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Ministry

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Grupo americano “renasce” com trabalho que volta as suas baterias de fúria contra George W. Bush.

Ministro x presidente

Depois de enfrentar processo de decadência criativa por causa de abuso de drogas e dedicação a projetos paralelos, o Ministry, agora com seu núcleo central reduzido a Al Jourgensen, celebra seu “renascimento” com um álbum que equipara a sonoridade furiosa da banda ao ódio sentido por George W. Bush, a ponto de quase todas as faixas iniciarem com a inicial do nome do meio do atual chefe da Casa Branca. Fabrício Muller ouviu The Houses Of The Molé.

Fúria metálico-industrial de Al Jourgensen se volta contra George W. Bush.

O Ministry conheceu grande sucesso de público e crítica em 1992, com o lançamento de Psalm 69: The Way To Succeed And The Way To Suck Eggs. De lá para cá a banda entrou em um acentuado processo de decadência por causa de abuso de drogas e o grande número de projetos paralelos de Al Jourgensen e Paul Barker (a dupla que era o cerne do grupo).

Chegamos em 2004. Paul Barker saiu e Jourgensen convidou outros músicos para criar The Houses Of The Molé (WEA, importado), álbum que está sendo considerado por grande parte da crítica uma espécie de “renascimento” da banda. Realmente, este é um fenomenal disco de rock pesado, com a conhecida mistura de industrial e metal que fez a fama do Ministry, e onde quase todas as faixas começam com a letra W (referência a George W. Bush, odiado pela banda).

O álbum começa da maneira mais clichê possível: “No ‘W’” inicia com uma famosa (e batida) passagem de Carmina Burana – mas a passagem desta para o riff thrashy e poderoso que vem a seguir é coisa de gênio. E a letra não deixa por menos: "Me pergunte por que você se sente ferrado/ E eu vou te dar a resposta/ Tem um Colin, um Dick, um Bush/ forçando a barra por aí". Outro riff veloz e hipnótico é o que o Ministry apresenta a seguir, na ótima “Waiting”, que tem alguns jogos de palavras intraduzíveis (“Wasting my time in the USA/ (...) Waiting for a life in the USA” – "Desperdiçando meu tempo nos EUA/ (...) Esperando por uma vida nos EUA"). A faixa seguinte, “Worthless”, é meio repetitiva e sem atrativos mas “Wrong”, a que vem depois, é uma das mais complexas, pesadas e brilhantes de todo o álbum – começa lenta e arrastada (e muito semelhante a “Scarecrow”, do álbum Psalm 69), mas logo outro riff matador toma conta. A letra acusa violentamente as classes dominantes: "O que faz você pensar que nós poderíamos acreditar/ Em um mentiroso maior, menor na avareza/ Você se aproveita das pessoas necessitadas/ Hipocrisia". Outro riff rapidíssimo é o que vem a seguir, na poderosa “Warp City”, que conta uma série de historinhas rápidas como esta: “Ela começou bebendo vinho/ E então não pôde parar/ Ela devia estar fora de si/ E é por isto que ela teve que ser fuzilada”.

Quando o ouvinte já começa a achar que ninguém pode manter um disco no altíssimo nível que The Houses Of The Molé vinha mantendo, vem a melhor faixa de todas: “WTV”, uma retomada de “TV II” (também de Psalm 69) com guitarras rapidíssimas, paradas, idas e voltas; berros, sons de vozes e sons de furadeiras elétricas: uma faixa caótica, imprevisível e impressionante. A letra acompanha esta loucura toda ("Eu escuto vozes na minha cabeça/ A voz de alguém na minha cabeça/ Tenha medo/ Tenha medo/ Paranóico e depravado/ Código vermelho/ Código amarelo/ (...) Faça isto parar/ Faça isto parar").

As três últimas músicas "oficiais" do álbum (“World”, “WKYJ” e “Worm”) são interessantes mas bem menos brilhantes do que as que vieram antes. É como se o Ministry tivesse exaurido suas forças. As duas faixas "escondidas" são experimentais, com ruídos, músicas e ritmos de diversos tipos (inclusive trechos das ditas "oficiais"). Nad, porém, que arranhe o brilhantismo deste excepcional disco que é The Houses Of The Molé.