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Vida de Gato
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 16:19
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Camila vive às voltas com falta de dinheiro e decepções amorosas em novo romance de Clarah Averbuck.
Seis vidas
Morando em São Paulo, Camila se vê às voltas com problemas de dinheiro e as constantes ameaças de despejo por falta de pagamento de aluguel. Ela também se preocupa com Antônio, o grande amor de sua vida que surgiu após o não dito a vários homens. Mas ele a rejeita. Camila sofre, corre atrás, humilha-se. Este o mote de Vida de Gato, segundo romance de Clarah Averbuck. Fabrício Muller fala sobre a auto-indulgência da protagonista, criada como uma espécie de alter-ego da escritora e blogueira.Clarah Averbuck mantém o tom confessional e os exageros de Camilano novo livro.
É inegável que Clarah Averbuck escreve de maneira rápida, fluida e, freqüentemente, interessante – no extinto Cardosonline ou em blog, ler um texto seu quase sempre prende a atenção, seja pelo tom confessional, seja pelo lado mais chocante de seus escritos. Nestes, ela é normalmente a personagem principal e discorre sem qualquer pudor sobre o uso [muitas vezes abusivo] de drogas e bebida, suas paranóias, a agitada vida sexual, seus problemas com falta de dinheiro e desencontros amorosos. Seus escritos – cuja inspiração principal, confessadamente, são os escritores Charles Bukowski, John Fante e Paulo Leminski – acabaram se transformando em um fenômeno literário da internet, o que a acabou levando para a literatura impressa. Vida de Gato (Editora Planeta, 118 páginas) já é seu segundo romance publicado – o primeiro fora Máquina de Pinball; também saiu uma coletânea de textos extraídos de seu blog, chamada Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante.
Vida de Gato é, de novo, escrito em primeira pessoa pela personagem Camila, alter-ego da escritora. Ela, morando em São Paulo, vê-se às voltas com problemas de dinheiro, sendo constantemente ameaçada de despejo do apartamento onde mora [e onde se sente bem] por falta de pagamento do aluguel. Esta, porém, não é a principal preocupação de Camila. Acostumada a rejeitar vários homens, ela encontra em Antônio – que, segundo ela mesma, escreve melhor que ela própria – o grande amor de sua vida. Mas ele a rejeita e vai atrás de “garotas medíocres”. Camila sofre, corre atrás dele, humilha-se. No final, como se fosse um gato, ela – que tinha “morrido” de tanto amar – renasce para as suas seis vidas restantes.
A grande característica de Vida de Gato é a excessiva auto-indulgência da autora. Na maioria das vezes, dá a impressão que jamais passa pela cabeça de Camila a possibilidade estar errada. Ela não pode pagar aluguel porque é escritora, e “escritores nunca pagam em dia”. Mesmo quando tem dinheiro, ela não paga [e depois é a locatária que “não entendia nada”...]. Quando o médico lhe proíbe a bebida alcoólica, sua resposta é “O senhor me desculpe, mas não posso ficar sem beber. Preciso disso para pensar, doutor. Não, preciso disso para parar de pensar. (...) É o seguinte: ou o senhor me arruma uma droga que não me mate ou eu continuo tomando bolas e morro. Sim, é problema meu, lógico. Mas o senhor não está aí, tentando dar soluções? Eu já disse o que acho. Ah, vá o senhor tomar no rabo.”
Ela se acha também mais vivida e experiente que boa parte da humanidade: “A dor salva do nada. Só ela salva. Os mais velhos acham que é exagero, que nada sei da vida. Mal sabem eles que vivi mais que as minhas avós juntas”. Camila acha que Antônio lhe deve satisfações: “Por que você desapareceu deste jeito? Nem uma porra de um email, telefonema, nada! Você tem noção do estado em que fiquei?”. A namorada de Antônio, claro, “é querida e fofa e com cara de burra”.
Quando tudo dá errado na sua vida, Camila tem um rasgo de bom senso. Quando finalmente tem de sair do apartamento, a moça da imobiliária lhe pede desculpas pelo incômodo. E é quando Camila pensa consigo mesma: “Ora, se alguém tinha que se desculpar ali, era eu”. Antes tarde do que nunca, acabará pensando algum leitor mais fatigado.
Vida de Gato é, de novo, escrito em primeira pessoa pela personagem Camila, alter-ego da escritora. Ela, morando em São Paulo, vê-se às voltas com problemas de dinheiro, sendo constantemente ameaçada de despejo do apartamento onde mora [e onde se sente bem] por falta de pagamento do aluguel. Esta, porém, não é a principal preocupação de Camila. Acostumada a rejeitar vários homens, ela encontra em Antônio – que, segundo ela mesma, escreve melhor que ela própria – o grande amor de sua vida. Mas ele a rejeita e vai atrás de “garotas medíocres”. Camila sofre, corre atrás dele, humilha-se. No final, como se fosse um gato, ela – que tinha “morrido” de tanto amar – renasce para as suas seis vidas restantes.
A grande característica de Vida de Gato é a excessiva auto-indulgência da autora. Na maioria das vezes, dá a impressão que jamais passa pela cabeça de Camila a possibilidade estar errada. Ela não pode pagar aluguel porque é escritora, e “escritores nunca pagam em dia”. Mesmo quando tem dinheiro, ela não paga [e depois é a locatária que “não entendia nada”...]. Quando o médico lhe proíbe a bebida alcoólica, sua resposta é “O senhor me desculpe, mas não posso ficar sem beber. Preciso disso para pensar, doutor. Não, preciso disso para parar de pensar. (...) É o seguinte: ou o senhor me arruma uma droga que não me mate ou eu continuo tomando bolas e morro. Sim, é problema meu, lógico. Mas o senhor não está aí, tentando dar soluções? Eu já disse o que acho. Ah, vá o senhor tomar no rabo.”
Ela se acha também mais vivida e experiente que boa parte da humanidade: “A dor salva do nada. Só ela salva. Os mais velhos acham que é exagero, que nada sei da vida. Mal sabem eles que vivi mais que as minhas avós juntas”. Camila acha que Antônio lhe deve satisfações: “Por que você desapareceu deste jeito? Nem uma porra de um email, telefonema, nada! Você tem noção do estado em que fiquei?”. A namorada de Antônio, claro, “é querida e fofa e com cara de burra”.
Quando tudo dá errado na sua vida, Camila tem um rasgo de bom senso. Quando finalmente tem de sair do apartamento, a moça da imobiliária lhe pede desculpas pelo incômodo. E é quando Camila pensa consigo mesma: “Ora, se alguém tinha que se desculpar ali, era eu”. Antes tarde do que nunca, acabará pensando algum leitor mais fatigado.
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