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Dalton Trevisan

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Criador das histórias da Curitiba dos excluídos comemora 80 anos com título inédito e coletânea de contos.

O retorno do vampiro

Ele não dá entrevistas, não se deixa fotografar, não vai a feiras literárias. Mantém-se misterioso e enigmático como muitos de seus personagens. Aos 80 anos recém-completados, Dalton Trevisan brinda os leitores com um livro inédito, Rita Ritinha Ritona. De quebra, seleciona um pouco do melhor de sua obra para a coletânea 33 Contos Escolhidos. Fabricio Muller analisa os lançamentos do escritor da Curitiba obscura e povoada pelos tipos que nunca ganharão a luz dos holofotes.

Carreira literária de Dalton é revista por seleção de contos feita pelo próprio autor.

Dalton Trevisan Desde sua estréia em Novelas Nada Exemplares, de 1959, um dos mais importantes escritores do país – o curitibano Dalton Trevisan – povoa suas histórias com o lado obscuro de sua cidade natal. A vida das prostitutas, dos boêmios, das mulheres abandonadas e dos enjeitados é o tema principal de seus contos quase sempre curtos, poucas vezes passando de dez páginas. Segundo ele, para ter liberdade de movimento entre as pessoas que servirão de matéria-prima para suas histórias, Trevisan leva sua vida completamente afastado da mídia. Não dá entrevistas, nunca vai a feiras literárias, não se deixa fotografar.

Lançada recentemente pela Editora Record, a compilação 33 Contos Escolhidos (272 páginas) é uma excelente introdução à obra deste autor importantíssimo. Dispostas em ordem cronológica e escolhidas pelo próprio Dalton, as histórias do livro mostram uma Curitiba bastante diferente daquela da propaganda oficial. A capital do Paraná, na visão do escritor, é a cidade das prostitutas do Passeio Público, dos maridos adúlteros que voltam para casa bêbados de madrugada, dos casais que se odeiam, dos jovens viciados em crack.

Sob pena de cometer alguma injustiça, fica até difícil escolher os melhores contos em uma coletânea de tão alto nível literário. De todo o modo, entre os pontos altos indiscutíveis pode-se apontar o arrependimento de Nelsinho, o famoso "Vampiro de Curitiba" [na verdade, apenas um marido adúltero e tarado] em “A Noite da Paixão”; a fantástica noite de aventuras dos boêmios em “Esta Noite Nunca Mais”; a ao mesmo tempo pungente e angustiante conversa de amigos de “O Quinto Cavalheiro do Apocalipse”; a triste história do aborto de “O Menino de Natal”; e a irônica e ácida história de uma professora feminista que se apaixona por um aluno brucutu em “Capitu Sou Eu”.

Se, por um lado, a concisão é uma característica comum de todos os 33 “contos escolhidos”, por outro, as mudanças no estilo do autor à medida em que o tempo foi passando são evidentes. Os contos iniciais – os mais antigos – são literariamente mais elaborados apresentando, com freqüência, frases poéticas de efeito dramático ou irônico [alguns exemplos: "O amor é uma corruíra no jardim – de repente ela canta e muda toda a paisagem", em “A Faca no Coração”; "Ó prazeres no leito de tão pouca dura", em “A Doce Inimiga”; "Direto ao banheiro, que água lavaria a imundície da alma?", em “O Maior Tarado da Cidade”]. Já os mais recentes possuem estrutura mais simples e linguajar mais direto.

Outra característica interessante da evolução de Dalton é na temática. Em seus primeiros contos a Curitiba é praticamente uma cidade do interior, com suas polaquinhas e seus boêmios que deixam suas pobres mulheres sozinhas em casa. Já na produção mais recente aparecem personagens de uma nova cidade: moças modernas e independentes, dependentes de crack, evangélicos...

E é neste estilo, quase jornalístico e mostrando as mazelas da vida moderna, que se pode enquadrar a grande maioria das histórias de Rita Ritinha Ritona (Editora Record, 125 páginas), o novo lançamento de Dalton Trevisan.

Alguns dos contos – como “O Gringo” e principalmente “Maria, Sua Criada”, que conta a história de uma imigrante nordestina batalhadora – são inesperadamente belos e doces. Muito interessantes também são o conto que dá título ao livro, no qual uma moça independente literalmente se anula por causa do noivo conservador; o erótico “O Mestre e a Aluna”, que mostra o relacionamento sexual intenso e controverso de um professor com sua pupila; “Filho Ingrato”, onde Dalton Trevisan, com oitenta anos recém-completados, insinua que os velhos nem sempre são mais dignos de respeito que os mais novos; e “Adeus, Vampiro”, com Nelsinho, o "Vampiro de Curitiba", se apresentando totalmente decadente – aqui o autor revive o estilo literário do início de sua carreira.

Rita Ritinha Ritona também tem dois poemas: os chocantes e melancólicos “Balada das Mocinhas do Passeio” e “Amintas 749”. Já outros contos, entretanto, são secos e frios: histórias tristes e sem esperança de estupros, viciados ou presidiários, que mais parecem reportagens policiais do que contos de um grande escritor. Também deslocado no livro é “Duas Normalistas”. Tirando a pornografia, nada sobra nele.

No todo, Rita Ritinha Ritona é um lançamento menor dentro da vasta obra de Dalton Trevisan. O que, obviamente, não quer dizer que ele seja ruim Muito pelo contrário...


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Comentarios (1)Add Comment
0
ruim de mais
escrito por lucia, 01 de outubro de 2008
isso tudo está horrivel,procurem melhorar.............

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