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Ao Vivo - Bananada 2005
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 19:16
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Sétima edição do festival goiano contou com 42 bandas e mais algumas surpresas e momentos de insanidade.
Bananada 2005Centro Cultural Martim Cererê [Goiânia] :: 20 a 22.05.05
Autoramas, Mechanics & Os Legais e Mordida nos palcos do Martim Cererê.
Após um atraso de mais de três horas, conseguimos chegar em Goiânia Rock City. Pra esquecer o cansaço de quase 16 horas e meia de viagem, ônibus quebrando de tempos e tempos, nada melhor do que mais sete horas seguidas de rock’n’roll da melhor qualidade.
Por causa do atraso, não foi possível ver os shows dos goianos SpinApple, Actemia e Demosonic. Já os catarinenses nonsense d’Os Legais simplesmente deixaram a música de lado para promover o caos no palco. Com músicas de títulos pouco usuais [como "Cutuca Com a Agulha de Crochê" e "Entra Seco e Sai Sangrando"], a dupla – isso mesmo, pois guitarrista e vocalista somente foram conhecer o restante da banda na hora do “show” – subiu aos palcos do teatro Pyguá munida de megafone e pacotes de isopor. No final o que se viu foi um mar de isopor e o teatro completamente sujo.
Fuzzly [MT] mostrou peso em um som que beirava o nü metal. Conseguiu animar os poucos presentes, mas não supreendeu. O Cadabra, banda de Brasília liderada pelas oscilações vocais de Grilo, apresentou um rockão nervoso com influências de Soundgarden e Faith No More. Tocou basicamente músicas do primeiro disco, Solstício.
Forte no cenário goiano, o Réu & Condenado fez uma apresentação morna. A noite começou a esquentar ao som do britpop do Barfly, também de lá. Eles tocaram músicas do disco Days Should Make You Smile. Para se ter idéia da boa execução das músicas pelos goianos, o hit "Down" até parecia playback. Como foi dito, só parecia.
A grande revelação da primeira noite foi o grupo carioca Moptop. No começo da noite, em uma conversa rápida, o produtor e agitador cultural Carlos Eduardo Miranda destacou a banda e se mostrou curioso em vê-los ao vivo. Dica dada e confirmada, o grupo apresentou músicas de seu primeiro trabalho, como "Moonrock", "Tão Certo" e "Ninguém Pra Te Esquecer". E agradou. Influências do “novo rock” dos Strokes, letras sobre relacionamentos e momentos que chegaram lembrar os britânicos do Supergrass marcaram o som da banda.
Continuando em território carioca, foi a vez do Canastra mandar seu rock’n’roll altamente influenciado por Squirrel Nut Zippers [fato que foi confidenciado à equipe pelo vocalista Renato Martins como o motivo da fundação da banda. “Foi ouvir Squirrel Nut Zippers no carro do Miranda e minha vida mudou”, disse]. O imponente baixo acústico branco e o visual rockabilly tropiacal do baixista Edu Vilamaior já deixavam bem claro o que estava por vir. Com set list quase todo composto por músicas do álbum de estréia Traz a Pessoa Amada em 3 Dias, eles transformaram o teatro Pyguá em um autêntico baile anos 60. Os melhores momentos foram "Diabo Apaixonado", "Meu Cappuccino", "Eu Te Disse" e "Xeque Mate", destaque para o baterista Marcelo Callado.
Três pessoas no palco. Mas uma bateria, um baixo e uma viola? Acreditem, essa era a formação da segunda revelação da noite, o Zeferina Bomba [PB]. Com uma viola ligada na distorção, eles fizeram muito barulho, punk, pós-punk, chamem do que quiser. No final do show, a conclusão de que não é só o Jack White que consegue ser violento com uma viola na mão. Rock!
O Violins mais uma vez subiu ao palco para desferir suas músicas cheias de melodias e carregadas de emoções. O grupo goiano aproveitou para apresentar aos presentes músicas do seu segundo álbum, Grandes Infiéis, recém-lançado pela Monstro.
