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Os 10 melhores filmes
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 16:58
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Encontros e Desencontros e outras nove histórias fantásticas que marcaram a temporada nos cinemas brasileiros.
Solidão em uma terra estranha, lembranças apagadas do cérebro, os podres do presidente americano, sangue espirrando a torto e a direito, uma prostituta que se torna assassina para sustentar a namorada, romance adolescente nos corredores de Columbine, o acúmulo de gordura da refeição nossa de cada dia, um quadrinista que transforma em sucesso sua rotina enfadonha, personagens bizarros e um professor cuja missão é salvar a honra do rock’n’roll. Os cinemas brasileiros foram marcados em 2004 por dez histórias incríveis, daquelas que nunca mais sairão da nossa memória. Abonico R. Smith escreve sobre os dez melhores filmes do ano passado.De cima para baixo: Encontros e Desencontros, Brilho Eterno..., Fahrenheit 11 de Setembro, Kill Bill, Elefante, Supersize Me, Anti-Herói Americano, Monster, Peixe Grande e Escola do Rock.
1 :: Encontros e Desencontros [Lost In Translation]
A pior solidão é mesmo a da comunicação. Inspirada nos sentimentos que a abateram durante viagens anteriores para o Japão, a diretora Sofia Coppola contou uma linda história de um casal americano que se conhece em um hotel de Tóquio por repartir as mesmas angústias. Ele, um astro decadente de meia idade que sobrevive com pequenos bicos obtidos através da fama do passado. Ela adolescente indecisa, sem rumo na vida e facilidade para se entediar, que tem muito tempo livre – está apenas acompanhando o namorado cuja missão é fotografar cada passo de uma turnê de uma banda de rock. A empatia entre os dois vai além da atração sexual: ambos sentem-se perdidos em uma terra estranha, distantes da compreensão da linguagem e dos costumes locais. Na festa do Oscar, Lost In Translation arrebatou uma estatueta de roteiro original e ainda teve indicações para as categorias direção e ator. De quebra, a trilha sonora feita pela própria Sofia é nota dez. Os destaques são as faixas inéditas de Kevin Shields, mentor do My Bloody Valentine e colaborador recente do Primal Scream. Entre elas, a balada “City Girl”, de linda e repetitiva melodia soterrada sob escombros de guitarras distorcidas.
2 :: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças [Eternal Sunshine Of The Spotless Mind]
Jim Carrey como Kate Winslet, Kate Winslet como Jim Carrey. Além de inverter jeito “natural” de agir dos personagens interpretados pelos protagonistas, Charlie Kaufman desenvolveu uma história de amor diferente, mais um de suas roteiros doidos. Contando com a direção de Michel Gondry, outro mago contemporâneo dos videoclipes [já havia trabalhado anteriormente com Spike Jonze em Quero Ser John Malcovich e Adaptação], Kaufman construiu uma trama pitoresca para tratar das lembranças íntimas e pessoais que cada um carrega desde a infância. Uma empresa suspeitíssima desenvolve todo uma aparato tecnológico para apagar do cérebro qualquer reminiscência de determinadas pessoas que seus clientes conheceram anteriormente. É exatamente aí que se desenrola toda uma confusão entre passado e presente, sonho e realidade, memória e experiência real. Mas será mesmo que podemos lutar contra o destino e até mesmo modificá-lo? Não bastassem o surrealismo de Kaufman e as pirotécnicas visuais de Gondry, o filme ainda tem coadjuvantes de primeira categoria [Elijah Wood, Tom Wilkinson, Kirsten Dunst] mais trilha sonora com duas faixas inusitadas: o tema principal, gravado pelo coral psicodélico Polyphonic Spree, e Beck transformando em folk lo-fi um tecnopop meio obscuro dos anos 80.
3 :: Fahrenheit 11 de Setembro [Fahrenheit 9/11]
Michael Moore quase chegou ao seu objetivo. Conquistou a Europa, ganhou o festival de Cannes, teve seu filme exibido nas salas comerciais de todo o mundo e, por quase duas horas, zombou como quis do presidente George W. Bush. Contou podres de seu governo, revelou a eleição forjada, escancarou as ligações do texano com os atentados de 11 de setembro e expôs as conseqüências desastrosas para o povo americano de sua atuação no mandato inicial. Moore até lançou seu documentário até nos cinemas americanos e viu seu filme passar na TV na véspera das eleições. Ele só não conseguiu convencer os colegiados eleitorais dos estados dos Estados Unidos, que confirmaram a permanência de Bush do poder por mais quatro anos. Mas seu Fahrenheit 11 de Setembro tornou-se o documentário mais popular e rentável de toda a história do gênero.
