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Teenage Fanclub fecha festival em noite de delírio e deixa público indie de Recife completamente anestesiado.

Ao Vivo

Marcela de QueirozCoquetel Molotov
UFPE (Recife) – 01.05.04

Teenage Fanclub fez os recifenses voltarem mais felizes para casa.

Recife, primeiro de maio. Sábado morno, com cara de domingo. Lojas fechadas, ruas esquisitas sem o agito dos transeuntes. O clima letárgico permeava até mesmo o teatro da UFPE, na Cidade Universitária, onde iria rolar a partir das 20 horas o No ar: Coquetel Molotov, com shows das bandas Parafusa (PE), Profiterolis (PE), Pelvs (RJ), Hell On Wheels (SUE) e Teenage Fanclub (ESC). Mas as poucas pessoas que estavam no local não escondiam a felicidade de estarem presentes ao evento que ficaria marcado na história da cena indie recifense (sim, porque nem só de mangue beat vivem os pernambucanos!)

A Parafusa entrou no palco com meia hora de atraso e fez um show comportado para as poucas pessoas que já estavam sentadas nas poltronas do teatro. A banda é formada por ex-integrantes da Pulso 100, banda que fazia covers do pop rock tupiniquim em bares do Recife, como o Dowtown Pub. A rapaziada continua viajando no pop rock, mas passou a ter levadas de MPB que lembram muito o Los Hermanos – embora os integrantes garantam que essa semelhança seja mera coincidência. O repertório do grupo teve espaço até mesmo para marchinhas de carnaval, dando uma certa impressão de que o show foi adaptado para um teatro. Uma pena, pois a Parafusa tem mais peso para mostrar.

Bastou o primeiro intervalo de vinte minutos para sacar o grande defeito do festival. Como foi realizado em um teatro, ninguém poderia fumar – muito menos, levar as latinhas de cervejas para as poltronas. A lei seca acabou atormentando a platéia, que foi para a área externa do teatro para molhar a goela. A essas alturas, o público era bem maior e poucas pessoas perceberam que a Profilerólis estava no palco. A banda fez um som esquisito, misturando rock pesado com muita percussão. Não disse muito a que fora escalada para o festival – e, portanto, recebe pouco espaço nessa resenha.

Ao final da segunda banda pernambucana entraram em cena uma equipe de roadies que agiu rápido para deixar os instrumentos tinindo para os cariocas da Pelvs mostrarem o seu som. Pela primeira vez tocando no Nordeste, a moçada estava tímida. O vocalista Gustavo Seabra nem olhava para platéia quando dirigia algumas palavras. Para quebrar o gelo, Rafael Genu vestia a camisa da bandeira de Pernambuco. O som do Pelvs remete ao momentos mais sombrios do Pavement e do Yo La Tengo. Como a platéia estava a fim mesmo de permanecer sentada, os solos esquizofrênicos (no bom sentido da palavra) e longos de Seabra ajudaram a galera a guardar as energias para o momento mais esperado.

Mas o surpreendeu muita gente foi com o fato de que parte dessa energia foi gasta com o show dos suecos da Hell On Wheels. A banda entrou instigada para mostrar serviço. Enfim, o festival passou a ter cara de show de rock. Alguns jovens se postaram em frente ao palco e começaram a pular, bater cabeça e interagir com a banda. Mesmo quem não conhecia o som dos suecos fazia qualquer coisa para acompanhar a performance eletrizante do vocalista e guitarrista Rickard Lindgren. Se no início do show do HOW foi marcada por uma pequena discussão entre os ensandecidos fãs que queriam assistir à apresentação em pé e os morgados que queriam permanecer sentados, o final foi instigante com o grito da baixista Åsa ("Stand up, Recife!"). Foi quando eles emendaram a energética “Nothing Is Left”, do segundo álbum, Oh My God What Have We Done.

O momento mais aguardado do festival só aconteceu mesmo na madrugada de domingo. Era exatamente 0h35 quando o Teenage Fanclub entrou no palco. Pela primeira vez um dos maiores ícones da música alternativa estava em solo brasileiro. A banda não se fez de rogada e mandou ver os grandes clássicos “About You” e “Start Again”. O TFC estava tão à vontade que o vocalista e guitarrista Norman Blake não pensou duas vezes para tirar o chiclete da boca e colocá-lo em uma das caixas. "Esse vai ficar para depois do show", disse, para depois emendar com “Don't Look Back”, a mais bela canção do disco Grand Prix.

Foram mais de uma hora e meia de puro deleite e delírio para os fãs. O Teenage passeou por todas as grandes canções dos seus discos de estrada, deixando de lado o chatinho projeto com Jad Fair, que chegou ao Brasil no ano passado. Os fãs enlouqueciam a cada música e não paravam de pedi-las. Teve gente que chorava de tanto pedir “Spark’s Dreams” e ficou maluca quando foi atendida.

Ainda houve espaço para bis (“Star Sign” e “I Can´t Feel”). Quando a banda saiu do palco e as luzes do teatro acenderam, indicando que ela não mais voltaria ao palco, a platéia se revelava anestesiada. A volta para casa, desfilando nas ruas do Recife ainda mais desertas e esquisitas, teve uma diferença: todos estavam mais felizes.
Marcelo Cavalcante


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