A catarse da noite foi o também local Hang The Superstars. Ir a um festival de rock em Goiânia e não assistir a uma apresentação do HTS é a mesma coisa que não ir. Os caras têm um público fiel que canta música por música e se acaba em moshes durante toda a apresentação. Hits como "Let’s Scream Babe", "Pussy Control" e "Here’s Not London" levaram o público presente no teatro Yguá ao delírio. Foi o suficiente para instigar algumas pessoas a subirem na torre de som e saltar na galera. Isso sem contar a performance insana do baterista, que tocava de olhos vedados. Rock do capeta!
Para fechar a primeira noite de muito rock estavam os Autoramas. Velhos conhecidos no cenário alternativo brasileiro e prestes a lançar uma coletânea de raridades e sucessos, também pela Monstro, eles fizeram um ótimo show. Com guitarra e baixo ligados no talo, os cariocas mandaram um hit atrás do outro "Você Sabe", "Rei da Implicância", "Carinha Triste", "Nada a Ver" [com a perfeita reprodução dos efeitos espaciais da guitarra de Gabriel] e "Fale Mal de Mim". De quebra, uma inédita, "Mundo Moderno". Até homenagem aos punks japoneses do Guitar Wolf teve no show, com o cover de "Energy Ice". Fim de noite, cabeça estourando de dor, cansaço físico no limite, mas uma boa dose de rock na orelha. Muito bom!
Androginia cult
Sábado teve um grande público circulando pelo Martim Cererê. Mesmo com os shows rolando dentro dos teatros Pyguá e Yguá, muita gente andava entre as barraquinhas de selos, sebos, camisetas e comida.
A primeira banda a subir no palco do teatro Yguá foi a Technicolor, de Goiânia. Com influências de Nirvana, o show foi um pouco repetitivo. A jovem vocalista Sarah Alencar até agradou os presentes ao soltar gritos guturais. A parte mais interesante foi quando a pequena Sarah tocou flauta, mostrando ter talento. O grupo tocou músicas de seu CD demo lançado pelo selo Beacid, também da cidade.
E eis que surgiu a primeira surpresa da noite. Também com um disco demo lançado pelo selo Beacid, os goianos do The Ugly agradaram os presentes com suas músicas ao melhor estilo Radiohead. O quarteto stoner paulista Ästerdon deu uma injetada de ânimo na galera do teatro Pyguá com um rockão poderoso. Os caras tocaram as cinco músicas da demo "It Had To Start Somewhere" e mais duas, "True Sounds" e "Music Sweet Music". No final, o vocalista Viegas fez um performance pirofágica. Pose? Talvez, mas a galera de "Goiânia rock city" aprovou.
Enquanto o clima esquentava no teatro Pyguá, o folk rock do Vanguart [MT] acalmava um pouco os ânimos da platéia, mas sem deixar de hipnotizar alguns presentes. Folk rock classudo, influenciado por Tim Buckley, Nick Drake e Bob Dylan. O vocal de Hélio Flanders, combinado ao seu violão e gaita fizeram o clima da apresentação. Os caras arrancaram elogios de boa parte do público. Outra parte não gostou muito do estilo mais calmo da banda, mas o rock é assim. Mas não esqueça esse nome: Vanguart é uma das bandas da vez. Corra atrás.
Após a calmaria folk veio uma seqüência de pedradas na orelha: Olho de Peixe [GO], Iguanas [RJ] e Deceivers [DF]. Cada uma das bandas conseguiu agitar a galera com pesos em estilos diferentes. A Olho de Peixe, de som mais trabalhado e letras “cabeça”, por alguns momentos lembrou os norte-americanos do Tool. Os Iguanas mandaram um hardcore, proporcionando a primeira seqüência de moshes da noite e uma respeitável roda de pogo. Já os brasilienses roubaram a cena. Com um som pesado que varia do thrash ao nu metal, o Deceivers conseguiu deixar a molecada do teatro Pyguá ensandecida.
