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ESPECIAL - Morrissey

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Em maio será quebrado um longo silêncio fonográfico. Depois de sete anos sem lançar um álbum sequer, ele estará de volta com material inédito. You Are The Quarry traz Moz mais pop e com canções mais leves e emotivas.

O debochado ataca novamente

Em maio será quebrado um longo silêncio fonográfico. Depois de sete anos sem lançar um álbum sequer, ele estará de volta com material inédito. You Are The Quarry chegará às lojas trazendo um Morrissey mais pop e com canções mais leves e emotivas, sob a produção de Jerry Finn (Blink 182, Sum 41). O Bacana antecipa muito do que virá neste que é um dos mais aguardados discos dos últimos tempos. Textos escritos por Abonico R. Smith e Fabrício Muller.

Língua ferina de Moz volta a destilar veneno contra os críticos e a família real britânica.

Já começou a contagem regressiva para o fim da maior abstinência das últimas décadas da música pop. Está previsto para maio (17 na Europa e 18 nos Estados Unidos) o lançamento de You Are The Quarry, o primeiro álbum lançado por Morrissey em sete anos. Ainda faltam dois meses para a chegada do disco às lojas, mas a extensa legião de fãs espalhada ao redor do mundo já começa a se organizar em busca de informações e gravações inéditas antecipadas pela web.

Desde 1997, o vocalista mantém seu silêncio fonográfico. Um ano após o lançamento de Maladjusted, o selo A&M anunciava a sua falência. Aos poucos, os artistas homeless foram achando novos lares. Contudo, o ex-líder dos Smiths encontrou muitas dificuldades para fechar um novo contrato. Continuava compondo, gravando, excursionando (a turnê Oye Esteban, de 2000, passou pelo Brasil) e gerando histeria coletiva por onde passava, mas não estava em qualquer gravadora. No fim do ano passado, enfim, foi divulgado que um novo disco sairia sob o rótulo da Sanctuary, tradicional casa de sons pesados que tem em seu catálogo nomes como Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson e Joey Ramone (in memoriam). Entre as justificativas do longo tempo de definição estavam as freqüentes recusas de Moz a aceitar propostas de algumas gravadoras, como mudar a banda de apoio ou gravar com os músicos do Radiohead.

Aos poucos o mistério sobre You Are The Quarry vai se dissipando. O álbum foi produzido por Jerry Finn, responsável por levar bandas de punk pop ao estouro no mercado americano, como Sum 41 e Blink 182. Um dos méritos de Finn foi enfatizar o lado pop de Morrissey, criando arranjos cheios de cordas sintetizadas. O próprio Moz assume que o disco é bem mais leve do que muitos de seus trabalhos anteriores. “É uma grande ostentação de emoções. E é cheio daquelas coisas maravilhosas chamadas ganchos”, resumiu recentemente, fazendo referência ao jargão musical que caracteriza riffs e melodias grudentas.

Doze faixas foram anunciadas como a track list de You Are The Quarry. Quatro delas já se encontravam disponíveis na rede, em gravações extraídas de shows: “Irish Blood, English Heart”, “The World Is Full Of Crashing Bores”, “The First Of The Gang To Die” e “I Like You” (uma quinta, chamada “Mexico”, ficou de fora da seleção final e provavelmente será incluída como b side de algum single). E por falar em single, “Irish Blood...” (que por algum tempo foi o batismo provisório do álbum e cujo nome faz referência à ascendência irlandesa do cantor), será o primeiro a sair, em 10 de maio. Nesta canção, que desde o ano retrasado freqüenta o set list dos shows, Morrissey diz sonhar com o tempo quando ser inglês não será pernicioso, quando segurar a bandeira não fará ninguém se sentir envergonhado, racista ou racial., quando os ingleses estarão com o saco cheio dos trabalhistas e conservadores, cuspirão no nome de Oliver Cromwell e denunciarão “esta família real”. Retomando brevemente as provocações dos tempos de The Queen Is Dead, ele ainda dispara um verso fulminante: “nenhum regime pode me comprar ou vender”.

A mesma farta dose de cinismo está nos versos sobre guerras e hambúrgueres da faixa de abertura. "Land of opportunity in a just and truthful way/ And where the President is not black, female or gay/ (…) I love you/ I love you/ America/ But you are not the world " ("Terra de oportunidades de um jeito verdadeiro/ Onde o presidente não é negro, mulher ou gay/ Eu te amo/ Eu te amo/ América/ Mas você não é o mundo"), canta em “América Is Not The World”, sobre sons ensurdecedores de bateria e guitarras.

