dia dos jovens. Você acha que esse é o maior apelo da banda?
Eu acho que era no começo. Foi o que deixou todos interessados. E então, a partir disso, as pessoas começaram a se interessar pelos outros elementos da banda, como as melodias e as músicas, especialmente no segundo disco, em que ficamos muito mais musicais.

Quais são as suas expectativas para o Brasil? Você conhece algo do país ou de sua música?
Eu sei de uma banda que faz rap. As pessoas não entendem as letras, que são bem rudes, e todo mundo adora. Não me lembro o nome, acho que começa com “B”... O som é muito bom, as letras são pesadas, mas aqui ninguém entende.

Bonde do Rolê, trio curitibano que também pertence à mesma gravadora de vocês, a Domino?
Isso. Fora eles, tenho de confessar que não conheço muito de música brasileira. Mas a América Latina é um lugar ao qual sempre quisemos ir. Então estamos animados. Vi um programa na TV que mostrava que os brasileiros adoram futebol e desde então quis ir ao país.

É verdade que Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys) vai gravar com a Lily Allen e Simon Taylor-Davis (vocalista do Klaxons)?
Não. É só boato.

Vocês têm amigos nas outras bandas?
Sim, claro. A gente se esbarra e acaba convivendo bastante com algumas bandas, como os Strokes. Mas a gente socializa nos festivais. Moramos em Sheffield e Londres e quando estamos de folga a nossa prioridade é encontrar com familiares e amigos.

Quais são, na sua opinião, os elementos que uma banda deve ter para se manter longeva?
Acho que muitas bandas longevas continuam em frente só por continuar. Eu acredito que nós vamos parar no momento em que deixarmos de curtir. Não nos imagina tocando estas canções para sempre. Mas acho que sempre estaremos, de uma forma ou de outra, envolvidos com música, seja individualmente ou juntos. Mas acredito que o elemento principal para manter uma banda funcionando é se dar bem. Passamos muito tempo juntos e se isso não funcionar o resto desanda.

Como você se imagina em dez ou vinte anos?
Bom, mesmo se não estiver nesta banda, acho que estarei envolvido com música de alguma maneira. De qualquer forma, acho que nós quatro ainda estaremos envolvidos uns com os outros, seja musicalmente ou como amigos. Música é o que amamos fazer e não consigo me imaginar fazendo nada diferente.

E você começou a praticar boxe?
Sim. Durante as turnês, pratico com os seguranças. Todos da banda fazemos isso. Eu comecei no ano passado. É muito bom para ficar sarado e, em particular pra mim, porque a força nos braços dá mais gás para tocar no palco por mais tempo.

Você e o Alex se conheceram no ginásio, como Mick Jagger e Keith Richards, John Lennon e Paul McCartney... Como é o processo de composição e como vocês sobrevivem ao tédio de estar em turnê?
Como nos conhecemos há tanto tempo, não só os quatro da banda, porém muita gente que também trabalha pra nós, nos damos muito bem. A convivência é fácil. Gostamos de sair à noite, jogar boliche. O processo de composição também é fácil, tranqüilo.

E dá para sair para jogar boliche tranqüilo, sem assédio?
Na nossa cidade é tranqüilo. Todo mundo já nos conhece desde antes do sucesso e muitas pessoas que moram lá são nossos amigos. Em outras cidades acontece de sermos reconhecidos vez ou outra, mas nada que nos impeça de levar uma vida normal.

Há uma declaração tua dizendo que a idéia de ser “estupidamente famoso” te preocupa. Qual a pior parte da fama?
A gente não deseja a atenção que recebe. Lidar com a fama muitas vezes é difícil. Às vezes estou andando com amigos ou parentes e alguém me pára para pedir uma foto ou autógrafo e é bizarro, um pouco embaraçoso, sabe? É a pior parte da fama. De qualquer forma, como estamos agora é legal. Não temos fãs histéricos e ainda assim temos a oportunidade de tocar em toda parte.

E qual a melhor parte da fama?
Creio que viajar. O sucesso nos dá a oportunidade de irmos a países como o Brasil, com os quais jamais sonhamos.

Vocês gostam muito de futebol, não?
Sim. Somos todos torcedores do Sheffield Wednesday Football Club.

Como você sabe, no Brasil há muitos fanáticos por futebol. Vocês têm planos de ir a algum jogo enquanto estiverem no país?
Não sei. Às vezes nós mesmos jogamos pequenos campeonatos durante as turnês. Vamos ver...

Alex Turner disse que o primeiro disco que comprou foi Be Here Now, do Oasis. Se lembra qual foi o seu?
Acho que o mesmo. Eu me lembro que tinha umas compilações em fita e o Oasis estava nelas, o que me fez ir atrás do álbum. Eu tenho um irmão mais velho que é quem comprava os CDs na minha casa e eu escutava os discos dele. Mas Be Here Now foi o primeiro que quis ter de verdade.

Você tem baixado músicas da internet?
Para ser sincero, não. Eu acabei de comprar o disco novo do Queens of The Stone Age e também o novo do White Stripes.

Como vocês começaram a tocar a “You Know I'm No Good”, cover da Amy Winehouse?
Creio que decidimos tocar porque éramos todos fãs da canção. Fomos convidados pra fazer um programa de rádio na Inglaterra em que tínhamos que tocar uma música própria e uma cover. Acabamos escolhendo esta. Naquela época tocávamos “You Know I'm No Good” nos ensaios, de farra, e acabou entrando.

Quais são os seus planos até o fim do ano?
Estamos em turnê até dezembro. Depois disso, vamos ver...


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