A grande decepção da noite foi o grupo paulistano Continental Combo. Os caras não conseguiram impressionar muito com seu pop rock, que, apesar de bem executado, não mostrou nada de excepcional. Um verdadeiro balde de água fria na molecada. Para reacender a galera, Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. Deu pra notar que a androginia do grupo caiu de vez no gosto do público goiano. Em mais uma boa apresentação, o glam/punk/rock dos paulistanos já garantiu uma "quebradeira" na platéia com "Babe". Os momentos apoteóticos vieram com os hits "A Vaca (I´ll Be a Cow For You)", cantado em uníssono pela galera, e – após muitos pedidos – "Onde Estão as Flores da sua Cabeça?", música com direito a invasão de palco [maioria feminina] e Daniel pulando do palco. Para colocar tudo de vez abaixo, "I Don´t Care" fechou mais um excelente show do DB&CF.
Os também paulistanos do Abimonistas surpreenderam a muitos com seu som cheio de experimentalismo. Na tentativa de “abimonizar” os presentes, Bruno Torturra iniciou o show com uma introdução/pregação. Em seguida, o som do teclado de Guilherme Garbato, em "Varas e Cruzes", contagiou os presentes. O show foi inteiro composto por músicas do álbum Só o Abimonismo Salva.
Obedecendo o slogan do Bananada 2005, o bicho pegou no teatro Pyguá quando tocaram os “donos da festa”, o MQN. Pra se ter idéia, as portas ficaram fechadas por mais tempo para que todos pudessem chegar a tempo de um teatro ao outro. Logo ao entrar no palco, Fabrício Nobre já instigava a galera perguntando "Está calor aqui né? Assim que é bom!". "Let It Rock" mostrou ao público que a banda de Nobre está afinadíssima. E começou cedo a catarse coletiva: moshes e rodas de pogo na segunda música, "Hard Times". Em seguida vieram "Heart Of Stone", "Caribbean Beach", "Come Into This Place Called Hell". Uma parada pra respirar? Que nada... Nobre puxou o coro e mandou a poderosa "Cold Queen".Aí não teve jeito: o vocalista se arrebentou – e com gosto – no meio da galera. "Red Pills" e "Burn" se encarregaram de fechar com chave de ouro a apresentação mais encapetada da segunda noite. Rock!
Antes da última apresentação do sábado, o rock escracho dos Rollin’ Chamas mantinha a tradição dos festivais da Monstro. Estava tudo lá: churrasquinho, megadrive, um sofá para os amigos, e claro, o bom e velho rock’n’roll. Então chegaram os onipresentes Astronautas. Os pernambucanos radicados em São Paulo mostraram ser uma das bandas mais profissionais do meio. Luzes apagadas, sampler comendo, eis que entram os Astronautas com luzes piscando na cabeça. Os primeiros petardos são "Tecnologia", "Psicodelia" e "Comunicação em Bossa Moderna". O show faz parte da turnê de divulgação do álbum Electro-Cidade, que já ganhou uma reedição especial, com três clipes bônus.
Após dominarem o ambiente do festival [era impossível não encontrar alguém vestido com uma camiseta dos caras no Martim Cererê], desferiram um rock industrial poderoso cheio de samples e tecnologia. Os grandes momentos foram em "Cidade Cinza", "Nós Robôs" e "Não Faço Nada". Em "Revólver #3", André Frank resolveu homenagear Joey Ramone e mandou no meio da música cover de "Blitzkrieg Bop". Em seguida, mais uma homenagem: "Let It Rock", do MQN, com participação especial de Fabrício Nobre. Em seguida, para manter a tradição, mais um cover: dessa vez uma versão rock para "The Robots", do Kraftwerk. No bis, novamente "Cidade Cinza" e todos foram embora com a certeza de que sábado foi um ótimo dia para cair no rock!
De volta ao passado
Última noite. Após um sábado arrebatador, o domingo começou morno. Os três primeiros shows da noite novamente foram de bandas locais. Peregrinos, Seven e WC Masculino não surpreenderam, mas garantiram a animação do público que começava a aumentar.
Os Dead Rocks, de São Paulo, trouxeram na bagagem uma surf music sem muitas pretensões. Agradaram mas não chegaram a empolgar. No teatro Yguá subia ao palco Madame Saatan [PA]. Liderados pela vocalista Sammliz, a banda mostrou que existe som pesado de alta qualidade, com um vocal feminino poderoso. O único ponto fraco foi a presença de palco. Afinal, faltou um pouco de interação com o público.