“The First Of The Gang To Die” revela a paixão do artista pelo lado chicano de Los Angeles – a letra conta a história romantizada de Héctor, líder de gangue com sangue mexicano nas veias. Já em “I Have Forgiven Jesus” [uma gravação surgiu na rede na semana passada como sendo a primeira faixa oficial de You Are The Quarry a vazar, mas logo foi descoberto tratar-se de uma gravação de uma banda sueca chamada Boys], Morrissey narra sua via-crúcis diária de estados de espírito inversamente proporcionais à alegre “Friday I’m In Love”, do Cure. A semana começa com humilhação na segunda-feira e acaba com um “my life has killed me” (“minha vida me matou”) na sexta.

Em “I Like You”, Moz traça, sobre um sintetizador, belas linhas melódicas que remetem diretamente ao clássico tecnopop oitentista “Don’t You Want Me”, do Human League. Outro destaque do álbum é “Let Me Kiss You”, feita por ele para Nancy Sinatra, que já anunciou sua intenção de, no seu próximo disco, gravá-la em dueto com o autor. É mais uma canção do mancuniano que fala de problemas no amor.

Mas nem só de amores platônicos e paixões frustradas vive o mundo das letras de Moz. Outros personagens, os críticos “detratores”, voltam a ser alvo das farpas irônicas do vocalista – segundo ele, a música é a sua resposta "à imprensa negativa que ele teve de suportar ao longo dos anos". Na mais-que-direta letra estão frases como "The critics who can't break you/ They somehow help to make you" (“Os críticos que não podem quebrá-lo/ De alguma maneira eles ajudam a faze-lo”), "The critics can't break you/ they unwittingly make you." (“Os críticos não podem quebrá-lo/ Eles inconscientemente fazem você”) e "Your royalties bring you luxuries" (“Seus direitos autorais trazem-no luxúria”).

Por enquanto, ainda não há muitos detalhes sobre a turnê de lançamento de You Are The Quarry. Poucos shows estão confirmados – entre eles cinco em Los Angeles (entre 22 e 27 de abril), um histórico retorno a Manchester depois de mais de dez anos sem tocar na sua cidade natal (justamente no dia 22 de maio, quando Moz completa 46 anos de idade) e as participações nos festivais Green Energy Festival (5 de maio, na Irlanda) e Lollapalooza (em julho, nos Estados Unidos, encerrando um dia que também terá Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club e Flaming Lips). Resta torcer pelo retorno do rei ao Brasil.
Abonico R. Smith



Faixa-a-faixa

“America Is Not the World”
É uma faixa forte, que tem um verso engraçado sobre hambúrgures. Típica de Morrissey, como "Meat is Murder", a canção fala que os Estados Unidos é uma nação com fomentadores de guerras. O cantor, pessoalmente, pede que os americanos sejam mais humildes – mas a música não é anti-americana. Moz canta com uma voz melancólica sob um fundo barulhento de uma guitarra e uma bateria ensurdeceres. Trechos da letra: "Land of opportunity in a just and truthful way/ And where the President is not black, female or gay" ("Terra de oportunidades de um jeito verdadeiro/ Onde o presidente não é negro, mulher ou gay"); "I love you/ I love you/ America/ But you are not the world" (Eu te amo/ Eu te amo/ América/ Mas você não é o mundo").

