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Teenage Fanclub
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 20:08
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Schizofrenia
Sim, o Teenage Fanclub ainda continua brindando os fãs de power pop com belas canções com jeito de hit. Mas algo mudou no novo álbum. Gravado em Chicago, no estúdio de John McEntire, Man-Made revela o trio escocês em um momento esquizofrênico, tentando ser ao mesmo igual e diferente ao Teenage de quase duas décadas de carreira. Liv Brandão fala sobre esta sensação de que algo realmente mudou.
Norman Blake, no show do Teenage Fanclub em Curitiba, em 2004.
Pelo mundo afora, gravadoras têm processado internautas por baixarem músicas de seus artistas. Como por aqui ainda não há leis que regulamentem a terra-de-ninguém que se tornou a rede mundial de computadores, o inocente ato de baixar músicas não vai colocar ninguém atrás das grades. Mas o que deveria ser considerado crime inafiançável é Man Made (Columbia/Sony), o sétimo álbum da carreira do Teenage Fanclub, ainda não ter saído no Brasil mesmo depois dos shows históricos em Recife, São Paulo e Curitiba no ano passado. Oficialmente lançado em maio, o álbum vazou antes da hora e um mês antes já era possível encontrá-lo para download. E é com os MP3 que os fãs brasileiros terão de se contentar ainda.
Man-Made foi concebido em Chicago, no estúdio de John McEntire, do Tortoise. Desnecessário dizer que a parceria e a mudança de ares influenciaram e muito os três escoceses, que conseguiram soar esquizofrenicamente iguais e diferentes nesse disco. No encarte que, infelizmente, não vem com os arquivos digitais, um dos agradecimentos é para o Wilco, por ter emprestado suas guitarras. Não, não é um anúncio de plágio. Jeff Tweedy cedeu seus instrumentos para Raymond McGinley durante a gravação. E eles foram bem utilizados.
É na primeira faixa que o Teenage é mais Teenage. “It’s All In My Mind” vem com jeito de futuro hit, para gravar em coletâneas com outros clássicos da banda como “The Concept”, “Sparky’s Dream” e “I Need Direction. Em músicas como “Time Stops” e “Nowhere”, você sabe que está ouvindo aquela banda de Glasgow, mas tem a sensação de que algo mudou. É a tal esquizofrenia. Igual e diferente.
Com muitos teclados [muitos!], riffs de guitarras [valeu, Jeff!] e arranjos complexos distribuídos pelas suas doze canções, Man-Made serve como trilha sonora para dias ensolarados. Mas daqueles em que o tempo vira no meio da tarde e as nuvens se dissipam no comecinho da noite, dando um belo espetáculo luminoso de cores quando anoitece – para adormecer ouvindo a faixa que fecha o álbum, “Don’t Hide”.
Antes disso, lá pelas quatro horas, aparecem “Only With You” com seu piano de fazer pedra chorar e “Cells”, de violão marcante e guitarras rasgadas. O contraste fica marcado por essas músicas terem sido colocadas entre “Slow Fade” e “Feel”, que lembram de onde saiu o tal power pop que marcou os 15 anos de carreira da banda. Só que hoje Norman Blake, Gerry Love e Raymond McGinley já não levam mais ninfas a shows de heavy-metal, muito menos roubam carros para levá-las em casa. Eles devem ter percebido que isso, sim, dá cadeia...
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