Já no Pyguá o clima era outro. O Mordida trouxe de Curitiba um pouco de Jovem Guarda e psicodelia dos anos sessenta. Além do visual retrô, a formação de dois rapazes [Marcelo Guedes, bateria, e Pauloh de Nadal, voz e guitarra] e duas garotas [Claudia Candy, teclados, e Isis Vareschi, voz e meia-lua], também traz semelhanças com os gaúchos da Bidê ou Balde. Eles tocaram músicas que farão parte do primeiro álbum oficial, ainda em fase de produção. Algumas das canções – como "Judy" e "Sofá Psicobélico" – emlpogaram os presentes, principalmente o pessoal das bandas Volver e Sapatos Bicolores, que se apresentaram dois dias antes junto com os paranaenses na Noite Senhor F, em Brasília.
Mais duas bandas goianas subiram nos palcos dos dois teatros: Ressonância Mórfica e Resistentes. A primeira mandou um hardcore sem muitas novidades. Já a segunda, velha conhecida do cenário, apresentou sua nova vocalista ao público. Na bateria dos Resistentes, outra diferença: Léo Bigode não pôde tocar devido ao nascimento de seu filho.
O Volver foi mais uma surpresa agradável do festival. Com som influenciado por The Who, Jovem Guarda, Beatles e Strokes, os jovens mostraram que não só de mangue beat vive a música de Recife. Quase todas as músicas do primeiro álbum, Canções Perdidas Num Canto Qualquer, lançado esse ano pelo selo Senhor F Discos, estiveram presentes no set. Bruno Souto [vocal e guitarra], Diógenes Baptisttella [guitarra], Fernando Barreto [baixo] e Doug [bateria] colocaram o teatro Yguá para dançar.
Os paulistanos do Fr!la foi mais uma banda que, apesar de competente, não impressionou com seu emocore. De volta ao teatro Yguá para mais 40 minutos de dança ao som dos Sapatos Bicolores [DF]. O show contou com músicas do luxuoso Clube Quente dos Sapatos Bicolores, álbum lançado pela Monstro. Músicas como "Garota cor-de-fogo", "Mulher não tem Alma", "A cobrar" e "Bolinhas Brancas", foram cantadas em alto e bom som pelos presentes, garantindo a animação da noite. Rock para dançar!
Com certeza, o momento mais insano e doentio do Bananada 2005 aconteceu no show do Mechanics. Liderados por Márcio Jr, os goianos conseguiram incendiar o palco com um stoner rock infernal. "I Wanna Be", "Satan’s Surf" e um cover de "Problem", dos Sex Pistols, serviram para preparar os presentes para o momento mais demente do festival, em "Formigas Comem Porra" com participação especial d’Os Legais. Se no primeiro dia de apresentação, eles inundaram o teatro com isopor, desta vez os catarinenses estavam possuídos pelo demônio. Foi começar a música e a porrada literalmente comeu solta no palco, com os dois convidados se batendo no palco, gritando a música, simulando sexo e derrubando Márcio no chão. Para coroar toda essa insanidade, um dos Legais terminou a participação com a cueca arrancada por seu companheiro de grupo. Após a música, o balanço final: palco quase destruído, inundado de isopor e páginas de revista pornô [parte do figurino dos Legais], público estarrecido. Ainda sobrou fôlego para o Mechanics fechar o show com "Sex Misery Machine".
A noite ia chegando ao fim. Enquanto uma fila já se formava na porta do Pyguá para ver Júpiter Maçã, no outro teatro o Valentina [GO] mostrava seu rock com influências diretas de Placebo. Bandeirinhas, muitas pessoas ao lado do palco e o visual glam dos integrantes da banda marcaram a apresentação do grupo.
Para por fim ao Bananada desse ano, o gaúcho Júpiter Maçã dividiu opiniões. Fãs em transe vibravam a cada música. Já quem não conhecia ou não gostava foi deixando aos poucos o festival. Músicas mais recentes como "A Marchinha Psicótica de Doutor Stu" e "Síndrome de Pânico" se misturaram a antigos hinos como "Um Lugar do Caralho" [cantada em uníssono], "O Novo Namorado" e "Essência Interior". Cada vez que Flavio Basso ameçava ir embora, a platéia gritava para ficar mais. E as pessoas não saíam dali até que os pedidos fossem atendidos.
