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Os 10 shows inesquecíveis
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 17:01
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Os 10 shows inesquecíveis
Quais foram os dez melhores momentos ocorridos nos palcos durante 2004? Fim de “apartheid”, quarenta minutos sem gás para respirar, discurso de vergonha por George W. Bush, dupla “demolição” da Pedreira Paulo Leminski, noise para todos os lados, banda sem disco em grande festival, bolha gigante de plástico sobre a platéia, um gênio recuperado e um “padre” “abençoando” seus fiéis seguidores. Abonico R. Smith relembra o que houve nos shows de cinco bandas nacionais e cinco de artistas estrangeiros – ocorridos quase todos no Brasil.
Pixies: festival de canções-que-marcaram-nossas-vidas em Curitiba.
1 :: Pixies [Curitiba Pop Festival]
A vinda da banda ao Brasil – na verdade, o único show na América Latina – fora cercada por muita polêmica e mistério. Mas tudo se dissipa nos primeiros acordes de “Bone Machine”. E segue uma avalanche de canções-que-marcaram-nossas-vidas. Não importa que mais de dez anos se passaram sem o Pixies. O que se vê é um punhado de obras tão contundentes quanto na época em que compostas. E uma banda afiada, que realmente merece toda a idolatria e influência sob as novas formações. “Debaser” e “Gigantic”, deixadas para o bis, por pouco não demolem toda a Pedreira.
2 :: Morrissey [Personal Fest]
Ele simplesmente passa por cima de nossas cabeças. Faz dois shows no Chile e um na Argentina, como uma das principais atrações do Pensonal Fest, evento que tem quase todas as atrações do brasileiro Tim Festival e um pouco a mais e ingresso a apenas R$ 50 por noite. Com seus afiados músicos de apoio e resgatando no set um clássico dos Smiths como “How Soon Is Now” [que ele nunca mais cantara desde o fim da banda], Moz mostra na América do Sul o poder de fogo de seu atual repertório. Todas as músicas do álbum You Are The Quarry crescem ao vivo e já se tornaram novos clássicos para a extensa legião de fãs do cantor britânico, que invadiem Buenos Aires vindos de todas as partes, inclusive do Brasil. Moz ainda canta com seu novo uniforme, que se assemelha ao visual de um padre. Sinal que ele ainda irá “batizar” muitos novos fãs...
3 :: Brian Wilson [Tim Festival]
O Gênio voltou. Ele já havia levado para o palco – e na íntegra – o álbum Pet Sounds, uma das melhores obras do rock’n’roll do século passado. Em 2004, decidiu tocar ao vivo Smile, o “inacabado” álbum que o levou à loucura e só viria a ser completado recentemente, 37 anos depois de iniciado. Junto com a edição nacional de Smile, Wilson vem ao país com sua orquestra. E aterrissa em São Paulo trazendo o melhor dos dois repertórios. Para delírios dos fãs brasileiros, que não acreditam no “milagre” que acontece diante de seus olhos.
4:: Wander Wildner + Frank Jorge + Flu [Curitiba Pop Festival]
Três monstros sagrados da música pop gaúcha juntam-se em um show especial, feito para relembrar alguns grandes sucessos que marcaram suas antigas bandas [Defalla, Urubu Rei, Cascavellettes, Graforréia Xilarmônica, Replicantes] e a carreira solo de Wander. E tome porrada atrás de porrada. “Não Me Mande Flores”, “Sandina”, “Surfista Calhorda”, “It’s Fuckin’ Borin’ To Death”, “Eu”, “O Dotadão”, “Menstruada”, “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, “Empregada”, “Lugar do Caralho”... Uníssono e êxtase geral na Pedreira Paulo Leminski.