4 :: Kill Bill Vol 1 & 2 [Kill Bill Vol 1 & 2]
Quem achava que o cinema-reciclagem de Tarantino já não poderia mais dar nada de original enganou-se redondamente. No espaço de apenas seis meses, os cinemas brasileiros exibiram as duas indissociáveis partes da saga que reuniu clichês de clássicos de western-spaghetti e produções baratas de kung fu, elementos que andavam meio relegados às segundas divisões da mitologia pop da segunda metade do século 20. Uma Thurman interpretou a Noiva, cujo objetivo é ir atrás – com muita sede de vingança – de quem quis matá-la. O resultado é uma divertida enxurrada de sangue derramado, com direito a alguns efeitos especiais [de som e imagem] e ressurreição de atores esquecidos [Quentin é mestre em fazer isso em cada filme seu]. Sim, claro... As trilhas sonoras escolhidas a dedo pelo diretor viraram item cult e ainda tiraram do underground da música pop japonesa as endiabradas japinhas do 5678’s.
5 :: Elefante [Elephant]
Depois de um tempo bem comportado e sem muito brilho, Gus Van Sant reacendeu a chama da polêmica. Tudo porque essa história se passa em Columbine, a escola americana que entrou para a história após o massacre promovido por dois de seus alunos. Com roteiro desenvolvido pelo escritor e músico TJ Leroy – uma enigmática e andrógina figura que vem se tornando objeto de culto no circuito alternativo dos Estados Unidos – o filme conta a tragédia que chocou o mundo através dos olhos, mentes e corações de seus principais protagonistas: assassinos e vítimas. Amor, paixão, ódio, vingança e desespero são alguns dos ingredientes. Apesar de ter ganho a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2003, Elephant demorou para ser lançado no Brasil. Quando chegou, no ano passado, passou sem muito estardalhaço pelos cinemas de arte.
6 :: Supersize Me – A Dieta do Palhaço [Supersize Me]
Sanduíches opulentos. Batata-frita. Refrigerantes. Cinco mil calorias ingeridas diariamente em três refeições, durante um mês. No mesmo período, a falta de qualquer exercício físico e o mínimo possível de caminhadas. O diretor Morgan Spurlock não ganhou apenas onze quilos e alguns problemas psicológicos e de saúde ao terminar de rodar Supersize Me, no qual ele foi sua própria cobaia. No fim das contas, conseguiu não apenas mexer com os brios da maior rede mundial de fast food, o McDonald’s, como chegou ao posto de quarta maior bilheteria obtida por um documentário em todos os tempos. Outro estrondoso sucesso de crítica e público em 2004.
7 :: Anti-Herói Americano [American Splendor]
Não existe qualquer glamour na vida de Harvey Pekar. Colecionador inveterado de discos de jazz e abandonado por sua mulher, ele trabalha como arquivista de um hospital público da cidade de Cleveland. Seu melhor amigo é um nerd elevado à milésima potência. O hobby, resenhar novidades jazzísticas para pequenas publicações. Um dia resolve transformar-se em personagem de histórias em quadrinhos, sua grande paixão. Com o empurrão de seu amigo de adolescência, o ícone underground Robert Crumb, vira roteirista e vê seu gibi American Splendor virar mania nacional. Apesar de celebridade, Pekar não muda a sua vida. Não ganha muito mais dinheiro, não se afasta da sua rabugice habitual, nem quando conhece sua futura esposa, uma fã de suas histórias vinda de uma pequena cidade do inusitado estado de Delaware. Com personagens caracterizados à perfeição e a participação dos verdadeiros Harvey, Joyce [a mulher] e Toby [o amigo nerd], o filme se torna uma tocante homenagem àquele ícone dos comics independentes americanos. E a comédia nem vira dramalhão na hora em que mostra Pekar enfrentando um câncer. Pelo contrário: faz todo mundo se apaixonar ainda mais por Harvey e sua nova família.