Assim terminou mais uma edição do Bananada: aproximadamente 24 horas de rock divididas em 42 bandas e três dias de festival. Agora é só se preparar para o Goiânia Noise. Rock!
Bruno Dias e Cirilo Dias - resenha gentilmente cedida pelo site Urbanaque
Por causa do atraso, não foi possível ver os shows dos goianos SpinApple, Actemia e Demosonic. Já os catarinenses nonsense d’Os Legais simplesmente deixaram a música de lado para promover o caos no palco. Com músicas de títulos pouco usuais [como "Cutuca Com a Agulha de Crochê" e "Entra Seco e Sai Sangrando"], a dupla – isso mesmo, pois guitarrista e vocalista somente foram conhecer o restante da banda na hora do “show” – subiu aos palcos do teatro Pyguá munida de megafone e pacotes de isopor. No final o que se viu foi um mar de isopor e o teatro completamente sujo.
Fuzzly [MT] mostrou peso em um som que beirava o nü metal. Conseguiu animar os poucos presentes, mas não supreendeu. O Cadabra, banda de Brasília liderada pelas oscilações vocais de Grilo, apresentou um rockão nervoso com influências de Soundgarden e Faith No More. Tocou basicamente músicas do primeiro disco, Solstício.
Forte no cenário goiano, o Réu & Condenado fez uma apresentação morna. A noite começou a esquentar ao som do britpop do Barfly, também de lá. Eles tocaram músicas do disco Days Should Make You Smile. Para se ter idéia da boa execução das músicas pelos goianos, o hit "Down" até parecia playback. Como foi dito, só parecia.
A grande revelação da primeira noite foi o grupo carioca Moptop. No começo da noite, em uma conversa rápida, o produtor e agitador cultural Carlos Eduardo Miranda destacou a banda e se mostrou curioso em vê-los ao vivo. Dica dada e confirmada, o grupo apresentou músicas de seu primeiro trabalho, como "Moonrock", "Tão Certo" e "Ninguém Pra Te Esquecer". E agradou. Influências do “novo rock” dos Strokes, letras sobre relacionamentos e momentos que chegaram lembrar os britânicos do Supergrass marcaram o som da banda.
Continuando em território carioca, foi a vez do Canastra mandar seu rock’n’roll altamente influenciado por Squirrel Nut Zippers [fato que foi confidenciado à equipe pelo vocalista Renato Martins como o motivo da fundação da banda. “Foi ouvir Squirrel Nut Zippers no carro do Miranda e minha vida mudou”, disse]. O imponente baixo acústico branco e o visual rockabilly tropiacal do baixista Edu Vilamaior já deixavam bem claro o que estava por vir. Com set list quase todo composto por músicas do álbum de estréia Traz a Pessoa Amada em 3 Dias, eles transformaram o teatro Pyguá em um autêntico baile anos 60. Os melhores momentos foram "Diabo Apaixonado", "Meu Cappuccino", "Eu Te Disse" e "Xeque Mate", destaque para o baterista Marcelo Callado.
Três pessoas no palco. Mas uma bateria, um baixo e uma viola? Acreditem, essa era a formação da segunda revelação da noite, o Zeferina Bomba [PB]. Com uma viola ligada na distorção, eles fizeram muito barulho, punk, pós-punk, chamem do que quiser. No final do show, a conclusão de que não é só o Jack White que consegue ser violento com uma viola na mão. Rock!
O Violins mais uma vez subiu ao palco para desferir suas músicas cheias de melodias e carregadas de emoções. O grupo goiano aproveitou para apresentar aos presentes músicas do seu segundo álbum, Grandes Infiéis, recém-lançado pela Monstro.
A catarse da noite foi o também local Hang The Superstars. Ir a um festival de rock em Goiânia e não assistir a uma apresentação do HTS é a mesma coisa que não ir. Os caras têm um público fiel que canta música por música e se acaba em moshes durante toda a apresentação. Hits como "Let’s Scream Babe", "Pussy Control" e "Here’s Not London" levaram o público presente no teatro Yguá ao delírio. Foi o suficiente para instigar algumas pessoas a subirem na torre de som e saltar na galera. Isso sem contar a performance insana do baterista, que tocava de olhos vedados. Rock do capeta!
