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A Fantástica Fábrica de Chocolate

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Tim Burton revê o clássico da Sessão Tarde com fidelidade ao livro e Johnny Depp como um afetado Willy Wonka.

Vale a pena comer de novo

WarnerRoald Dahl não teria mais motivos para reclamar. Tim Burton seguiu fiel à história original do autor e fez da nova versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate um belo e emocionante filme, que substitui e atualiza o longa originalmente produzido em 1971 e reprovado pelo escritor. Johnny Depp cria mais um grande tipo para sua galeria de personagens bizarros: desta vez ele é um Willy Wonka afetado, assexuado, ambígüo e bastante excêntrico. Abonico R. Smith conta o que mudou e Tazinha Pínin relembra o clássico da Sessão da Tarde, protagonizado por Gene Wilder.

Ambos de cartola, os Wonkas de Depp ´[acima] e Wilder mostram sua fábrica de chocolate às crianças e seus responsáveis.

Produzir o remake de algum clássico pode ser uma tremenda armadilha hollywoodiana. Sobretudo se o mesmo clássico há décadas permanece no imaginário coletivo de quem teve infância feliz entre as décadas de 70 e 80, quando os videogames ainda engatinhavam no Brasil, computadores estavam mais para uma peça de ficção científica e a televisão servia como babá eletrônica para as crianças. Como mudar aquilo que já se instaurou nos corações e mentes é complicado, recriar um clássico como A Fantástica Fábrica de Chocolate, soberano supremo das Sessões da Tarde, era um grande risco.

Contudo, a versão que acaba de chegar aos cinemas nacionais passa longe de se tornar uma decepção. Em primeiro lugar porque o roteiro é bastante fiel ao clássico literário de Roald Dahl. Protagonizado pelo comediante Gene Wilder e dirigido por Mel Stuart [veja resenha abaixo], o longa feito em 1971 fugiu tanto da obra de Dahl [teve até o nome original modificado] que gerou tanto ódio no autor, que não liberou mais suas obras – inclusive a seqüência Charlie e o Grande Elevador de Vidro – para outras adaptações cinematográficas. Após muitas negociações, a viúva Felicity, detentora dos direitos, abriu uma exceção para que a Warner tocasse um novo projeto da Fábrica de Chocolate, sob a direção de Tim Burton.

E é exatamente o nome do diretor a peça-chave para o sucesso da refilmagem da história de Charlie Bucket, menino bastante pobre que só come chocolate porque ganha anualmente uma barra de presente de aniversário e acaba sendo um dos cinco premiados com o passaporte para entrar na fábrica de Willy Wonka, que não abre seus portões há quinze anos para visitas externas. Especialista em histórias fantásticas, Burton soube recriar o mundo mágico de um apaixonado por chocolates e guloseimas sem desrespeitar a obra original. Pelo contrário: ainda ressaltou as origens do pequeno Wonka e mostrou como ele se transformou em ser excêntrico e no proprietário de uma misteriosa fábrica.

E se em matéria de excentricidade Tim Burton tem domínio total, quando ele se juna a Johnny Depp, então, o resultado fica melhor ainda. Nesta quarta parceria com o diretor, o ator dá um show no quesito construção de personagem. Em nada o novo Willy Wonka lembra o dândi malvado de Wilder. O visual andrógino reforça a psicodelia colorida encontrada dentro da fábrica: terno de veludo bordô, cabelinho chanel ruivo de franjinhas, luvas a la Michael Jackson. A afetação extrema – nos olhares, gestos e ações – ainda reforça o caráter assexuado do empresário, que há quinze anos só convive com seus milhares de oompa-loompas, seres miniaturizados que estão longe de ser empregados explorados – já que aceitaram sair do continente africano para trabalhar em troca daquilo que é mais valioso para a tribo, o cacau. Mais um acerto para Depp colecionar com orgulho em sua galeria de grandes tipos bizarros, que já tinha Ed Wood, Edward Mãos-de-Tesoura e o pirata Jack Sparrow.