8 :: Monster – Desejo Assassino [Monster]
Sempre relegada ao papel de gostosona loira coadjuvante em produções hollywoodianas, a sul-africana Charlize Theron decidiu virar o jogo. Produziu um filme em que pudesse demonstrar todo o seu real talento de atriz. Ao lado da diretora e ropteira Patty Jenkins, transformou em película a história da serial killer Aileen Wuornos, prostituta da Flórida que matava seus clientes para sustentar a namorada adolescente Selby. Presa em 1990 e condenada à pena de morte, Aileen foi executada em 2002. Mais do que uma história forte, Charlize cercou-se de todos os aparatos para ganhar prêmios e fazer decolar sua carreira. Transformou-se toda o papel, encarando horas diárias de maquiagem e ganhando muitos quilos a mais. A bela do cinema “enfeiou-se” toda e, de fato, teve uma grande atuação, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de ouro de melhor atriz em 2004. Para completar, chamou uma coadjuvante de luxo, a sempre talentosa Christina Ricci.
9 :: Peixe Grande [Big Fish]
O diretor Tim Burton – que tem sua carreira marcada por bizarrices góticas, personagens esquisitos e histórias fantásticas – voltou à velha forma mostrando que o cotidiano pode, sim, ser bem mais excitante do que ele realmente é. Edward Bloom [interpretado com maestria por Ewan McGregor quando jovem] teve uma vida mágica. Cruzou com seres como um gigante desengonçado, um nanico dono de circo que vira lobisomem, a bruxa do pântano que prevê a morte das pessoas através do olho de vidro, cantoras xifópagas coreanas, um poeta bon-vivant que se transforma em assaltante de banco, os habitantes felizardos de uma próspera vila não-existente no mapa chamada Spectro. Fez de todos eles grandes amigos. A maior missão do protagonista, contudo, não fora cumprida até a véspera de sua morte: voltar a falar com seu filho, um jornalista de carreira bem sucedida e que sempre considerou balela tudo aquilo que ouvia seu pai contar desde criança.
10 :: Escola de Rock [School Of Rock]
Jack Black consagrou-se como o humorista bonachão da adaptação cinematográfica de Alta Fidelidade, best-seller do escritor britânico Nick Hornby. Desde então nunca mais conseguiu desvincular sua imagem profissional de sua grande paixão: a música pop. Em Escola do Rock, ele interpreta um popstar frustrado que, expulso de sua banda e morando de favor na casa de um amigo, busca uma saída inusitada para ganhar dinheiro: torna-se, acidentalmente, professor em uma das mais rígidas instituições americanas de ensino. Com jogo de cintura, habilidade e muita malícia, ele consegue desviar o foco de sua disciplina e passa a ensinar secretamente rock’n’roll a seus alunos pré-adolescentes. As crianças aprendem tudo rapidamente – teoria e prática, conceitos e história. Seria muito bom se existissem por aí muitos professores sérios, competentes e dedicados como Black.
A pior solidão é mesmo a da comunicação. Inspirada nos sentimentos que a abateram durante viagens anteriores para o Japão, a diretora Sofia Coppola contou uma linda história de um casal americano que se conhece em um hotel de Tóquio por repartir as mesmas angústias. Ele, um astro decadente de meia idade que sobrevive com pequenos bicos obtidos através da fama do passado. Ela adolescente indecisa, sem rumo na vida e facilidade para se entediar, que tem muito tempo livre – está apenas acompanhando o namorado cuja missão é fotografar cada passo de uma turnê de uma banda de rock. A empatia entre os dois vai além da atração sexual: ambos sentem-se perdidos em uma terra estranha, distantes da compreensão da linguagem e dos costumes locais. Na festa do Oscar, Lost In Translation arrebatou uma estatueta de roteiro original e ainda teve indicações para as categorias direção e ator. De quebra, a trilha sonora feita pela própria Sofia é nota dez. Os destaques são as faixas inéditas de Kevin Shields, mentor do My Bloody Valentine e colaborador recente do Primal Scream. Entre elas, a balada “City Girl”, de linda e repetitiva melodia soterrada sob escombros de guitarras distorcidas.
