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China
Escrito por Abonico Qui, 24 de Abril de 2008 11:43
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Modernizar o passado é uma evolução musical
Vocalista do Sheik Tosado estréia sua carreira solo fonográfica dando vários passos à frente. No EP Um Só, China promove o encontro entre a MPB e o experimentalismo. Junta guitarras pesadas,theremin, sons psicodélicos, pianos Fender Rhodes, teclados dub, new bossas, sambas lisérgicos e muitos efeitos. Não nega a herança do passado manguebit, mas olha para a frente ao propor uma criativa mistura de música brasileira. Por Ricardo Schott.
Primeiro disco solo insere China com folga no circo da MPB.
Um Só (Cardume/EMI), vai entender como, é produzido por Dado Villa-Lobos, que até que mandou bem comandando as gravações de um disco que nada tem a ver com Legião Urbana, Emo (grupo que ele também produziu) ou o que quer que soe parecido com isso. Sustentando-se em uma linhagem que começa lá pelas nordestinididades e experimentalismos dos anos 70, chegando ao manguebit e seus seguidores, China fez de seu primeiro trabalho solo um disco de MPB experimental dos melhores.
Aliás, o ex-Sheik Tosado é o responsável pelo lançamento mais doidão (no bom sentido) da primeira leva do selo carioca Cardume – que aposta no formato EP (seis faixas). Em Um Só rolam guitarras pesadas, efeitos, new bossas, tecladinhos, dubs, theremin, sons psicodélicos, pianos Fender Rhodes, lances herdados de Nação Zumbi e mundo livre s/a (a ruidosa faixa de abertura "Contra-informação", cita uma faixa de Güentando a Oia, segundo álbum do bando de Fred 04), sambas lisérgicos e até um momento MPB, na quase cinematográfica versão de "Samba e amor", de Chico Buarque (com cordas, vibrafone, efeitos e “lap top”).
Para quem escutou Som de Caráter Urbano e de Salão, disco único do Sheik Tosado (atirado no mercado pela Trama em 1999) e detestou, vale a pena pegar o CD do China em alguma loja. Se o Sheik lembrava uma espécie de Nação Zumbi tatibitate, com letras ruins e melodias travadas, China consegue se inserir com folga no circo da MPB ao pôr em seu disco de estréia um samba-rock repleto de efeitos ("Ainda Esquento o Barracão"), um belo sambinha romântico e psicodélico ("Cristalino") e uma bossinha lounge com arranjo de metais e boas guitarras ("Um Só"), além da lisérgica "Ultravioleta". Esta mescla samba e reggae (nada a ver com Daniela Mercury) em versos repletos de imagens ("Eu tô de cara/ Com o sol na minha cara/ Descascando minha pele/ E refletindo sua luz"). Para quem busca uma referência, o som lembra um pouco o lado mais calmo do mundo livre s/a (de discos como Carnaval na obra e Por Pouco e de músicas como "Maroca" e "Meu Esquema") unido às idéias e experimentações que China vinha juntando desde a época do Sheik Tosado (o EP tem faixas compostas em 1999).
Além disso, o cara estreou muito bem acompanhado, com um verdadeiro who's who na ficha técnica. Tem desde Bianca Jhordão (Leela) tocando theremin e o baterista Domenico (Domenico + 2, Caetano Veloso) ao guitarrista Rafael Crespo (Planet Hemp, aqui também dividindo parcerias) mais o próprio produtor Dado Villa Lobos tocando violão e fazendo programações. Este é um dos lançamentos mais criativos de 2004. Com certeza.
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