A aflitiva e conflitante relação de Willy com seu pai – um dentista rígido, vivido por Christopher Lee [o astro de antigos filmes de terror já havia sido o pai de Depp em Edward Mãos-de-Tesoura] – torna-se peça chave para compreender as atitudes contraditórias do Wonka de Depp. Ao mesmo tempo em que demonstra repulsa pelas crianças vencedoras do cupom dourado [comentário extremamente pessoal do autor deste texto: também com aqueles meninos e meninas agindo com extrema pretensão e arrogância não é muito difícil pegar antipatia de cara], Willy revela ser uma pessoa doce, perseverante, sonhadora e ingênua – como na hora em que arma um grande espetáculo de recepção ao guloso alemão Augustus Gloop, a mimada Veruca Salt, a winner takes it all Violet Beauregarde, o pedante projeto de hacker Mike Teavee e o quieto e comportado Charlie.

Alías, mais uma vez Freddie Highmore brilha ao lado de Johnny Depp. O menino que já havia roubado a cena como o denso Peter de Em Busca da Terra do Nunca de novo mostra ser, de fato, um grande ator mirim. Seus olhares desconcertantes como o Charlie que deseja um mundo que não pode ter acesso e o sorriso do menino que prefere a família acima de tudo estão entre o ponto alto de sua interpretação, que fica até um pouco apagada durante a visita à Fábrica Wonka – pudera, com tantas guloseimas, rio de chocolate, oompa-loompas mil [todos com a cara do ator Deep Roy, mas cumprindo múltiplas funções e vestidos de forma diferente, ao contrário do primeiro longa] e salas cheias de traquitanas que cabe ao menino apagar-se para dar espaço ao brilho de Wonka e seu mundo particular.E a reboque de Higmore vem ainda David Kelly na pele do simpático vovô Joe.

A direção musical de Danny Elfman, companheiro inseparável de Burton em seus longas, é outro destaque da nova versão. Além dos temas incidentais, Elfman assina uma trilha sonora pop de primeira, deformando seus vocais para que no filme os musicais oompa-loompas apareçam cantando e dançando. Para cada castigo aplicado aos meninos transgressores dentro da fábrica vem um gênero diferente – e com as letras assinadas pelo próprio Roald Dahl, extraídas de trechos . O melhor deles é a faixa feita para Veruca, que segue a melhor escola jingle-jangle psicodélica que vai de Byrds a Cosmic Rough Riders.

Por tudo isso, o novo A Fantástica Fábrica de Chocolate é um filme que emociona como o anterior, faz rir como o anterior, é belo como o anterior e é bem diferente do anterior. Onde antes só tinha Gene Wilder de âncora, desta vez a nmagia é dividida entre diretor, atores principais, músicas de primeira, efeitos especiais e um roteiro fiel ao livro. Roald Dahl, enfim, deve estar bem feliz. Assim como quem sai da sessão do cinema. [ARS]

A Fantástica Fábrica de Chocolate [Charlie And The Chocolate Factory, EUA, 2005]. Direção: Tim Burton. Com Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter, Noah Taylor, Deep Roy, Christopher Lee. Warner. 115 minutos.

Sem restrições para diabéticos

Com o lançamento do remake de Tim Burton para A Fantástica Fábrica de Chocolate, o filme original ganhou novo fôlego nas locadoras e canais de tevê. A saudade dos mais velhos e a curiosidade dos mais jovens assinam embaixo. Mas será que com uma super produção ao alcance do cinema mais próximo valeria a pena buscar outra semelhante já gasta pelo tempo? Vale. Afinal, não se troca uma barra de Diamante Negro por uma de Crunch: saboreia-se as duas...