2 :: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças [Eternal Sunshine Of The Spotless Mind]
Jim Carrey como Kate Winslet, Kate Winslet como Jim Carrey. Além de inverter jeito “natural” de agir dos personagens interpretados pelos protagonistas, Charlie Kaufman desenvolveu uma história de amor diferente, mais um de suas roteiros doidos. Contando com a direção de Michel Gondry, outro mago contemporâneo dos videoclipes [já havia trabalhado anteriormente com Spike Jonze em Quero Ser John Malcovich e Adaptação], Kaufman construiu uma trama pitoresca para tratar das lembranças íntimas e pessoais que cada um carrega desde a infância. Uma empresa suspeitíssima desenvolve todo uma aparato tecnológico para apagar do cérebro qualquer reminiscência de determinadas pessoas que seus clientes conheceram anteriormente. É exatamente aí que se desenrola toda uma confusão entre passado e presente, sonho e realidade, memória e experiência real. Mas será mesmo que podemos lutar contra o destino e até mesmo modificá-lo? Não bastassem o surrealismo de Kaufman e as pirotécnicas visuais de Gondry, o filme ainda tem coadjuvantes de primeira categoria [Elijah Wood, Tom Wilkinson, Kirsten Dunst] mais trilha sonora com duas faixas inusitadas: o tema principal, gravado pelo coral psicodélico Polyphonic Spree, e Beck transformando em folk lo-fi um tecnopop meio obscuro dos anos 80.
3 :: Fahrenheit 11 de Setembro [Fahrenheit 9/11]
Michael Moore quase chegou ao seu objetivo. Conquistou a Europa, ganhou o festival de Cannes, teve seu filme exibido nas salas comerciais de todo o mundo e, por quase duas horas, zombou como quis do presidente George W. Bush. Contou podres de seu governo, revelou a eleição forjada, escancarou as ligações do texano com os atentados de 11 de setembro e expôs as conseqüências desastrosas para o povo americano de sua atuação no mandato inicial. Moore até lançou seu documentário até nos cinemas americanos e viu seu filme passar na TV na véspera das eleições. Ele só não conseguiu convencer os colegiados eleitorais dos estados dos Estados Unidos, que confirmaram a permanência de Bush do poder por mais quatro anos. Mas seu Fahrenheit 11 de Setembro tornou-se o documentário mais popular e rentável de toda a história do gênero.
4 :: Kill Bill Vol 1 & 2 [Kill Bill Vol 1 & 2]
Quem achava que o cinema-reciclagem de Tarantino já não poderia mais dar nada de original enganou-se redondamente. No espaço de apenas seis meses, os cinemas brasileiros exibiram as duas indissociáveis partes da saga que reuniu clichês de clássicos de western-spaghetti e produções baratas de kung fu, elementos que andavam meio relegados às segundas divisões da mitologia pop da segunda metade do século 20. Uma Thurman interpretou a Noiva, cujo objetivo é ir atrás – com muita sede de vingança – de quem quis matá-la. O resultado é uma divertida enxurrada de sangue derramado, com direito a alguns efeitos especiais [de som e imagem] e ressurreição de atores esquecidos [Quentin é mestre em fazer isso em cada filme seu]. Sim, claro... As trilhas sonoras escolhidas a dedo pelo diretor viraram item cult e ainda tiraram do underground da música pop japonesa as endiabradas japinhas do 5678’s.
5 :: Elefante [Elephant]
Depois de um tempo bem comportado e sem muito brilho, Gus Van Sant reacendeu a chama da polêmica. Tudo porque essa história se passa em Columbine, a escola americana que entrou para a história após o massacre promovido por dois de seus alunos. Com roteiro desenvolvido pelo escritor e músico TJ Leroy – uma enigmática e andrógina figura que vem se tornando objeto de culto no circuito alternativo dos Estados Unidos – o filme conta a tragédia que chocou o mundo através dos olhos, mentes e corações de seus principais protagonistas: assassinos e vítimas. Amor, paixão, ódio, vingança e desespero são alguns dos ingredientes. Apesar de ter ganho a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2003, Elephant demorou para ser lançado no Brasil. Quando chegou, no ano passado, passou sem muito estardalhaço pelos cinemas de arte.
6 :: Supersize Me – A Dieta do Palhaço [Supersize Me]
Sanduíches opulentos. Batata-frita. Refrigerantes. Cinco mil calorias ingeridas diariamente em três refeições, durante um mês. No mesmo período, a falta de qualquer exercício físico e o mínimo possível de caminhadas. O diretor Morgan Spurlock não ganhou apenas onze quilos e alguns problemas psicológicos e de saúde ao terminar de rodar Supersize Me, no qual ele foi sua própria cobaia. No fim das contas, conseguiu não apenas mexer com os brios da maior rede mundial de fast food, o McDonald’s, como chegou ao posto de quarta maior bilheteria obtida por um documentário em todos os tempos. Outro estrondoso sucesso de crítica e público em 2004.
