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Pato Fu
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 20:14
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Do it yourself
Pato Fu transforma-se em quinteto com a incorporação definitiva do tecladista Lulu e lança o disco em que, ao mesmo tempo, consegue soar tão pop e reeditar as invencionices “inconseqüentes” do primeiro álbum da carreira. Toda Cura Para Todo Mal, feito sem pressão de tempo ou gravadora, traz a band amineira de volta e em grande forma. Abonico R. Smith explica o porquê.
Pato Fu teve "todo o tempo do mundo" para gestar o novo disco.
Se você buscava a resposta ao longo de todos esses anos pode finalmente estar próximo(a) de encontrá-la. Afinal, como é o verdadeiro Pato Fu?
Foi preciso um longo intervalo – o maior já dado pela banda até então, em virtude da gravidez de Fernanda Takai – para que os mineiros pudessem enfim se revelar para os fãs. Toda Cura Para Todo Mal (Rotomusic/Sony BMG) é o álbum mais sincero do Pato Fu. Não que os outros não contivessem sua dose de honestidade ou fossem algo explicitamente forjado. Não. Mas este aqui representa o verdadeiro espírito fu.
Primeiro porque foi todo concebido sem a mínima pressa. John ia produzindo tudo de forma lo-fi, em casa. Sem tempo contado de estúdio, antes e depois do parto da filha, durante outros trabalhos de produção [Arnaldo Baptista, Wonkavision]. Sem pressão de gravadora. Aliás, sem gravadora ou pressa para encontrar uma antes de que todo o material estivesse pronto. Talvez por isso mesmo Toda Cura... lembre muito o primeiro álbum do grupo, Rotomusic de Liquidificapum. Ambos foram feitos de forma 100% independente e depois negociados com gravadoras – Rotomusic... com a loja/selo mineiro Cogumelo, especializado em metal; Toda Cura... fez uma “peregrinação major”: ameaçou ir para a EMI e depois para a Warner, mas acabou ficando com a Sony BMG.
Como não estamos mais no ano de 1993, contudo, a experiência dos músicos e o avanço brutal da tecnologia afastaram qualquer sinal de tosqueira. Como atestam faixas mais próximas à sonoridade “inconseqüente”do trabalho de estréia, como a instrumental “!” e a pancadaria eletrônica de “Estudar Pra Quê?” [aqui os versos remetem, inclusive, à ironia e sintetização de doze anos atrás: “Quem mexe com internet/ Fica bom em quase tudo/ Quem tem computador/ Nem precisa de estudo/ (...) Quem mexe com internet/ Fica rico sem sair de casa/ Quem tem computador/ Não precisa de mais nada/ Estudar pra quê?”].
A grande diferença é que o Pato Fu de hoje – agora acrescido oficialmente do tecladista Lulu Camargo, que foi do Karnak e tocava com a banda desde a gravação do disco MTV Ao Vivo, em 2002 – não quer mais negar o Pato Fu de antes. Primeiro porque e quase meia década separa o novo disco do último de inéditas. E também porque a banda já foi comparada a tanta coisa e gente, já fez um pouco de tudo [eletrônico, Mutantes, trip hop, j-pop, britpop e alguns etecéteras], que hoje ela sabe ser simplesmente pop. Compõe naturalmente refrões, riffs e pontes perfeitas para tocar no rádio. Não importa se a faixa é um funkaço a la Jackson 5 fase Motown [“Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié”], traz fortes ecos de Roberto Carlos early seventies [“Agridoce”], soul orquestrado [“Vida Diet”] ou balada [“Simplicidade”, “Anormal”]. Você embarca junto e já sai cantando.
Por causa do savoir faire equilibrado entre o pop e o conceitual e da total falta de pressão para compor o disco que tem mais cara e jeito de Pato Fu, Toda Cura Para Todo Mal comprova que é possível [sobre]viver com dignidade e qualidade na selvageria do mercado fonográfico mainstream nacional. Sobretudo quando o do-it-yourself se encontra com o be yourself.
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