Para fechar a primeira noite de muito rock estavam os Autoramas. Velhos conhecidos no cenário alternativo brasileiro e prestes a lançar uma coletânea de raridades e sucessos, também pela Monstro, eles fizeram um ótimo show. Com guitarra e baixo ligados no talo, os cariocas mandaram um hit atrás do outro "Você Sabe", "Rei da Implicância", "Carinha Triste", "Nada a Ver" [com a perfeita reprodução dos efeitos espaciais da guitarra de Gabriel] e "Fale Mal de Mim". De quebra, uma inédita, "Mundo Moderno". Até homenagem aos punks japoneses do Guitar Wolf teve no show, com o cover de "Energy Ice". Fim de noite, cabeça estourando de dor, cansaço físico no limite, mas uma boa dose de rock na orelha. Muito bom!
Androginia cult
Sábado teve um grande público circulando pelo Martim Cererê. Mesmo com os shows rolando dentro dos teatros Pyguá e Yguá, muita gente andava entre as barraquinhas de selos, sebos, camisetas e comida.
A primeira banda a subir no palco do teatro Yguá foi a Technicolor, de Goiânia. Com influências de Nirvana, o show foi um pouco repetitivo. A jovem vocalista Sarah Alencar até agradou os presentes ao soltar gritos guturais. A parte mais interesante foi quando a pequena Sarah tocou flauta, mostrando ter talento. O grupo tocou músicas de seu CD demo lançado pelo selo Beacid, também da cidade.
E eis que surgiu a primeira surpresa da noite. Também com um disco demo lançado pelo selo Beacid, os goianos do The Ugly agradaram os presentes com suas músicas ao melhor estilo Radiohead. O quarteto stoner paulista Ästerdon deu uma injetada de ânimo na galera do teatro Pyguá com um rockão poderoso. Os caras tocaram as cinco músicas da demo "It Had To Start Somewhere" e mais duas, "True Sounds" e "Music Sweet Music". No final, o vocalista Viegas fez um performance pirofágica. Pose? Talvez, mas a galera de "Goiânia rock city" aprovou.
Enquanto o clima esquentava no teatro Pyguá, o folk rock do Vanguart [MT] acalmava um pouco os ânimos da platéia, mas sem deixar de hipnotizar alguns presentes. Folk rock classudo, influenciado por Tim Buckley, Nick Drake e Bob Dylan. O vocal de Hélio Flanders, combinado ao seu violão e gaita fizeram o clima da apresentação. Os caras arrancaram elogios de boa parte do público. Outra parte não gostou muito do estilo mais calmo da banda, mas o rock é assim. Mas não esqueça esse nome: Vanguart é uma das bandas da vez. Corra atrás.
Após a calmaria folk veio uma seqüência de pedradas na orelha: Olho de Peixe [GO], Iguanas [RJ] e Deceivers [DF]. Cada uma das bandas conseguiu agitar a galera com pesos em estilos diferentes. A Olho de Peixe, de som mais trabalhado e letras “cabeça”, por alguns momentos lembrou os norte-americanos do Tool. Os Iguanas mandaram um hardcore, proporcionando a primeira seqüência de moshes da noite e uma respeitável roda de pogo. Já os brasilienses roubaram a cena. Com um som pesado que varia do thrash ao nu metal, o Deceivers conseguiu deixar a molecada do teatro Pyguá ensandecida.
A grande decepção da noite foi o grupo paulistano Continental Combo. Os caras não conseguiram impressionar muito com seu pop rock, que, apesar de bem executado, não mostrou nada de excepcional. Um verdadeiro balde de água fria na molecada. Para reacender a galera, Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. Deu pra notar que a androginia do grupo caiu de vez no gosto do público goiano. Em mais uma boa apresentação, o glam/punk/rock dos paulistanos já garantiu uma "quebradeira" na platéia com "Babe". Os momentos apoteóticos vieram com os hits "A Vaca (I´ll Be a Cow For You)", cantado em uníssono pela galera, e – após muitos pedidos – "Onde Estão as Flores da sua Cabeça?", música com direito a invasão de palco [maioria feminina] e Daniel pulando do palco. Para colocar tudo de vez abaixo, "I Don´t Care" fechou mais um excelente show do DB&CF.