Dirigido por Mel Stuart, o primeiro filme é de 1971, período no qual – não custa lembrar – efeitos especiais não eram produzidos com o apertar de teclados de hoje. Assim, sem uma mãozinha amiga dos computadores, os roteiros tinham lá suas limitações: a maioria dos cenários, maquilagens, figurinos e personagens não-convencionais acabavam tendo de ser resolvidos no braço. Claro que nem por isso obras visualmente caprichadas e memoráveis não aconteciam – 2001 – Uma Odisséia no Espaço fora feito por Stanley Kubrick apenas três anos antes. A Fantástica Fábrica de Chocolate é outro exemplo de empenho natural que rendeu louros. Esnobado na época do lançamento, seus predicados foram reconhecidos com o tempo, tornando-o um cult com razoável justiça.

A história do original é basicamente a mesma recontada por Burton. Na primeira parte, a corrida pelos golden tickets que dariam chance a cinco crianças de conhecerem a fábrica de doces Wonka, que há muitos anos não recebia visitas externas. Até aí nada que outros filmes voltados a um público relativamente infantil não contenham: alguns discretos números musicais, piadinhas inocentes, um protagonista doce e carismático e antagonistas antipáticos. O segundo momento, quando a narrativa passa para o interior do amalucado estabelecimento, é que torna A Fantástica Fábrica de Chocolate ser o clássico que é.

Até hoje é impossível não encher os olhos [e a boca] diante do rio e cachoeira de chocolate e da paisagem comestível que compõem o “sistema nervoso” da fábrica misteriosa. “Se você quer avistar o paraíso, simplesmente dê uma olhada ao seu redor e o veja”. Ditas pelo Willy Wonka de Gene Wilder, talvez estas sejam as palavras que melhor traduzem o trabalho detalhadamente habilidoso da direção de arte na execução dos cenários. Igualmente inesquecíveis são os curiosos ajudantes Oompa–Loompas, que, anos luz à frente dos processos de miniaturizações e clonagens digitais, eram sim um grupo de anões de verdade e com a cara pintada de laranja. Como diria aquele comercial de bombom: “surreal”...

Uns passinhos adiante do seu tempo também estão os efeitos, usados dentro das já citadas limitações. O diferencial, porém, não tem exatamente a ver com qualidade técnica, mas com postura. Em uma cena, que não raras vezes é cortada das edições em TV aberta, os personagens passam por um túnel repleto de projeções coloridíssimas mescladas a recortes de imagens aparentemente sem sentido e sons bizarros. Em outra, todos os objetos da sala de Willy Wonka estão partidos ao meio. O detalhe é que em nenhuma linha do roteiro isto é explicado, ficando a cargo do público tirar suas próprias conclusões. Psicodelia e semiótica escondidos em um inocente filme infanto-juvenil...

Entre a defesa de um valor correto e outro, porém, A Fantástica Fábrica de Chocolate acrescenta uma pitadinha de “politicamente incorreto”, daquele tipo que tira o sono de Steven Spielberg nos últimos tempos. Não há dor na consciência em expor crianças problemáticas e mimadas a sarcásticos castigos. Nem mesmo o bonzinho Charlie é poupado de uma decepção antes de seu final redentor. Ou seja, observando nas entrelinhas, o soberano absoluto das Sessões da Tarde não é bem aquele filme tão açucarado que nossa memória infantil guarda. Que bom... Afinal é com um pouquinho de doce e um pouquinho de amargo se faz a vida. As grandes obras, também. [TA]

A Fantástica Fábrica de Chocolate [Willy Wonka And The Chocolate Factory, EUA, 1971]. Direção: Mel Stuart. Com Gene Wilder, Peter Ostrom, Jack Albertson. Warner. 98 minutos.


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Comentarios (2)Add Comment
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...
escrito por Eduardo Lauriano, 25 de setembro de 2009
Olha eu sou um Veruco Salt e eu sou seu fã a fantastica fabrica de chocolate é meu filme favorito
0
...
escrito por Eduardo Lauriano, 25 de setembro de 2009
Eu sou seu fã vote mim sou eu o Eduardo Lariano

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