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Fabio Massari
Escrito por Abonico Ter, 22 de Abril de 2008 16:44
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Prediletos da casa
Ele ficou conhecido em todo o país nos anos 90, como apresentador da MTV (mais especificamente de programas conceituais e cultuados, como Lado B, Mondo Massari e Manifesto). Antes da experiência na telinha, o Reverendo (como é mais conhecido) levava seu vastíssimo conhecimento musical às ondas do rádio, trabalhando na 89FM, de São Paulo. Na emissora, apresentou um programa chamado Rock Report, que passeava pelo planeta dos bons sons através da ótica massariana.
Ao longo de mais de duzentas edições, Fabio Massari apresentava aos ouvintes muita coisa boa e completamente desconhecida (na época e inclusive até hoje). De vez em quando, levava convidados especiais ao estúdios (músicos estrangeiros em passagem pelo Brasil) ou fazia entrevistas por telefone.
Fora da MTV por opção própria (depois de doze anos de casa), ele fez de 2003 um ano sabático, dedicando-se única e exclusivamente a um projeto muito especial: o lançamento de sua própria editora, a Grinta Cultural [grinta@grinta.com.br], e ao segundo livro da carreira, chamado Emissões Noturnas – Cadernos Radiofônicos de FM.
Melhor do que bater papo com Massari, figura carismática que sempre rende grandes conversas (o Bacana nunca deixará de prestar reverência ao reverendo), é reproduzir aqui trechos de primeira do livro, que passa a limpo os arquivos pessoais do apresentador e apresenta uma bela compilação de algumas das entrevistas feitas por ele no Rock Report.
Kim Gordon (baixo, guitarra e vocais; Sonic Youth)
[Sobre o “nascimento” de uma música da banda] “Estamos sempre tocando juntos. Experimentando, tocando, explorando... Partimos sempre dessa bola de barulho, trabalhamos com ela, nela, como se fosse uma escultura. Tudo pode surgir de um riff. Fazemos uma ‘jam’ baseada nesse riff e essa ‘jam’ pode durar muito tempo, até chegarmos a um resultado um pouco menos abstrato.”
Marc Sloan (baixo; Ritual Tension)
“Sempre quisemos nos comunicar com outros músicos, mas a cena underground novaiorquina é muito fechada, ficam todos muito isolados. Procuramos sempre fazer coisas diferentes, comoi atuação, enquanto que bandas contemporâneas como Sonic Youth e Live Skull sempre me pareceram grande diferença. Chamam a gente de ‘noise band’ e isso é errado. Essas bandas surgiram no final dos 70 e já foi, é ‘dead music’.”
Danny Kelly (editor do semanário britânico New Musical Express em 1992)
[Ao explicar a escolha de Morrissey para uma das capas comemorativas de 40 anos da publicação] “Porque ele está vivo, disponível. Ele fez mais pelos nossos leitores nos últimos anos – de bom ou de ruim – do que qualquer outra pessoa. Talvez ele não represente tanto para o resto do mundo, mas eu ainda acho que quem o odeia o respeita. Ele é como o NME: único, esquisito, diferente, bonito e muito, muito britânico.”
Slash (guitarra; ex-Guns N’Roses)
“Quando toquei com o Michael Jackson, todo mundo ficou me dizendo: ‘você ficou louco, não faça isso’. E na verdade foi muito bom. Ainda falo com ele de vez em quando. A decepção foi o Dylan. O cara tava fora de si, não havia absolutamente nenhum tipo de comunicação.”
Michael Kocáb (vocalista da banda Prazsky Vyber; político e líder do Comitê para Discussões Internas do Paralamento Nacional da Tcheco-Eslováquia em 1991; amigo de Frank Zappa e do então presidente de seu país, Václav Havel)
[Respondendo à pergunta: quando você for presidente quem vai chamar para entrevista-lo?] “Rarará! Sem contar Zappa, que para mim é a comunhão perfeita das mais inspiradas ambições artísticas e políticas dentro de uma só cabeça, só duas pessoas impossíveis me ocorrem: Lennon e Chaplin. Acho que gostaria de conversar com o Schwarzenegger. Ele é o extrato da América e por uma daquelas ironias do destino nem americano é. Bush [pai, então presidente dos Estados Unidos] deve sonhar com ele todas as noites...”