“Irish Blood, English Heart”
Música já cantada em shows no ano retrasado. Uma canção poderosa, extraordinária em todos os sentidos, “Irish Blood, English Heart” ("Sangue Irlandês, Coração Inglês" – referência ao fato de Morrissey ser inglês descendente de irlandeses) é um desabafo cantado com raiva. Repetida e injustificadamente acusado, no início dos anos 90, pela imprensa britânica por racismo e por usar a bandeira britânica em shows (mais tarde outros fizeram a mesma coisa, sem qualquer reação por parte dos jornalistas especializados), Moz responde que sonha com o tempo quando ser inglês não será pernicioso, quando segurar a bandeira não fará ninguém se sentir envergonhado, racista ou racial. Ele canta que sonha com um tempo em que os ingleses estarão com o saco cheio dos trabalhistas e conservadores, cuspirão no nome de Oliver Cromwell e denunciarão “esta” família real. Com um extraordinário crescendo e clima épico, “Irish Blood, English Heart” tem uma música quase tão boa quanto a sua letra. Letra completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado: "Irish blood, English heart/ This I’m made of/ There is no one on earth I’m afraid of/ And no regime can buy or sell me/ I’ve been dreaming of a time/ When to be English is not to be baneful/ To be standing by the flag, not feeling shameful/ Racist or racial?/ Irish blood, English heart/ This I’m made of/ There is no one on earth I’m afraid of/ And I will die with both of my hands untied/ I’ve been dreaming of a time/ When the English are sick to death/ Of Labour, and Tories/ And spit upon the name Oliver Cromwell/ And denounce this royal line that still salutes him/ And will salute him/ Forever",

“I Have Forgiven Jesus”
Letra com a familiar franqueza de Morrissey, na brilhante relação entre os dias da semana e estados de espírito. Trecho da letra: "Monday, humiliation/ Tuesday, suffocation/ Wednesday, condescension/ Thursday is pathetic/ By Friday, life has killed me” (Segunda-feira, humilhação/ Terça, asfixia/ Quarta, condescendência/ Quinta é patética/ Na sexta, a vida me matou”). Curiosidade: existe uma versão de "I Have Forgiven Jesus" circulando na internet que é falsa, bastante próxima do estilo de Morrissey mas feita por uma banda sueca chamada Boys.

“Come Back to Camden”
Canção no clássico estilo de Morrissey. Balada com piano, no mesmo estilo das belíssimas “I Know It's Gonna Happen Someday” e “Trouble Loves Me”, e na qual o mancuniano usa falsetes. A letra lembra muito “Everyday Is Like Sunday” e mostra que o cantor está em grande forma no modo de contar histórias. Trecho da letra: "Drinking tea with a taste of the Thames/ where taxi drivers never stop talking under stale gray Victorian sky" (“Tomando chá com um gosto do Tâmisa/ onde motoristas de táxi nunca param de falar sob um antiquado céu vitoriano).

“I'm Not Sorry”
Grande solo solo de flauta, mais uma guitarra zumbindo sob um som de bateria em loop. Morrissey não tem arrependimentos do que já fez. Trechos da letra: "The woman of my dreams, she never came along/ The woman of my dreams, well, there never was one" (“A mulher dos meus sonhos, ela nunca ficou comigo/ A mulher dos meus sonhos, bem, nunca existiu uma”); "I'm not sorry for the things I've done" (“Eu não me arrependo das coisas que fiz”); "There's a wildman in my head" (“Há um homem selvagem na minha cabeça”).

“The World Is Full of Crashing Bores”
Executada em shows. "O mundo está cheio de pessoas terrivelmente chatas", mas ele "também deve ser um destes, já que ninguém pede para tomar-lhe em seus braços", canta. "O que há na minha cabeça? Poderia ser o mar – com o destino movendo-se atrás de mim. Não, na verdade são apenas mais popstars doentes e grosseiros, com nada para transmitir", completa o cantor. Em uma entrevista recente, Morrissey disse que escrevia letras sob pontos de vista de outras pessoas. Parece ser o caso aqui, dada a insignificância dos pensamentos nesta canção muitíssimo bem bolada. Letra completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado: You must be wondering how, the boy next door turned out/ Have a care, but don't stare because he's still there/ Demented policemen, policemen, silly willy taxmen, uniformed whores/ They who wish to hurt you, they work within the law/ This world is full of, so full of crashing bores/ And I must be one cos no one ever turns to me to say take me in your arms/ Take me in your arms, and love me/ You must be wondering how, the boy next door turned out/ Have a care and say a prayer because he's still there/ Demented policemen policemen, silly willy taxmen, uniformed whores/ Educated criminals represent the law/ This world is full, so full of crashing bores/ And I must be one cos no one ever turns to me to say take me in your arms/ Take me in your arms and love me/ And love me/ What really lies beyond the constraints of my mind/ Could it be the sea – with fate moving back at me/ No it's just more lockjaw popstars/ Thicker than pig shit, nothing to convey/ They're so scared to show intelligence, it might smear a lovely career/ This world, I am afraid is designed for crashing bores/ I am not one, I am not one/ You don't understand, you don't understand/ And yet you can take me in your arms and love me, love me, and love me/ Take me in your arms and love me…/ Love me, oh love me/ Take me in your arms and love me.../ Take me in your arms and love me, what you do, what you do, what you say...”