5:: Gram [Curitiba Center Art]
A balada-valsa “Você Pode Ir Na Janela” transforma-se, ao vivo, em uma experiência de cair o queixo. De um lado do palco, o guitarrista Marco Loschiavo começoaexplorando dissonâncias sobre a base em um único acorde e termina ajoelhado em frente à caixa para extrair microfonias infindáveis. Do outro, Luiz Ribalta inverte acordes e mantém a harmonia com arpejos e dedilhados. O baixista Marcello Pagotto e o baterista Fernando Falvo imprimem toda a agressividade do mundo no compasso 6/4. No centro, Sérgio se contorce, grita xingando a torto e a direito fora do microfone, extrai do fundo do peito os versos que misturam doçura, arrependimento e revolta. No fim, mostra o quão pesado pode ser um simples cantarolar em “lá-lá-lá”. Alguém pode anotar a placa do caminhão?
6 :: Relespública [Curitiba Pop Festival]
Quinze anos de banda, volta às sonoridades de origem, um puta disco na mão. E o trio faz mais do que um puta show em pouco mais de quarenta minutos. Com micro-intervalos entre uma música e outra, a Reles tira o fôlego com vários de seus clássicos – entre eles “Nunca Mais” e “Garoa e Solidão” [estrategicamente colocadas na primeira metade do set]. No fim, “Capaz de Tudo” vem emendada a uma versão extensa e matadora de “Won’t Get Fooled Again”, cover de respeito do Who na qual os músicos aproveitam para esbanjar virtuosismo nos seus respectivos instrumentos.
7:: Nada Surf [Era Só O Que Faltava]
Dias depois da reeleição de George W. Bush para o cargo de presidente norte-americano, o tro nova-iorquino inicia sua primeira turnê brasileira. Em Curitiba, Matthew Caws aproveita uma interrupção provocada pela quebra de uma corda para pedir desculpas aos brasileiros pelo resultado das eleições. “Nós, como americanos, nos sentimos completamente envergonhados pela reeleição de George W. Bush”, dispara, para delírio dos fãs curitibanos. O Nada Surf apoiara o candidato John Kerry e toca no Era Só com bottoms de dizeres explícitos contra Bush. Entretanto, as palavras proferidas pelo vocalista/guitarrista daquela maneira são inesperadas.
8 :: Cansei de Ser Sexy [Tim Festival]
Para muitos, uma diversão total. Para outros, um espetáculo tedioso. Dividindo opiniões, o CSS sobe ao palco principal de um festival do porte do Tim para confirmar que algo realmente mudou na música brasileira. Afinal, o combo m ontado através de fotologs sequer havia lançado um disco. É um grande fenômeno de internet, com poucas músicas disponibilizadas para download e que se tornaram verdadeira febre entre os amantes da música underground. Quando chegarem ao disco – o que está previso para acontecer em breve, ainda no primeiro semestre de 2005 – as faixas já terão se tornado hits de pistas alternativas.
9 :: Pelebrói Não Sei? [Curitiba Pop Festival]
Que Oneide Diedrich nasceu para ser popstar, ninguém duvida. Mas o que ele apronta no começo da noite de sábado do CPF entrará para a história como o fim do “apartheid” no festival. Confusões na venda dos ingressos e na definição do local dos shows acabaram gerando a criação de uma “área vip”, destinada a “privilegiar” quem comprara ingresso mais cedo. Oneide, porém trata desde o início de incitar a platéia a botar as grades de ferro no chão e promover a “união” da platéia. Quase no final do show, o objetivo é conquistado. De repente, milhares de integrantes do “pelotão traseiro” começam a correr para se juntar à turma do gargarejo. Tudo sob o som do punk rock básico e eficiente do Pelebrói e seu herói.
10 :: Flaming Lips [Coachella Festival]
Há algum tempo o veterano grupo americano deixou de lado os ruídos e distorções para apostar em arranjos psicodélicos e álbuns conceituais. Wayne Coyne, porém, surpreende a todos. Eis que de repente ele surge na platéia do Coachella Festival, na Califórnia. Por sobre a platéia envolto por uma gigantesca bolha tranasparente de plástico. E começa a brincar, andando por cima de uma cabeça mais incrédula que a outra. O melhor é que essa grande bolha está muito próxima de passar por Curitiba em 2005.
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