Mark Arm (guitarra e vocais, Mudhoney)
“Nunca pensamos no futuro. Quando começamos só queríamos gravar um single. Ou pela Sub Pop ou pela Amphetamine Reptile, tanto fazia para nós. Como estávamos mais perto da Sub Pop... Daí para frente a coisa foi crescendo, perdendo o controle, assinamos esse contrato em sangue, com o nosso sangue, não podemos mais parar...”
Henry Rollins (vocais; Rollins Band, ex-Black Flag)
“Na primeira edição do Lollapalooza, a minha banda dividia o ônibus com eles [Nine Inch Nails]. Eu costumava vê-los consertando seus instrumentos para quebrá-los novamente nos shows. Costumava ouvi-los dizer: ‘não temos um teclado novo para hoje, temos que quebrar uma guitarra!’ Só podiam quebrar algo que pudesse ser consertado, e meio rápido, ou que pudesse ser substituído, o que não parecia ser o caso. Meio artificial demais para o meu gosto... Você não acha? Eles subiam ao palco, quebravam o instrumento e o público delirava. Mas eu sabia realmente o que estava acontecendo, que a banda ficava reclamando e se atrapalhando toda para poder continuar com o ‘espetáculo’. Por favor! Eles até que são bons músicos, mas ao vivo são meio capengas.”
Nick Cave
“Eu particularmente não diria que fomos [Birthday Party] tão importante quanto o Velvet Underground, mas vejo, sim, uma linha costurando essas bandas [Birthday Party, Velvet Underground, Stooges, MC5]. Todas eram muito primais e violentas, tinham um modo violento de encarar as coisas, ainda que o fizessem de maneiras diferentes.”
“(...) O final foi meio desastroso, eu diria. Percebemos que não havia para onde ir, e os discos são um testemunho disso. Musicalmente, tínhamos atingido o nosso pico. O problema maior foram os shows: no começo, éramos nós que atacávamos diretamente o público, encostando-o na parede, assustando-o. Mas a situação se inverteu de maneira estranha, ao ponto desse público exigir que abusássemos dele, queriam que descarregássemos toda nossa violência sobre ele... o que acabou invalidando a nossa proposta inicial. E a essa altura, metade da banda odiava a outra metade.”
Franz Treichler (samplers e vocais; Young Gods)
[Sobre a capa do primeiro single, Envoyé, na qual o nome da banda foi escrito na própria pele de Treichler, com uma gilete] “Na verdade é porque eu queria ter o nome sobre o corpo, na carne, como uma tatuagem... Puramente um retrato da nossa música... Queremos mostrar o que está dentro de nós. Aquele era o primeiro grito de emergência da banda, através da carne, direto do coração.”
Joey Ramone (vocais; Ramones)
“Às vezes há razões políticas na escolha do produtor. A gravadora diz que determinada pessoa ‘não está acessível’. Eu queria o Steve Lillywhite para produzir Pleaseant Dreams, por causa do trabalho no disco solo do Johnny Thuders, So Alone. Mas a gravadora lançou a pérola: ‘quem é ele? Ele não tem sucessos!’ Nós só queríamos tentar algo novo.”
Mac McCaughan (guitarra e vocais; Superchunk)
“A idéia do faça-você-mesmo não é uma exclusividade dos anos 70. Ser punk é fazer a música que você quer e se divertir. Musicalmente talvez não tenha nada a ver com os 70, mas a idéia e a atitude são muito parecidas. Nossa música é rápida, barulhenta, mas nem por isso deixa de ser melódica.”
