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Ao Vivo - Góticos4Fun
Escrito por Abonico Sex, 25 de Abril de 2008 16:33
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Depois de festa glitter, a tragédia: o engimático e idolatrado Homem-Carpa é morto em pleno palco.
Góticos4FunMotorrad [Curitiba] :: 11.12.04
Momento em que o Homem-Carpa é morto pelo Homem-Truta.
Em um bar aparentemente inofensivo reunem-se várias criaturas da noite acometidas de um único desejo: presenciar uma barbárie, o maior cataclisma do rock’n’roll de Curitiba. A morte de um enigma. Homem-Carpa e Homem-Truta disputando a vaga para brilhar muito mais que os reis do glitter. Johnny Lipstick, Faros Bird, Vic Lovestar, Gary Flower e Roy Thunder participam de um misto de vingança, dor, terror e loucura.
O lugar está lotado. Uma estranha fumaça vermelha, talvez simbólica, talvez mortal, adentra pelas gargantas dos expectadores, vorazes por sangue, morte e destruição. A fumaça cega minha vista, preciso me afastar um pouco. Me parece que somos todos abduzidos por essa força glitter invisível. Sinto o espírito do rock verdadeiro ali. Sensações estranhas, Iggy Pop e David Bowie devem estar presentes em ectoplasma. O público ovaciona, clama, pede, exige: “Homem-Carpa! Homem-Carpa!”. Mas Johnny Lipstick, frontman, líder, abre o show com "Medication", do Primal Scream, fazendo a gente duvidar que algo tão vil está para acontecer.
As baterias de Vic Lovestar, centauro do rock, um maestro dos pelegos socados, começa discretamente anunciar o que está prestes a acontecer. “Power Of the Glam", todos sabem o refrão; "Hard Connection" e "Boys Keep Swinging", de David Bowie, o grande homenageado. Uma chuva de pirulitos. É o símbolo do amor, a simbologia mística do amor pelo rock, ainda é cedo pra pensar em morte.
Góticos4Fun vieram com a missão de divertir e transgredir. É rock’n’roll puro e mitológico. É algo que pode ou não atingir as mentes mais insanas, depredar e descompor o que todos estavam acostumados a ver até então: bandas que cantam olhando para o chão. Eles olham para as luzes. As luzes, o calor, o fogo sensual, o velho e bom rock-glitter-glam-punk, que nos lembra os antigos grupos monstruosos como New York Dolls. John Sinclair sentiria orgulho. Marc Bolan, Johnny Thunders, Bowie são lembrados a cada acorde. Sinto as garrafas quebrando nas minha mãos. Sinto o frisson. Estou perto. As garrafas rasgam minha carne.
"Don´t Talk" e entra Rafael Martins, um ex-G4F, que foi proibido de tocar nessa banda anticlerical, anticulpa-cristã, que foi removido da formação por um medo velado que ouso delatar: sua mãe não deixava ele tocar com estes seres notúrnos e volúveis. Procurar e destruir. O inimigo estava disfarçado. O público rapidamente encarna a ilógica deste momento, deste evento. Mais música, mais surpresas, os pirulitos voando e acertando as cabeças dos integrantes. "You Can Dance Tomorrow" rompe, transforma. Uma fantástica chuva de Sky Paper. Estamos amontoados, suando, subimos no palco para cantar junto. É inevitável, estou "glamourizada". Estou acometida deste vírus, desta epidemia.
As pessoas não acreditam em tamanha sofisticação. Estão deslumbradas. Faros Bird agora está em um mundo paralelo, no seu mundo bizarro de super-herói. Gary Flower quase não respira, ele flutua com seu baixo. Faros Bird é “Hero", é um budista do rock, um ser intuitivo, xamanista. Sua guitarra está tocando sozinha, ele é Robert Smith. Ele é volcano, ele é muito louco mesmo. "Don´t Talk". "Saying, Saying, Saying".Coro novamente. É um absurdo. Beijos, delírios. As pessoas querem fazer sexo.
É uma grande energia sexual este show, até que, de repente, tudo é pulverizado pela entrada do peixe-molusco-glitter. E aí as cenas são quase terríveis e inassimiláveis. Mas vemos com os olhos secos, imóveis. Urros, gritos e desmaios. Chega a hora esperada. O fim do Homem-Carpa.
Homem-Truta aparece. Homem-Carpa está cercado. “We´re Not Gonna Take It”. Twisted Sisters é um hino de louvor neste sacrifício, um sacrifício necessário. Homem-Carpa é esfaqueado por Homem-Truta perante os olhos de milhares de mortais, sendo inclusive morto na alma por seus companheiros. Faros Bird está desesperado. É acometido de uma onda de fúria. Quer morrer junto. Ele participa e se arrepende, ama e odeia. Os extremos fazem a marca da banda, tudo é excessivo: maquilagem, figurino, atitudes, uso de substâncias... Mas o verdadeiro rock é excessivo. Quem não ousa ser glam que atire a primeira pedra.
