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Irmãos Rocha!

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Pancadaria monolítica dos “irmãos" com exclamação mostram uma nova face do rock alternativo gaúcho.

Pedra sobre pedra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Composições curtas, que oscilam entre o nonsense e o ridículo. Pancadaria monolítica. Obras frenéticas e primais. Assim são os Irmãos Rocha!, quarteto que aposta no rock básico, furioso e quase infantil dentro de uma cena com sotaque bem diferente. Rafael Guedes ouviu o álbum de estréia, Queda e Ascensão dos Irmãos Rocha!, e vaticina: ter essa atitude esquisita pode trazer muitos benfícios. Sobretudo aos ouvidos.

Irmãos Rocha!: batismo veio da dupla de personagens pré-históricos da Corrida Maluca.

Que o rock gaúcho tenha a mais sólida, amada e auto-sustentável cena artística disso ninguém duvida. Mas diferenciar-se de uma manada de bandas que fazem um rock com sotaque gaúcho, descendente da jovem guarda brasileira e revisitando a psicodelia de Sanfran dos diluídos anos 60, parece ser o maior desafio dos Irmãos Rocha! [“Irmãos Rocha! é com exclamação”, diz o encarte]. É claro que eles não dão a mínima pra isso. Uma banda que oferece uma galeria de composições oscilando entre o nonsense e o ridículo não se preocupa em ser a exceção – contanto que a cerveja não acabe.

Você não vai gastar mais que trinta minutos para curtir o rock primal e quase infantil dos “irmãos que não são irmãos”. Um rock alienado, descerebrado, adolescente, estúpido e genial. Queda e Ascensão dos Irmãos Rocha! (Monstro) tem pouco mais de meia-hora de duração e vinte composições, que variam de um minuto e meio a dois minutos e meio. Urgência é o rompante com que Bel Rocha, o letrista gaúcho mais feliz depois de Flávio Basso, blinda-se para rabiscar pequenas composições que trazem, nas idéias e no ritmo, um fundo ridículo-existencial: a vida está em um suicídio na calçada, em atitude zen-noção ou na psicodelia barata [Bel Rocha é freqüentador da comunidade Eu Odeio o Novo Colomy, no Orkut]?

Diego Medina, o astro wannabe da comunidade gaudéria, ganha espaço na regravação de “Vem Delícia”, hino d’Os Massa – cuja letra, brilhante do começo ao fim, consiste na repetição doentia e desleixada do mantra “Vem, vem, vem, vem delícia!/ Vem que eu quero te amar!”. Pouco importa a autoria, o negócio é puro Irmãos Rocha!. “Uma Coisa Medonha” poderia ser a composição “séria” dos Irmãos. Poderia, não fosse o tom gonzo com que o sujeito narra uma aventura psicodélica-espacial em uma viagem na maionese. O instrumental dialoga com os companheiros gaúchos: é um rock de pegada sessentista, com refrão melódico. Como se o Violeta de Outono, patrimônio da psicodelia paulista, cheirasse cola e tocasse Ramones.

“Rock? Salva ninguém!”, berra Mauro Rocha no libelo “Rock”, a música [música?] que resume essa atitude esquisita de se fazer rock básico e furioso na época em que guitarra virou adereço para modistas. Continua confuso, porém urgente: “cara, que mundo é esse que só faz sentido no refrão?”. Coloque Sonics para tocar ao mesmo tempo com Cascavelletes – e nem chega perto de responder. Irmãos Rocha! é rock pedregulho, duro como uma rocha [ops!]. Diferente de tudo que se faz hoje, mas tão básico e frenético como deveria ser desde que Chuck Berry plugou sua guitarra.


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