Segunda Dez 10

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Ao Vivo - Abril Pro Rock :: Placebo

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Os shows do trio inglês em Recife e Florianópolis e o polêmico festival dentro de um festival.
RecifeRockAbril Pro Rock
Centro de Convenções [Recife] :: 8 a 10.04.05


Placebo
El Divino Club [Florianópolis] :: 21.04.05
Los Hermanos, Massacration, Orquestra Manguefônica e Placebo no palco do APR.
A edição 2005 do Abril Pro Rock já começou a causar comentários mesmo antes da divulgação de sua lista completa de atrações. A grande polêmica inicial seria a transformação da primeira noite do evento na etapa inicial das eliminatórias de um festival [concorrência] patrocinado por uma empresa de telefonia – na ocasião, o Centro de Convenções também acolheria a primeira apresentação da turnê brasileira dos ingleses do Placebo.

Durante a realização do evento, o pavilhão que abriga o evento parecia sediar uma espécie diferente de carnaval, com uma parcela do público devidamente paramentada para o festival anual. Chegava a ser engraçado, por exemplo, adolescentes vestidos com camisetas do Massacration, banda-piada criada pela equipe do programa Hermes & Renato [MTV]. O Massacration tocou na segunda noite do Abril, dedicada inteiramente a bandas que trabalham com as vertentes mais pesadas do rock.

Sexta-feira
Com um disco gravado exclusivamente para divulgação e propositadamente lo-fi, o trio potiguar Bugs veio pela primeira vez ao Recife. Mostrou composições como “Náusea” e “Laydee”, aproveitando bem os 20 minutos destinados a cada banda da noite. Depois, oriundo de Belém, o Suzana Flag, que tem aos vocais a cantora Suzanne Melo, por vezes, soou como os grupos que fizeram o cenário pop da década de 80. Na seqüência, subiu ao palco a Star 61, que chamou mais atenção pela postura do que pela sonoridade em si. Os músicos, sob o comando do vocalista Flaviano, têm bastante influências do glam rock de grupos como New York Dolls e T. Rex e nomes mais recentes como Smiths. Os paraibanos agradaram o público e terminaram vencendo a primeira etapa do festival da empresa telefônica, classificando-se para a final programada para o segundo semestre.

Depois de uma pausa nas apresentações do palco secundário, o Los Hermanos resumiu o DVD recém-lançado. E os cariocas também têm se apresentado pelo menos três vezes ao ano na capital pernambucana. De volta ao festival, o palco 2 recebeu o Zeferina Bomba, também da Paraíba.Eles se aproveitam de uma formação convencional para fazer um som não muito convencional e ao mesmo tempo punk – afinal, baixo, violão [devidamente despedaçado e arremessado ao público no final da apresentação] e bateria não podiam fazer maior barulho [do bom] do que aquele promovido pelos caras. Já local Rádio de Outono não conseguia disfarçar o nervosismo. A banda – que se prepara para lançar o álbum de estréia – carece ainda de um pouco mais de "sujeira" necessária em suas performances, já bastante conhecidas nos palcos recifenses.

A noite, então, foi encerrada, pelo Placebo, que acaba de ter sua coletânea Once More With Feeling – The Singles 1996-2004 lançada no Brasil. O show foi aberto com “Taste In Men”. Também trouxe canções como “Without You I’m Nothing”, “Bitter End” e “Nancy Boy” – que fechou a noite. Nada diferente dos ouros shows da turnê brasileira.

Sábado
Uma das maiores reclamações do público da segunda noite do Abril Pro Rock – conhecida como a mais pesada do festival – era o pequeno número de bandas de hardcore que compunham a grade, que terminou privilegiando o heavy metal. Foi o que se viu logo de cara, nas duas primeiras apresentações, realizadas no palco secundário, com as recifenses Silent Moon e Chaosphere. O hardcore só foi aparecer na seqüência, com os capixabas da Dead Fish – que acumulam um bom tempo de estrada e têm conseguido ainda mais público – graças aos clipes e DVD em parceria com a MTV e à gravadora DECK, que acaba de reeditar toda a discografia outrora independente da banda.

Uma das melhores apresentações da noite chegaria em seguida, com o psychobilly instrumental dos Retrofoguetes, que lançaram seu disco recentemente pela gravadora goiana Monstro. Há quem tenha dito que o som dos baianos pudesse ser desapropriado para o dia do peso, mas os caras não fizeram feio. E ainda levaram uma versão de “Misirlou”, clássico de Dick Dale ressuscitado por Tarantino e seu Pulp Fiction.

Em seguida, entrou em cena a piada da noite, com a turma do Hermes & Renato e seu Massacration. Piada no sentido literal da palavra, pois era no mínimo hilário ver metaleiros com camisetas de Slayer e Nightwish vibrarem ao som da "banda" – com direito a coro no hit “Metal Bucetation. Até o escracho-axé “Pirando em Salvador” [do Coração Melão] entrou na roda.

Depois do Matanza, que levou ao APR basicamente o repertório de seu mais novo disco, o Shaaman de André Matos subiu ao palco principal. Apesar de possuir um grande número de fãs, percebe-se que os supostos seguidores querem mais é ver a performance do "ex-vocalista do Angra", banda que ainda consegue ser superior aos xamãs.