Os também paulistanos do Abimonistas surpreenderam a muitos com seu som cheio de experimentalismo. Na tentativa de “abimonizar” os presentes, Bruno Torturra iniciou o show com uma introdução/pregação. Em seguida, o som do teclado de Guilherme Garbato, em "Varas e Cruzes", contagiou os presentes. O show foi inteiro composto por músicas do álbum Só o Abimonismo Salva.
Obedecendo o slogan do Bananada 2005, o bicho pegou no teatro Pyguá quando tocaram os “donos da festa”, o MQN. Pra se ter idéia, as portas ficaram fechadas por mais tempo para que todos pudessem chegar a tempo de um teatro ao outro. Logo ao entrar no palco, Fabrício Nobre já instigava a galera perguntando "Está calor aqui né? Assim que é bom!". "Let It Rock" mostrou ao público que a banda de Nobre está afinadíssima. E começou cedo a catarse coletiva: moshes e rodas de pogo na segunda música, "Hard Times". Em seguida vieram "Heart Of Stone", "Caribbean Beach", "Come Into This Place Called Hell". Uma parada pra respirar? Que nada... Nobre puxou o coro e mandou a poderosa "Cold Queen".Aí não teve jeito: o vocalista se arrebentou – e com gosto – no meio da galera. "Red Pills" e "Burn" se encarregaram de fechar com chave de ouro a apresentação mais encapetada da segunda noite. Rock!
Antes da última apresentação do sábado, o rock escracho dos Rollin’ Chamas mantinha a tradição dos festivais da Monstro. Estava tudo lá: churrasquinho, megadrive, um sofá para os amigos, e claro, o bom e velho rock’n’roll. Então chegaram os onipresentes Astronautas. Os pernambucanos radicados em São Paulo mostraram ser uma das bandas mais profissionais do meio. Luzes apagadas, sampler comendo, eis que entram os Astronautas com luzes piscando na cabeça. Os primeiros petardos são "Tecnologia", "Psicodelia" e "Comunicação em Bossa Moderna". O show faz parte da turnê de divulgação do álbum Electro-Cidade, que já ganhou uma reedição especial, com três clipes bônus.
Após dominarem o ambiente do festival [era impossível não encontrar alguém vestido com uma camiseta dos caras no Martim Cererê], desferiram um rock industrial poderoso cheio de samples e tecnologia. Os grandes momentos foram em "Cidade Cinza", "Nós Robôs" e "Não Faço Nada". Em "Revólver #3", André Frank resolveu homenagear Joey Ramone e mandou no meio da música cover de "Blitzkrieg Bop". Em seguida, mais uma homenagem: "Let It Rock", do MQN, com participação especial de Fabrício Nobre. Em seguida, para manter a tradição, mais um cover: dessa vez uma versão rock para "The Robots", do Kraftwerk. No bis, novamente "Cidade Cinza" e todos foram embora com a certeza de que sábado foi um ótimo dia para cair no rock!
De volta ao passado
Última noite. Após um sábado arrebatador, o domingo começou morno. Os três primeiros shows da noite novamente foram de bandas locais. Peregrinos, Seven e WC Masculino não surpreenderam, mas garantiram a animação do público que começava a aumentar.
Os Dead Rocks, de São Paulo, trouxeram na bagagem uma surf music sem muitas pretensões. Agradaram mas não chegaram a empolgar. No teatro Yguá subia ao palco Madame Saatan [PA]. Liderados pela vocalista Sammliz, a banda mostrou que existe som pesado de alta qualidade, com um vocal feminino poderoso. O único ponto fraco foi a presença de palco. Afinal, faltou um pouco de interação com o público.
Já no Pyguá o clima era outro. O Mordida trouxe de Curitiba um pouco de Jovem Guarda e psicodelia dos anos sessenta. Além do visual retrô, a formação de dois rapazes [Marcelo Guedes, bateria, e Pauloh de Nadal, voz e guitarra] e duas garotas [Claudia Candy, teclados, e Isis Vareschi, voz e meia-lua], também traz semelhanças com os gaúchos da Bidê ou Balde. Eles tocaram músicas que farão parte do primeiro álbum oficial, ainda em fase de produção. Algumas das canções – como "Judy" e "Sofá Psicobélico" – emlpogaram os presentes, principalmente o pessoal das bandas Volver e Sapatos Bicolores, que se apresentaram dois dias antes junto com os paranaenses na Noite Senhor F, em Brasília.