7 :: Anti-Herói Americano [American Splendor]
Não existe qualquer glamour na vida de Harvey Pekar. Colecionador inveterado de discos de jazz e abandonado por sua mulher, ele trabalha como arquivista de um hospital público da cidade de Cleveland. Seu melhor amigo é um nerd elevado à milésima potência. O hobby, resenhar novidades jazzísticas para pequenas publicações. Um dia resolve transformar-se em personagem de histórias em quadrinhos, sua grande paixão. Com o empurrão de seu amigo de adolescência, o ícone underground Robert Crumb, vira roteirista e vê seu gibi American Splendor virar mania nacional. Apesar de celebridade, Pekar não muda a sua vida. Não ganha muito mais dinheiro, não se afasta da sua rabugice habitual, nem quando conhece sua futura esposa, uma fã de suas histórias vinda de uma pequena cidade do inusitado estado de Delaware. Com personagens caracterizados à perfeição e a participação dos verdadeiros Harvey, Joyce [a mulher] e Toby [o amigo nerd], o filme se torna uma tocante homenagem àquele ícone dos comics independentes americanos. E a comédia nem vira dramalhão na hora em que mostra Pekar enfrentando um câncer. Pelo contrário: faz todo mundo se apaixonar ainda mais por Harvey e sua nova família.
8 :: Monster – Desejo Assassino [Monster]
Sempre relegada ao papel de gostosona loira coadjuvante em produções hollywoodianas, a sul-africana Charlize Theron decidiu virar o jogo. Produziu um filme em que pudesse demonstrar todo o seu real talento de atriz. Ao lado da diretora e ropteira Patty Jenkins, transformou em película a história da serial killer Aileen Wuornos, prostituta da Flórida que matava seus clientes para sustentar a namorada adolescente Selby. Presa em 1990 e condenada à pena de morte, Aileen foi executada em 2002. Mais do que uma história forte, Charlize cercou-se de todos os aparatos para ganhar prêmios e fazer decolar sua carreira. Transformou-se toda o papel, encarando horas diárias de maquiagem e ganhando muitos quilos a mais. A bela do cinema “enfeiou-se” toda e, de fato, teve uma grande atuação, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de ouro de melhor atriz em 2004. Para completar, chamou uma coadjuvante de luxo, a sempre talentosa Christina Ricci.
9 :: Peixe Grande [Big Fish]
O diretor Tim Burton – que tem sua carreira marcada por bizarrices góticas, personagens esquisitos e histórias fantásticas – voltou à velha forma mostrando que o cotidiano pode, sim, ser bem mais excitante do que ele realmente é. Edward Bloom [interpretado com maestria por Ewan McGregor quando jovem] teve uma vida mágica. Cruzou com seres como um gigante desengonçado, um nanico dono de circo que vira lobisomem, a bruxa do pântano que prevê a morte das pessoas através do olho de vidro, cantoras xifópagas coreanas, um poeta bon-vivant que se transforma em assaltante de banco, os habitantes felizardos de uma próspera vila não-existente no mapa chamada Spectro. Fez de todos eles grandes amigos. A maior missão do protagonista, contudo, não fora cumprida até a véspera de sua morte: voltar a falar com seu filho, um jornalista de carreira bem sucedida e que sempre considerou balela tudo aquilo que ouvia seu pai contar desde criança.
10 :: Escola de Rock [School Of Rock]
Jack Black consagrou-se como o humorista bonachão da adaptação cinematográfica de Alta Fidelidade, best-seller do escritor britânico Nick Hornby. Desde então nunca mais conseguiu desvincular sua imagem profissional de sua grande paixão: a música pop. Em Escola do Rock, ele interpreta um popstar frustrado que, expulso de sua banda e morando de favor na casa de um amigo, busca uma saída inusitada para ganhar dinheiro: torna-se, acidentalmente, professor em uma das mais rígidas instituições americanas de ensino. Com jogo de cintura, habilidade e muita malícia, ele consegue desviar o foco de sua disciplina e passa a ensinar secretamente rock’n’roll a seus alunos pré-adolescentes. As crianças aprendem tudo rapidamente – teoria e prática, conceitos e história. Seria muito bom se existissem por aí muitos professores sérios, competentes e dedicados como Black.
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