Wayne Kramer (guitarra e vocais; ex-MC5)
“O que mais me agrada [na música eletrônica] é que motiva as pessoas a dançar. Eu adoro ver as pessoas dançando, eu adoro dançar! É sério... Quando você vai a um clube e sente a batida e sente vontade de dançar, aí a coisa está certa. Funciona. Houve um tempo, com o grunge, ninguém dançava, era como se negassem sua sexualidade. É como se não quisessem falar de sua vida sexual, todo mundo fazendo, mas ninguém falando... Fiz até umas músicas a esse respeito para um próximo disco.”
Justin Sullivan (guitarra e vocais; New Model Army)
“O mais importante é que o rock é uma de união, principalmente no mundo ocidental. As pessoas estão muito isoladas umas das outras aqui no ocidente. O que acontece é que nós fazemos uma música que diz “nós nos sentimos assim, aí vem alguém que diz ‘eu sei como eu me sinto, eu também me sinto assim, mas achei que era o único”... Isso acaba unindo as pessoas. Nos shows há um forte sentimento de união entre a banda e o público, pois há pessoas que experimentam as mesmas emoções com relação ao mundo. O rock não tem de ser uma coisa boa, não tem de ser bonzinho o tempo todo. Isso é para gente como o Sting ou o U2, que querem fazer do rock uma plataforma, ou uma ‘mensagem’ de esperança. Eu não acredito nisso. Acho que o rock tem de ser uma mensagem de esperança ‘e’ desespero. Uma mensagem de amor, mas também de ódio. O rock é a música folclórica do ocidente nesse fim de século 20, e tem a obrigação de ser um retrato fiel desse período.”
Bobby Gillespie (vocais; Primal Scream)
“Não, não acho que deva haver um papel específico para a música. Não acho que ela tenha de discutir o nosso tempo ou algo parecido. Ela tem de ter emoção. A emoção faz com que você apague certas coisas da cabeça, a emoção faz com que você se levante e dance, grite, xingue... Emoção é liberdade, é isso que a música tem de ter. Um bom disco tem de ter tudo isso, provocar isso... Não tem de trazer algum tipo de discussão social.”
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escrito por Marcelo Carvalho, 22 de fevereiro de 2011
Tenho 36 anos e curtia muito o seu programa na 89FM aos domingos, muito som de qualidade, que na verdade eram no minimo diferente de tudo............ate hoje tenho algumas lembrancas, infelizmente estao somente em minha mente, nao tive a oportunidade de guardar nada em fitas cassetes ou coisa parecida.
Gostaria muito que vc pudesse me dizer o som que abria o seu programa ROCK REPORT, eu cheguei a gravar uma vez que vc tocou o som inteiro num programa de aniversario, mas nao tenho mais essa gravacao e na epoca nao consegui pegar o nome do som e nem de quem o tocava.........
Espero que possa me ajudar, ficaria muito feliz em pelo menos poder curtir aquela sonzeira novamente!!!
Grande abraco!!
Marcelo
escrito por raul, 24 de junho de 2012
escrito por Nil, 31 de outubro de 2012
escrito por Alexandre Halliday - EFEITO GARAGE, 21 de dezembro de 2012
escrito por formigaz, 26 de dezembro de 2012
"Alô, boas, senhoras e senhores, está começando mais uma edição do programa Rock Report aqui pela 89FM... Esquisitices, novidades, clássicos, um certo jornalismo rock... E começamos esta edição com...".
ouvia lá nos idos de 1992/93...
escrito por formigaz, 26 de dezembro de 2012
"Alô, boas, senhoras e senhores, está começando mais uma edição do programa Rock Report aqui pela 89FM... Esquisitices, novidades, clássicos, um certo jornalismo rock... E começamos esta edição com...".
ouvia lá nos idos de 1992/93...
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Bom dia.
Vc tem as letras do JOE GARAGE (traduzidas)?
O Inglês do Zappa não e fácil. Muita gíria.
Tenho 36 Álbuns do Zappa. Tenho o "Detritos Cósmicos” livro.
Tenho uma fotocopia do Antologia Poética de Frank Zappa de Antonio Filipe Marques.
Auro Magnoli – Ribeirão Preto – SP
Informático
Baterista.
50 Anos