Mais duas bandas goianas subiram nos palcos dos dois teatros: Ressonância Mórfica e Resistentes. A primeira mandou um hardcore sem muitas novidades. Já a segunda, velha conhecida do cenário, apresentou sua nova vocalista ao público. Na bateria dos Resistentes, outra diferença: Léo Bigode não pôde tocar devido ao nascimento de seu filho.
O Volver foi mais uma surpresa agradável do festival. Com som influenciado por The Who, Jovem Guarda, Beatles e Strokes, os jovens mostraram que não só de mangue beat vive a música de Recife. Quase todas as músicas do primeiro álbum, Canções Perdidas Num Canto Qualquer, lançado esse ano pelo selo Senhor F Discos, estiveram presentes no set. Bruno Souto [vocal e guitarra], Diógenes Baptisttella [guitarra], Fernando Barreto [baixo] e Doug [bateria] colocaram o teatro Yguá para dançar.
Os paulistanos do Fr!la foi mais uma banda que, apesar de competente, não impressionou com seu emocore. De volta ao teatro Yguá para mais 40 minutos de dança ao som dos Sapatos Bicolores [DF]. O show contou com músicas do luxuoso Clube Quente dos Sapatos Bicolores, álbum lançado pela Monstro. Músicas como "Garota cor-de-fogo", "Mulher não tem Alma", "A cobrar" e "Bolinhas Brancas", foram cantadas em alto e bom som pelos presentes, garantindo a animação da noite. Rock para dançar!
Com certeza, o momento mais insano e doentio do Bananada 2005 aconteceu no show do Mechanics. Liderados por Márcio Jr, os goianos conseguiram incendiar o palco com um stoner rock infernal. "I Wanna Be", "Satan’s Surf" e um cover de "Problem", dos Sex Pistols, serviram para preparar os presentes para o momento mais demente do festival, em "Formigas Comem Porra" com participação especial d’Os Legais. Se no primeiro dia de apresentação, eles inundaram o teatro com isopor, desta vez os catarinenses estavam possuídos pelo demônio. Foi começar a música e a porrada literalmente comeu solta no palco, com os dois convidados se batendo no palco, gritando a música, simulando sexo e derrubando Márcio no chão. Para coroar toda essa insanidade, um dos Legais terminou a participação com a cueca arrancada por seu companheiro de grupo. Após a música, o balanço final: palco quase destruído, inundado de isopor e páginas de revista pornô [parte do figurino dos Legais], público estarrecido. Ainda sobrou fôlego para o Mechanics fechar o show com "Sex Misery Machine".
A noite ia chegando ao fim. Enquanto uma fila já se formava na porta do Pyguá para ver Júpiter Maçã, no outro teatro o Valentina [GO] mostrava seu rock com influências diretas de Placebo. Bandeirinhas, muitas pessoas ao lado do palco e o visual glam dos integrantes da banda marcaram a apresentação do grupo.
Para por fim ao Bananada desse ano, o gaúcho Júpiter Maçã dividiu opiniões. Fãs em transe vibravam a cada música. Já quem não conhecia ou não gostava foi deixando aos poucos o festival. Músicas mais recentes como "A Marchinha Psicótica de Doutor Stu" e "Síndrome de Pânico" se misturaram a antigos hinos como "Um Lugar do Caralho" [cantada em uníssono], "O Novo Namorado" e "Essência Interior". Cada vez que Flavio Basso ameçava ir embora, a platéia gritava para ficar mais. E as pessoas não saíam dali até que os pedidos fossem atendidos.
Assim terminou mais uma edição do Bananada: aproximadamente 24 horas de rock divididas em 42 bandas e três dias de festival. Agora é só se preparar para o Goiânia Noise. Rock!
Bruno Dias e Cirilo Dias - resenha gentilmente cedida pelo site Urbanaque
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