É dada a ordem para que a maior banda da face da terra contamine os seres deslocados. Eu, Carninha, conhecida de alguns por usar o nome de Karen Tortato, presencio esta cena dantesca, bem no dia que eu fui comer peixe no Restaurante Mikado. Assisti ao fim deste ser marinho, seu declínio e ascensão. Homem-Carpa is not dead.
Karen Tortato
O lugar está lotado. Uma estranha fumaça vermelha, talvez simbólica, talvez mortal, adentra pelas gargantas dos expectadores, vorazes por sangue, morte e destruição. A fumaça cega minha vista, preciso me afastar um pouco. Me parece que somos todos abduzidos por essa força glitter invisível. Sinto o espírito do rock verdadeiro ali. Sensações estranhas, Iggy Pop e David Bowie devem estar presentes em ectoplasma. O público ovaciona, clama, pede, exige: “Homem-Carpa! Homem-Carpa!”. Mas Johnny Lipstick, frontman, líder, abre o show com "Medication", do Primal Scream, fazendo a gente duvidar que algo tão vil está para acontecer.
As baterias de Vic Lovestar, centauro do rock, um maestro dos pelegos socados, começa discretamente anunciar o que está prestes a acontecer. “Power Of the Glam", todos sabem o refrão; "Hard Connection" e "Boys Keep Swinging", de David Bowie, o grande homenageado. Uma chuva de pirulitos. É o símbolo do amor, a simbologia mística do amor pelo rock, ainda é cedo pra pensar em morte.
Góticos4Fun vieram com a missão de divertir e transgredir. É rock’n’roll puro e mitológico. É algo que pode ou não atingir as mentes mais insanas, depredar e descompor o que todos estavam acostumados a ver até então: bandas que cantam olhando para o chão. Eles olham para as luzes. As luzes, o calor, o fogo sensual, o velho e bom rock-glitter-glam-punk, que nos lembra os antigos grupos monstruosos como New York Dolls. John Sinclair sentiria orgulho. Marc Bolan, Johnny Thunders, Bowie são lembrados a cada acorde. Sinto as garrafas quebrando nas minha mãos. Sinto o frisson. Estou perto. As garrafas rasgam minha carne.
"Don´t Talk" e entra Rafael Martins, um ex-G4F, que foi proibido de tocar nessa banda anticlerical, anticulpa-cristã, que foi removido da formação por um medo velado que ouso delatar: sua mãe não deixava ele tocar com estes seres notúrnos e volúveis. Procurar e destruir. O inimigo estava disfarçado. O público rapidamente encarna a ilógica deste momento, deste evento. Mais música, mais surpresas, os pirulitos voando e acertando as cabeças dos integrantes. "You Can Dance Tomorrow" rompe, transforma. Uma fantástica chuva de Sky Paper. Estamos amontoados, suando, subimos no palco para cantar junto. É inevitável, estou "glamourizada". Estou acometida deste vírus, desta epidemia.
As pessoas não acreditam em tamanha sofisticação. Estão deslumbradas. Faros Bird agora está em um mundo paralelo, no seu mundo bizarro de super-herói. Gary Flower quase não respira, ele flutua com seu baixo. Faros Bird é “Hero", é um budista do rock, um ser intuitivo, xamanista. Sua guitarra está tocando sozinha, ele é Robert Smith. Ele é volcano, ele é muito louco mesmo. "Don´t Talk". "Saying, Saying, Saying".Coro novamente. É um absurdo. Beijos, delírios. As pessoas querem fazer sexo.
É uma grande energia sexual este show, até que, de repente, tudo é pulverizado pela entrada do peixe-molusco-glitter. E aí as cenas são quase terríveis e inassimiláveis. Mas vemos com os olhos secos, imóveis. Urros, gritos e desmaios. Chega a hora esperada. O fim do Homem-Carpa.
Homem-Truta aparece. Homem-Carpa está cercado. “We´re Not Gonna Take It”. Twisted Sisters é um hino de louvor neste sacrifício, um sacrifício necessário. Homem-Carpa é esfaqueado por Homem-Truta perante os olhos de milhares de mortais, sendo inclusive morto na alma por seus companheiros. Faros Bird está desesperado. É acometido de uma onda de fúria. Quer morrer junto. Ele participa e se arrepende, ama e odeia. Os extremos fazem a marca da banda, tudo é excessivo: maquilagem, figurino, atitudes, uso de substâncias... Mas o verdadeiro rock é excessivo. Quem não ousa ser glam que atire a primeira pedra.
É dada a ordem para que a maior banda da face da terra contamine os seres deslocados. Eu, Carninha, conhecida de alguns por usar o nome de Karen Tortato, presencio esta cena dantesca, bem no dia que eu fui comer peixe no Restaurante Mikado. Assisti ao fim deste ser marinho, seu declínio e ascensão. Homem-Carpa is not dead.
Karen Tortato
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