“How Could Anybody Possibly Know How I Feel?”
Como alguém poderia saber como me sinto? Com um título espetacular destes, a música nem precisa ser ouvida para ser admirada – falaê!

“The First Of The Gang To Die”
Também cantada por Morrissey em shows, a letra conta a história de Hector, "o primeiro da gangue com um revólver na mão e o primeiro da gangue a morrer". Em um belo jogo de palavras, o cantor conta que "ele roubou do rico e do pobre, e do não muito rico e do muito pobre" (“He stole from the rich and the poor and the not very rich and the very poor”). Mas, apesar de "bobo", Hector "levou nossos corações embora". Mesmo contando a história do primeiro da gangue a morrer, a música é bem animada – como acontecia freqüentemente no tempo dos Smiths, quando letras aparentemente tristes eram embaladas por melodias muito alegres. Letra completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado: You have never been in love until you've seen the stars reflect in the reservoirs/ And you have never been in love/ Until you've seen the dawn rise behind the home for the blind/ We are the pretty petty thieves, and you're standing on our streets/ Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And the first to do time/ The first of the gang to die, such a silly boy/ Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And the first to do time/ The first of the gang to die, oh my/ You have never been in love/ Until you've seen the sunlight thrown over smashed human bones/ We are the pretty petty thieves, and you're standing on our streets?/ Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And the first to do time/ The first of the gang to die, oh my/ Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And a bullet in his gullet/ And the first lost lad, under the sod/ And he stole from the rich and the poor and the not very rich and the very poor/ And he stole our heart away, he stole our hearts away/ He stole our hearts away, ahey ahey ahey, ahey ahey/ He stole our hearts away”

“Let Me Kiss You”
Composta para Nancy Sinatra, que anunciou que vai cantá-la com o próprio Morrissey em seu próximo álbum. É mais uma canção do mancuniano que fala de problemas no amor. Trechos da letra: "Close your eyes and think of someone you physically admire" (“Feche os olhos e pense em alguém que você admira fisicamente"); "You open your eyes and find someone you physically despise" (“Você abre os olhos e descobre alguém que você despreza fisicamente"). Curiosidade: Foram descobertas duas letras na internet que supostamente são de Moz. Uma delas é a de “Let Me Kiss You” e a outra é a de “My Life Is A Series Of People Saying Goodbye”, canção que não fará parte de You Are The Quarry, chamada. As letras estão aqui.

“All The Lazy Dykes”
Praticamente não há informações disponíveis sobre esta música, cujo título em português é "Todas as Sapatas Preguiçosas".

“I Like You”
Incluída no repertório dos shows do ano retrasado, “I Like You” (“Eu Gosto de Você”) possui melodia luminosa. A pessoa amada é descrita: pensa na mesma linha que ele; ninguém que ele conheceu ou conversou sequer se parece com ela; os magistrados hipócritas olham para ela e a inveja os faz chorar. Mesmo com todas estas qualidades, ele tem vergonha de amá-la, pois ela deixou dele sem maiores explicações ("como ela pôde fazer isso depois das coisas que me disse?"). A maneira como Morrissey descreve o seu amor nesta letra é bastante feliz – e mostra que ele não conhecia realmente bem a pessoa amada. Há informações de que a versão de estúdio, que começa com algo semelhante a um sintetizador (com bons resultados), é melhor do que a versão ao vivo. Letra completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado:
Something in you caused me to take a new tact with you/ I was going through something/ You had just about scraped through/ Why'd you think I let you get away with the things you say to me/ Could it be? I like you/ So shameful of me, I like you/ No one I ever knew or have spoken to resembles you/ This is good and bad all depending on my general view/ Why'd you think I let you get away with all the things you say to me?/ Could it be? I like you/ So shameful of me, I like you/ Magistrates who spend their lives hiding their mistakes/ They look at you and I and envy makes them cry/ Envy makes them cry/ Forces of containment, they shove their fat faces into mine/ You and I just smile because we're thinking the same line/ Why'd you think I let you get away with all the things you say to me?/ Could it be? I like you/ So shameful of me, I like you/ You're not right in the head, and nor am I, and this is why/ You're not right in the head, and nor am I, and this is why/ This is why I like you, I like you, I like you/ This is why I like you, I like you, I like you/ You're not right in the head, and nor am I, and this is why/ You're not right in the head, and nor am I, and this is why/ This is why I like you, I like you, I like you”.

