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Mosquitos
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 16:45
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Mosquitos from Ipanema
Indiepop? Neobossa? A “Next big thing da música americana” vem arrebatando elogios da crítica norte-americana com apenas dois álbuns no currículo e extenso background de música brasileira. Formado em Nova York pelos músicos Chris Root e Jon Marshall Smith, o grupo tem seu charme nos vocais graciosos da brasileira Juju Stulbach. De férias no Brasil, a carioca conversou com o Bacana sobre o Mosquitos. Texto e entrevista por Alexandre Sigrist*.
Mosquitos: faixas incluídas nas trilhas da série O. C. e do próximo filme de Kevin Costner.
Uma das mais novas apostas do site AllMusic Guide fala português. O projeto bilíngüe Mosquitos, dos americanos Chris Root [vocal e guitarra] e Jon Marshall Smith [teclado] mais a vocalista brasileira Juju Stulbach, vem recebendo rasgados elogios da crítica norte-americana, impressionada com o jeito leve e contagiante da girl from Ipanema, comparada tanto a Françoise Hardy quanto a Astrud Gilberto.
Atriz e bailarina, Juju foi para Nova York tentar a carreira artística. Lá conheceu Chris, seu futuro parceiro de banda e namorado, em um set de filmagem, enquanto esperava a hora de entrar em cena. Cantarolando, chamou a atenção do músico, que a convidou para formarem uma banda. Após algumas gravações, demos e viagens intercontinentais, o tecladista Jon, espécie de mago de estúdios, foi chamado para dar um ajuste final ao som.
Com dois discos lançados pela gravadora Bar/None – o homônimo Mosquitos [2003] e Sunshine Barato [2004], o trio baseado em NY começa a colher os frutos do sucesso com sua mistura de indiepop e bossa nova, em uma improvável jam session de Pastels, Belle & Sebastian e Tom Jobim.
Após emplacar duas músicas na tevê ["Domesticada" e "Boombox" na série The OC, além desta última também ter sido escolhida para um comercial de creme da Bailey's] e uma no cinema ["Flood" está no trailer de The Upside To Anger, novo filme de Kevin Costner], o Mosquitos quer agora lançar seus discos no Brasil. E, quem sabe, futuramente tocar aqui na terrinha, aproveitando para pôr em prática a letra da música "Um Xixizinho no Oceano".
Durante suas férias no Brasil, Juju Stulbach, a mais nova girl from Ipanema a encantar os gringos, conversou por telefone com o Bacana em uma ensolarada tarde de domingo, logo após um banho de mar na capital carioca.
Quando a banda começou?
Em 2001, dezembro de 2001. Eu estava participando de um filme, o diretor era amigo do Chris. Existiam milhões de balões no set e o Chris estava ajudando o amigo a enchê-los com aquela maquininha de gás. E eu estava lá, como toda brasileira. Esava esperando minha cena e, enquanto não chegava minha hora, ficava cantarolando. Ele me ouviu e achou que eu serviria para uma idéia que ele já tinha: um projeto musical que envolvesse o Brasil. E ali ele me chamou para fazer parte. O filme era The Popper. Era um curta. Na verdade, um curta de 16mm.
Vocês já foram chamados de indiepop, neobossa, bossa nova. O site AllMusic Guide aposta em vocês como a next big thing. Já acharam fragmentos de krautrock – notadamente Neu! – e de Yo La Tengo no som de vocês. Você mesma é freqüentemente comparada a Bebel e Astrud Gilberto. Mas como vocês definiriam o próprio som?
É difícil de a gente se comparar, até porque todas essas referências que colocaram pra gente são coisas que a gente nem escuta muito. Então eu acho que a gente é a soma da experiência musical individual de cada um. Eu, brasileira; eles, americanos; eu morando lá e apresentando um monte de coisas pra eles. O Chris, na verdade, cresceu ouvindo muito Sérgio Mendes, de forma que ele sempre foi muito ligado à música brasileira de alguma maneira – o que lhe deu a vontade de criar algo que envolvesse isso. Me conhecer foi o início da concretização do projeto.
Vocês têm músicas em português e em inglês. Você canta quase todas as músicas em português, exceto "No Fim do País", na qual Chris faz uma participação cantando em português...
É, ele queria cantar. Depois do primeiro álbum ele veio falando pra mim que queria cantar em português. Ele tem um pouco de dificuldade em aprender o idioma. A gente já estava quase no final das gravações quando ele veio com essa música, que não tinha refrão. Perguntei para ele se ele queria cantar em português aquilo. Como estávamos no final do CD e tínhamos ainda muitas coisas por fazer, a gente fez uma frase só. Duas frases, na verdade. Aí eu fiquei do lado dele, ajudei-o a cantar e ele cantou em português. De repente, no próximo disco ele canta mais ainda.
Ele já está falando bem?
Não, só fala algumas palavras, entende algumas coisas. Ele já tinha vindo aqui antes uma vez. Aí veio de novo para gravar o primeiro disco. Mas dessa vez, em que ficou três semanas, ele começou a entender mais o idioma agora.
Qual o processo de composição das letras? Você faz todas em português e ele as em inglês?
As letras, Chris e eu que fazemos. Tem músicas em que ele faz as letras, tem músicas em que eu faço. E na maioria das vezes fazemos juntos. Às vezes eu tenho uma idéia em inglês. Aí traduzo pra português e mostro pra ele ver como é que fica. E a gente vai fazendo assim.
Sunhine Barato ainda é um lançamento relativamente recente. Já há planos para um terceiro álbum?
Muito devagar. Desta vez, quero fazer as coisas com mais tempo. Acabamos de comprar uns instrumentos novos. Ainda estamos brincando com eles, aprendendo a usar. As letras estão saindo devagar. Eu não quero lançar nada esse ano, não, só para o ano que vem. Até porque eu acho que Sunshine Barato ainda não deu tudo o que tinha que dar. Então vamos continuar, acho que dá pra trabalhar ele ainda mais um pouquinho. Vai demorar um tempo pra gente lançar coisa nova.
Algumas gravadoras nacionais já demonstraram interesse em lançar o CD. Midsummer Madness, por exemplo...
A gente já conversou com a Midsummer Madness e, na verdade, estamos conversando com outras gravadoras também. Porque a gente quer lançar e ter condições de poder comercializar. Por enquanto não temos nenhuma posição definida.
E shows? Existe a possibilidade de vocês tocarem aqui?
Rola, rola sim. Mas a gente quer fazer direitinho, com grana, para poder trazer os músicos. Então é melhor esperar um pouquinho pra fazer direito.
O que vocês têm ouvido?
Há uns dias eu levei o Chris pra ver o show do Ney Matogrosso com Pedro Luís e a Parede. Queria mostrar o Ney Matogrosso pra ele. Chris adorou. Temos ouvido umas coisas antigas de samba brasileiro, Noel Rosa... Ele é apaixonado por Novos Baianos e Jorge Benjor. Voltamos também a ouvir os Beatles, desde os primeiros discos, relembrando, conversando...
Estando há três semanas no Brasil, já deu tempo de fazer um xixizinho no oceano?
Foi a primeira coisa. "Cheguei em casa".
Alexandre Sigrist é o editor do site 3am
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