Arquivo
Radar – Transistors
Escrito por Abonico Qua, 23 de Abril de 2008 17:35
Twittar este Artigo
Radar
Destaque de recente safra de bandas revivalistas (nas sonoridades e no visual), o Transistors sabe lidar muito bem com sua dupla personalidade. Pode ser visceralmente garageiro, com um pé no protopunk sixtie, vocais nervosos e batidas urgentes. Mas também pode ser psicodélico, com grooves irresistíveis e guiado por suaves e melódicos vocais femininos. Abonico R. Smith fala mais sobre o trio que virou quinteto e ataca com várias covers em seu álbum de estréia, lançado em 2003.
A formação atual do Transistors permanece inédita em disco.
De uns anos para cá uma facção bem peculiar vem se destacando na cena indie paulistana. São jovens músicos com o coração 100% retrô. Eles cultuam a época que revolucionou o mundo. Mantêm as sonoridades do passado (mais para a perpetuação de timbres e a adaptação de maneirismos, menos para a mera reprodução) e revivem o visual perdido pelos brechós das esquinas.
Um desses nomes revivalistas até a medula é o Transistors, na ativa desde 1999 e com um álbum lançado (In Transfuzzion, 2003. pelo selo Bizarre) e a participação na coletânea Brazilian Peebles (Baratos Afins, 2000), ao lado de outros nomes emergentes do underground de São Paulo. O mais interessante, porém, é a grande capacidade de compactação de duas bandas em uma só.
São duas as faces latentes do Transistors. Uma é psicodélica, cheia de efeitos, marcada pelo groove, com um pé no mod (influências de Kinks e Creaton) mais vocais femininos entre o melódico e o balbuciado. Outra é urgente, barulhenta (pedal fuzz ligado no volume máximo), com o outro pé no protopunk de ícones garageiros (Seeds, Sonics, Nuggets) mais vocais masculinos pungentes.
Alberto Zioli (guitarras, órgãos e vocais) é o único remanescente da formação original. Ele fundou a banda ao lado da namorada Zuleika Testone (baixo e vocais) e o baterista Gregor Izidro (hoje tocando em outro trio paulistano, o Fuzzfaces). Fábio Barbosa (integrante de outras formações, como Gasolines e Magic Crayon) logo ocupou a vaga deixada por Izidro. Foi com esta formação que o Transistors gravou os dois discos.
Gravado e produzido por dois integrantes do Thee Butcher’s Orchestra (Adriano Cintra e Marco Rocha), In Transfuzzion é cru ao extremo. Faixas como “Texas Garage Punk” (cuja letra compara traquitanas tecnológicas a máquinas de lavar), “I Don’t Wanna Be Like You” (iggypopesca) e “Fuzz In Saturfation” (nem há o que falar a mais de versos como “Hey baby/ It’s fuzzing my brain/ Hey baby/ It’s happening again”), todas cantadas nervosamente por Zioli, compõem o lado “pancadaria”. Já aquele irresistível soul sixtie embala a doce voz de Zuleika na pop “Tomorrow” e na funky “Glisten”. No meio espaço ainda para viagens (“Atma 9”, que chapa na overdose de wah-wahs e aposta nos versos em português; a balada 6/4 “Shadows Of Mind”) e cinco covers certeiras (entre elas “You’re Gonna Miss Me” e “Gotta Move”, respectivamente do 13th Floor Elevators e do Kinks).
Em 2001, Zuleika decidiu morar na Inglaterra (In Transfuzzion fora gravado pouco antes da viagem) e o grupo recebeu três novos integrantes: o tecladista William Roque, a segunda guitarrista Mary Freefall e a baixista Andréia Crispim. Com cinco músicos no palco, a sonoridade fica mais encorpada e Zioli liberado para caprichar nas performances, já que não precisa mais preencher todos os espaços harmônicos dos arranjos. Resta agora ouvir a transposição deste novo Transistors para o disco. Um novo álbum faz-se mais do que necessário. Para breve.
- 23/04/2008 17:57 - Rough Trade
- 23/04/2008 17:44 - Zigurate
- 23/04/2008 17:42 - PB
- 23/04/2008 17:41 - Wedding Present
- 23/04/2008 17:37 - Limp Bizkit
- 23/04/2008 17:34 - Ao Vivo - Abril Pro Rock
- 23/04/2008 17:33 - Top Ten – dw

| < Anterior | Próximo > |
|---|