“You Know I Couldn't Last”
Épico de seis minutos com estrofes suaves e o refrões enfáticos. Morrissey usa, como inspiração, anos de críticas violentamente negativas que inconscientemente acabaram-no ajudando a manter-se como ídolo. Depois, ele se lembra que seus royalties lhe trouxeram luxúrias. Segundo o cantor, a música é a sua resposta "à imprensa negativa que ele teve de suportar ao longo dos anos". Trechos da letra: "The critics who can't break you/ They somehow help to make you" (“Os críticos que não podem quebrá-lo/ De alguma maneira eles ajudam a faze-lo”), "The critics can't break you/ they unwittingly make you." (“Os críticos não podem quebrá-lo/ Eles inconscientemente fazem você”) e "Your royalties bring you luxuries" (“Seus direitos autorais trazem-no luxúria”).

Faixas que ficaram de fora e podem vir como b-sides de singles
Além da supracitada “My Life Is A Series Of People Saying Goodbye”, também ficaram foram excluídas de You Are The Quarry as canções “The Slum Mums” (que foi gravada nas sessões de estúdio) e “México”, executada em alguns shows do ano retrasado.
Fabrício Muller



Discografia

Viva Hate (1988/1997)
Morrissey disse, em uma entrevista, que foi importante o lançamento deste disco pouco tempo depois do fim dos Smiths, para que o grande público logo tomasse conhecimento da sua carreira como cantor solo. E ele foi feliz neste intento. Viva Hate, que impressiona pela variedade musical, alcançou grande sucesso comercial, chegando ao primeiro posto da parada britânica. Os maiores destaques são os hits “Everyday Is Like Sunday” e “Suedehead”, a acolhedora “Break Up The Family”, a desesperada “Angel, Angel, Down We Go Toghether” e a amarga e debochada “Ordinary Boys”. Em 1997, este mesmo álbum foi relançado – com capa diferente e o acréscimo de oito faixas excluídas da primeira edição.

Bona Drag (1990)
A maior parte da crítica odiou esta coletânea de singles lançados entre 1987 e 1989. A extinta revista Bizz, por exemplo, chamou Bona Drag de “conjunto de canções anódinas”. Mas hoje, ouvido com calma, é impressionante como um punhado de canções – a maioria delas simples e aparentemente despretensiosas – pode deixar o ouvinte tão feliz. As melhores são a melodiosa “Will Never Marry”, as ensolaradas “Picadilly Palare” e “Hairdresser On Fire” e a meio-engraçada-meio-pungente “Ouija Board, Ouija Board”. (Interessante notar que este disco tem “Suedehead” e “Everyday Is Like Sunday”, que já haviam sido lançadas em Viva Hate – a repetição de faixas é uma constante na carreira de Morrissey, tanto solo quanto nos Smiths.)

Kill Uncle (1991)
Amargo e difícil, este álbum foi ainda mais desprezado pela crítica do que o anterior. É extremamente lento – a impressão que dá nas primeiras audições é que Kill Uncle simplesmente não consegue sair do lugar. Com o tempo, entretanto, o disco cresceu – e muito – em qualidade. Hoje em dia simplesmente não dá para negar a excelência de canções complexas e angustiantes como “Mute Witness”, “The Harsh Truth Of The Camera Eye” e “There's A Place In Hell For Me And My Friends”.

Your Arsenal (1992)
Significou um renascimento para Morrissey, tanto em termos de crítica como de público – nenhum outro disco da cantor havia vendido tanto nos Estados Unidos, incluindo os dos Smiths. Neste álbum, ele flerta com o rockabilly, com canções mais pesadas do que fizera em praticamente toda a sua carreira (“We Hate When Our Friends Become Successful”, “You're Gonna Need Someone On Your Side”), além das emocionantes “I Know It's Gonna Happen Someday” (balada valseada no melhor estilo fiftie) e “We'll Let You Know” (espécie de "resumo de toda a sua carreira", segundo o próprio cantor, que considera esta a sua melhor canção).