No palco 2, esquentando o público já cansado para a entrada do Sepultura, estavam os goianos do MQN, cada vez mais livres do chato rótulo – como todo rótulo, aliás – stoner rock. Eles são peso e diversão das boas, nada mais do que isso – nem precisam. Privilegiando os discos anteriores a Roorback, o Sepultura veio para encerrar a noite. Tocaram mais uma vez no Abril Pro Rock e mostraram músicas como “Territory”, “Desperate Cry” e “Roots Bloody Roots”, que fechou o repertório.

Domingo
De vocalista novo, o Superoutro abriu a programação dominical. No set foram incluídas músicas do álbum de estréia, Autópsia de um Sonho e novidades como “Dezembro” e “Vai Voltar”. O grupo de Recife tem adicionado cada vez mais peso às suas performances, que, por sua vez, têm se mostrado cada vez mais maduras.

A variedade de influências do Gram – a primeira banda a subir no palco principal - vai de Radiohead a Beatles, de quem os paulistas tocaram “Across The Universe”. Na seqüência, o grupo deu vez a uma apresentação morna do português Legendary Tiger Man. Comemorando o CD de estréia nas mãos [em parte, possibilitado graças ao prêmio ganho no festival Microfonia, no final do ano passado], a Volver vem deixando de lado a alcunha de "a mais gaúcha das bandas pernambucanas" para mostrar identidade nas canções próprias, como na bela “Máquina do Tempo” e na instigante “Lucy”. Era o prenúncio para mais um show do DJ Dolores e sua Aparelhagem, que vêm colhendo bons frutos na Europa. No Palco 2, vindos de São Paulo, Daniel Belleza & os Corações em Fúria subiriam para uma fraca apresentação. Uma das piores do festival, com um punk rock de butique que mais tem de pose do que de resultado, propriamente.

Experimentação foi a intenção da junção entre o Mombojó e o veterano Arto Lindsay, americano que passou anos morando em Recife durante a unfância e adolescêmcia. Houve interpretações mais ousadas de canções já conhecidas como “Deixe-se Acreditar”, “A Missa” e “Adelaide”. O grupo pernambucano também mostrou algumas composições que estarão no próximo disco. Na seqüência, o quarteto carioca Leela levou a Recife um show sem graça e pretensiosamente pop – aquém de vários outros grupos "com vocal feminino" do circuito independente.

Misturando saudosismo e décadas de experiência [caso de alguns integrantes, exemplo de Fred Zeroquatro], a Orquestra Manguefônica consolidou uma reunião de músicos da Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Eles encerraram o Abril Pro Rock com novas roupagens para clássicos das duas bandas [“Livre Iniciativa”, “Risoflora”, “Computadores Fazem Arte”, “Da Lama Ao Caos”] e até fizeram versões para o hino do Santa Cruz [clube vencedor do último Campeonato Pernambucano de Futebol] e “London Calling”, clássico do Clash.
Marcelo Benevides

***

Antes que algum fã mais exaltado reclame comigo a respeito deste texto, preciso deixar claro duas coisas. 1) Nunca curti muito Placebo e só decidi ir ao show um dia antes do evento, após insistentes pedidos. 2) Conhecia poucas músicas do repertório dos caras e tive que assimilar a maioria que não conhecia de última hora, no carro do meu amigo, rumo a Floripa.

Isso posto, traçarei algumas linhas a respeito. Como diria o grande filósofo Ferris Bueller, “a vida se move muito rápido; se você não pára e olha em volta de vez em quando, você pode perdê-la”. Esse pequeno ensinamento motivou este eterno metaleiro que vos fala a assistir a um show de uma banda alternativa com uma aura tão popular. E cujos seguidores parecem saídos de um filme do Tim Burton.

Alguns anos atrás, quando era um radical extremista quanto aos meus gostos musicais, jamais imaginaria que seres tão andróginos quanto Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Hewitt pudessem exprimir um rock’n’roll tão puro. Hoje, melhor instruído nessa escola, sei que a equação glam + punk também é capaz de produzir riffs impactantes.

A miscelânea de sonoridades do Placebo, aliada à performance dos músicos [e a uma impecável qualidade técnica de áudio], proporcionou aos fãs e admiradores presentes na gélida noite de Tiradentes um espetáculo extasiante. A trinca de abertura – formada por “Taste in Men”, “The Bitter End”, “Every You Every Me” – foi fundamental para corroborar essa sensação. Não ficou devendo a qualquer uma das minhas bandas de heavy metal favoritas!

Ao longo de mais de uma hora de duração, o show trouxe os maiores hits do Placebo [a turnê pelo Brasil foi para divulgar a coletânea de singles Once More With Feeling – The Singles 1996-2004]. Entre hinos como “Pure Morning” e a derradeira “Nancy Boy”, melodias do porte de “Protège Moi” e “This Picture” mais rebolados ofídios do baixista Olsdal, foi uma experiência aproveitada ao máximo. Sem expectativa alguma, tudo que vi naquele palco montado do lado de fora de uma chique boate foi estupendo.

Rock’n’roll e ponto final.

P.S.: No meio de tribos um tanto quanto exóticas, ainda tive o prazer de presenciar o bonus-show de duas meninas. Elas demonstravem de maneira exageradamente explícita que o amor não tem preconceitos. Quase se comendo na frente de todo o mundo, para ser mais direto. Só mesmo o Placebo e a magia de Floripa pra proporcionar esse momento tão singelo...
Luis Guilherme Rodrigues


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