Beethoven Was Deaf (1993)
Segundo o encarte, este disco foi todo gravado ao vivo em Paris – entretanto, algumas canções foram gravadas em outro show, em Londres. O álbum foi lançado aproveitando o sucesso de Your Arsenal, e é quase todo baseado neste. Como bem notou na época o grande jornalista José Augusto Lemos, algumas canções (como “We'll Let You Know”, “He Knows I'd Love To See Him” e “National Front Disco”) estão melhores aqui do que nas versões de estúdio.

Vauxhall And I (1994)
Brilhante em todos os sentidos, este álbum é considerado por muitos o melhor disco da carreira solo de Morrissey. Mais lento que Your Arsenal, Vauxhall And I tem tanto letras extraordinárias (a assustadora “Lifeguard Sleeping, Girl Drowning”, e a impressionante “Why Don't You Find For Yourself”) quanto melodias arrebatadoras (“Now My Heart Is Full”, “The More You Ignore Me, The Closer I Get”, “Speedway”). No todo, um disco melancólico, pungente e muito, mas muito emocionante.

World Of Morrissey (1995)
Coletânea com lados-A de singles, além de músicas que já haviam aparecido em outros discos. O maior destaque é “Boxers”, uma das mais belas canções que Morrissey já fez (se não a mais bela de todas).

Southpaw Grammar (1995)
O álbum mais barulhento de toda a carreira de Morrissey foi injustamente desprezado por grande parte da crítica, que simplesmente ignorou o seu impressionante punch. Os maiores destaques são “Reader Meet Author” (que tem a frase “Have you ever escaped from a shipwrecked life?” – “Você já escapou de uma vida naufragada?”), a épica e sombria “The Teachers Are Afraid Of The Pupils” e as pesadas “Do Your Best And Don't Worry” e “Best Friend On The Payroll”.

Maladjusted (1997)
O mais recente álbum de estúdio de Morrissey é irregular. Tem algumas faixas excelentes (a complexa faixa-título, as pungentes “Trouble Loves Me”, “Ammunition” e “Alma Matters”), e outras nem tanto (a lenta “He Cried” e a chata “Roy's Keen”).

The Best Of Morrissey (1997)
Coletânea da EMI feita especialmente para o mercado inglês, com os maiores sucessos do cantor nos discos solo lançados pela gravadora (de Viva Hate até World Of Morrissey), além de apresentar algumas canções que não haviam saído anteriormente em álbuns – como “Interlude”, dueto com Siouxsie Sioux.

My Early Burglary Years (1998)
A expectativa era de uma coletânea apenas com b-sides, mas o disco acabou sendo lançado também com faixas que tinham aparecido em outros álbuns. No todo, My Early Burglary Years ficou extraordinário, um disco para se levar para uma ilha deserta. Tem uma espetacular seqüência (as intensas e profundamente emocionantes “I'd Love To”, “Girl Least Likely To”, “I've Changed My Plea To Guilty” e “Michael's Bonés”) que também é encontrada na supracitada reedição do álbum Viva Hate. Tem as pérolas “Swallow On My Neck”, “Black-Eyed Susan”, “Jack The Ripper” (ao vivo) e “Reader Meet Author. Como se não bastasse, ainda tem “Boxers” e uma nova versão do T-Rex (“Cosmic Dancer”, também ao vivo).

Oye Esteban (DVD, 2000)
O único DVD de Moz, até agora. Compila 19 videoclipes lançados pelo cantor em sua carreira solo: “Everyday Is Like Sunday”, “Suedehead”, “Will Never Marry (Live)”, “November Spawned A Monster”, “Interesting Drug”, “Last Of The Famous International Playboys”, “My Love Life”, “Sing Your Life”, “Seasick, Yet Still Docked”, “We Hate It When Our Friends Become Successful”, “Glamorous Glue”, “Tomorrow”, “You're The One For Me Fatty”, “The More You Ignore Me, The Closer I Get”, “Pregnant For The Last Time”, “Boxers”, “Daggenham Dave”, “Boy Racer”, “Sunny”.

The Best Of Morrissey (2001)
Coletânea da Rhino Records com excelente qualidade de edição, feita especialmente para o mercado norte-americano. O disco, cujo repertório foi escolhido pelo próprio Morrissey, engloba toda a carreira solo do cantor até Maladjusted.

B-sides
Os Smiths não lançaram em álbuns grandes canções como “Jeanne” e “I Keep Mine Hidden”. Na carreira solo de Morrissey, a coisa se torna ainda mais incompreensível. É impossível alguém adivinhar por que alguém põe em lados B de singles canções como as belíssimas “Lost” (para mim, uma das músicas mais bonitas de todos os tempos), “I Know Very Well Where I Got My Name”, a versão de estúdio (e cheia de climas) de Jack The Ripper e a angustiante “This Is Not Your Country”. (FM)



Ao Vivo

Morrissey
Forum (Curitiba) – 01.04.2000

Cheguei bem cedo e fiquei quase uma hora na fila antes da casa ser aberta. A noite estava um pouco fria e logo os fãs mais fervorosos foram chegando. Ainda lá fora pude reconhecer algumas meninas que acompanham o Morrissey pelo mundo – como Julia Riley e as moças do site MorrisseyTour. Quando a porta foi aberta o pessoal do gargarejo foi correndo para a primeira fila – enquanto eu subi para o primeiro balcão, onde fiquei sentado o show inteiro, em um ótimo lugar.

O som do local reproduzia peças para solo de violoncelo com a grande Jacqueline du Pré – o que acabava acalmando quem estava nervoso (eu estava). Então começou (bem alto agora) a estranha seqüência de canções punk, músicas no estilo Broadway e algumas coisas de pop de vanguarda que eram executados antes da turnê de Morrissey de 2000 (a lista destas músicas está reproduzida aqui). E era um pop de vanguarda a penúltima antes do show, a que deixou o pessoal realmente excitado pela proximidade do real início do espetáculo: a belíssima "Innocent and and Vain", com Nico. Depois, "Smile", com Timi Yuro. E o show estava quase começando.

Então entrou Morrissey, com uma camisa aberta no meio do peito, jeans apertados, topete e cabelo penteados para trás e com muito gel. Parecia um verdadeiro latin lover. Suas primeiras palavras: "It's a dream to be here" (“eu que o diga”, pensei comigo). A primeira do set list foi "Haidresser on Fire", e, lá de cima, pude perceber que quase todos na Forum conheciam quase todas as músicas, apesar dos grandes sucessos não terem sido executados. Se por um lado o preço do ingresso dificultara que a casa tivesse a lotação esgotada, por outro o público todo conhecia – e gostava muito – do que estava ouvindo.

Mas o que não esperávamos é que Morrissey estivesse tão feliz. Eu já o havia visto em alguns shows e apresentações no vídeo, mas nada se comparava ao verdadeiro prazer que ele parecia estar sentindo. Seus movimentos já conhecidos (andar de um lado para o outro, brincar com o fio do microfone como se fosse um chicote, socar o ar), estavam lentos, tranqüilos, como se quisesse aproveitar cada segundo em Curitiba. E assim continuou o show até o final. Trocou de camisa algumas vezes, mostrando o corpo em ótima forma (para delírio de algumas garotas), apertou muitas mãos, fez brincadeiras (chegou a dizer "Obrigado" ao final de uma canção, sem sotaque), tocou a maioria das músicas de maneira extremamente pesada ("Lost", lentíssima em disco, parecia heavy metal ao vivo). Foi um showman completo. Mas a sua alegria é o que realmente impressionou.

Quanto a mim, estava meio chateado no meio do set, por saber que logo ele iria terminar. Mas como ele disse algumas vezes durante um intervalo entre duas músicas: "Tenha coragem. Nós não terminamos ainda”. E quando o show realmente acabou, fiquei muito tempo olhando os rostos das pessoas na Fórum. Poucas vezes vi na vida tanta gente junta feliz e rindo à toa. (FM)

Mozmania

Se você domina o inglês, tem acesso à internet e quer saber alguma coisa sobre o Morrissey, a partir de apenas um único site poderá ter acesso a virtualmente TUDO a respeito do maior cantor e poeta (e inglês vivo) de todos os tempos.

O site chama-se Morrissey-Solo. Morrissey-Solo. Ele é mantido por um americano chamado David Tseng e não é oficial. O trabalho de Tseng para manter a página é fantástico – todos os fãs do Morrissey têm uma profunda dívida de gratidão para com ele.

Ao acessar o site, você tem em destaque as últimas notícias sobre o cantor. No lado esquerdo superior estão os links para páginas de discussão, outros links, chat, etc. No centro podem ser lidas as últimas notícias sobre o cantor, enviadas normalmente pelos próprios acessantes.

Se você quiser mandar alguma notícia sobre Moz (ou mesmo uma nota insignificante sobre ele que você lera na imprensa), mande o texto para o e-mail de Tseng . Em se tratando de Morrissey, às vezes fica-se quase um ano sem qualquer notícia – já que o cara não é alcoólatra, não usa drogas, não fuma, não come carne, não quebra hotéis e quase não dá entrevistas. Se não houver shows ou um lançamento de disco, simplesmente não há notícia. Então surgem apenas notinhas que saem na imprensa da Inglaterra, sobre comentários maldosos feitos por Henry Rollins ou ainda sobre a amizade entre o cantor e Michael Stipe. Abaixo de cada notícia existe ainda um link para discussões sobre a própria notícia, onde muitas vezes a barra pesa.

Algumas das seções do Morrissey-Solo são bastante interessantes. A página Tour apresenta as datas dos shows, os locais e os pontos de venda de ingressos. Para cada apresentação há um link específico para discussões – e que normalmente apresenta o set list (a lista das canções executadas no palco). A cada nova apresentação, os fãs do mundo inteiro correm para a página correspondente, para saber como ela foi e qual o set escolhido. Às vezes um comentário sobre um show chega a ter mais de quatrocentas visitas.

Em Discussion Boards, além das páginas de discussões citadas anteriormente, existem mais três: fórum geral de discussões, fórum geral sobre a turnê e fórum de compra e venda. O fórum geral de discussões é o principal local do site para muitos. Lá podem ser encontrados os verdadeiros webslaves de Moz, pessoas que passam a vida tentando decifrar o homem, desde o seu gosto pelo vegetarianismo até sua suposta vida sexual. A má notícia é que boa parte dos fãs são pessoas esnobes que só escutam Suede, Belle & Sebastian e Cure e que te mandam para o inferno se você gostar de Alanis Morissette, Pearl Jam ou Black Sabbath. Para que se tenha uma idéia, foi feita uma pesquisa, há muitos anos, entre os próprios acessantes do Morrissey-solo e apenas 9% deles achavam que os fãs do Morrissey não são esnobes em geral. As boas notícias são que alguns fãs são pessoas geniais e você pode perceber que não é o único maluco no mundo. Já no Chat, a discussão obviamente é mais descontraída.

A seção Content também é bastante interessante. Tem todas as entrevistas mais recentes de Morrissey, por exemplo (que já apareceram na página principal de notícias).

Existe ainda um site chamado Shoplifters Union, mantido pelo finlandês Stefan Sahlander, cujo objetivo é criar links para todas as páginas sobre o Morrissey e Smiths na Internet. Não bastando ser a melhor página de discussões e notícias sobre o Morrissey, a Morrissey-Solo acabou oferecendo o seu servidor para a Shoplifters Union sobreviver. Desde então, não falta mais nada para a Morrissey-Solo ser a página que você deve acessar primeiro quando quiser saber algo sobre o cantor. (FM)


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Eu fui!
escrito por Zizi, 18 de maio de 2010
Olá!
Adorei seu relato sobre o show de curitiba! Eu fui e foi um dia incrível. Não sabia se estava feliz ou triste. A entrada do show mesmo... aquela dança com o fio do microfone... foi de arrepiar! Foi lindo. Ele super elegante! Eu briguei com um cara o tempo todo porque ele não me deixava ficar na primeira fila, até que ele desistiu! Valeu apena, o Moz pegou na minha mão 2 vezes, para completo desgosto do meu então namorado, que gostava mais do Morrissey do que de mim!!! heheheheh.. Ele ficou com ciúmes, do Morrissey é lógico! No fim quando tocou Last night i dreamt... caramba... ui! ... Eu já tinha assistido ao Echo & the Bunnymen na Forum, mas o Morrissey ficou na minha memória como o show mais incrível de todos... por vezes compete com o Pixies, mas sempre ganha! E o pior foi ver uma discotecagem (aliás, completamnete bizarra a de antes do show! muito boa! adorei ver o set list aqui!!) depois do show, totalmente feliz e anos 80 e todo mundo rindo e eu ali... triste... dava até dó! Queria ter ido embora junto com ele... rs...

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