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Top Ten - Glerm

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Mr. Bungle, Frank Zappa (foto), Paulo Leminski e John Zorn são os cults de um maldito de carteirinha.

Top Ten

Entrevista feita em 2002

“Tô aqui no Rio de Janeiro tentando ser aceito como mestrando em música na Unirio, pois quero estudar composição e regência e pesquisar modos de performance interativos com computadores e multimídia (instalações sonoras com sensores fotoelétricos, arte interativa estas coisas...). Fora isso estou no Jason, que está bem legal e diferente. Acabei de fazer uma miniturnê pelo Nordeste com eles. Sou vocalista e faço programações eletrônicas e algumas guitarras e synths nas músicas novas”.

As palavras acima foram reproduzidas do e-mail que Glerm mandou para o Bacana. Durante a década de 90, ele fez história no rock curitibano carregando o sobrenome Pawdphita e cantando na segunda e mais conhecida formação do Boi Mamão. Nos anos, ele tocava os miniprojetos paralelos Malditos Ácaros do Microcosmo e Radio Macumba, além de integrar o (anti)movimento artístico Vitoriamario. Até que decidiu mudar de ares, mandou-se para o Rio e assumiu os vocais de um grande estandarte do underground sob o Cristo Redentor.

Na hora de mandar o Top Ten de sua vida para o Bacana, Glerm não resistiu e quebrou mais uma vez a regra. “Pus logo 13 itens, que é pra continuar no meu rotineiro azar sarcástico mesmo. Foi difícil, mas espero que possa compartilhar bons momentos falando sobre eles com quem se identificar”.

Frank Zappa: o segundo pai de Glerm.

Mr. Bungle – Disco Volante (1992)
“Este disco é um marco na minha vida. Minha ruína. Depois de ouvir não consigo mais me encaixar em nenhum rótulo ou ‘cena’, acreditar em coisas como estilo musical, carreira profissional ou deixar de querer fazer algo à altura dessa obra-prima. Tenho o logo do DV tatuado no pulso, é como se fosse uma marca de gado. Sou da tribo do Mr. Bungle e assumo. Tudo que é atonal, inexplicável, sombrio e macabro, mas ao mesmo tempo lindo, melodioso e cínico sou eu. E você que sabe do que estou falando. Sempre que encontro meus colegas de escola e cidade natal cada vez mais respeitáveis senhores, eu penso: “Another summer goes by/ And I can help but feel pain/ All those familiar faces/ Come back to haunt me again”. Arrepiante.”

John Zorn – Naked City (1990)
“Enquanto os piás de 15 anos no ínicio dos 90 faziam o caminho inverso do punk com o Nirvana descobrindo suas influências em Pistols, Ramones e similares eu descobria a avant garde jazzística e erudita, fazendo o caminho inverso do Mr. Bungle. Esse disco é demais! O dia em que os jazzistas brasileiros tomarem coragem de misturar Hermeto Paschoal com Napalm Death (aliás, sinto que já começa a rolar, oba!), me convidem pra brincar junto que eu mostro toda a discografia da Tzadik (selo do Zorn) e levo minha flautinha de êmbolo.”

The Melvins – Stag (1992)
“As sítaras do começo anunciam e amaciam as guitarras de 500 toneladas afinadas em sei lá 55 hertz. Melvins é insano, sempre foi a melhor banda da cena grunge (hahaha!). Até o tio Kurt Cobain admitia ser fã número um da banda. Com o tempo, foi ficando mais experimental e mais pesada e inrotulável.”

Woyzeck, Magog, Boi Mamão e Resist Control – Alface (1992)
“Esta época foi muito especial. Curitiba tinha bandas incríveis, não só as dessa coletânea, mas várias outras. Era uma cena rica e diversificada. Intruders, Playmobillys, Cervejas, Pinheads... O Boi Mamão nessa época era doença pura, me arrependo até hoje de não ter gravado as outras músicas desta fase (que foram lançadas na rara demo Live At Shooshoolypalooza muito toscamente), é a fase que mais me orgulho do Boi. O Alface era uma irmandade, era duca ir aos show do Magog (Cassiano é genial, sou fã!), os concertos do Resist eram memoráveis e Woyzeck é indiscutivelmente umas das melhores bandas brasileiras da sua geração, com músicos ultracriativos.”

Fugazi – End Hits (1998)
“Este disco do Fugazi é muito importante pra mim. Por causa dele que eu comecei a me dedicar mais a estudar guitarra. O punk jazzístico deste disco, juntamente com a sagrada estética sonicyouthiana (banda que passei a valorizar mais nesta época também e hoje sou viciado), tem gerado grandes filhotes na geração 00, como os barulhentos do Mogwai e os paulistas do Hurtmold. Este disco vem influenciando muito meu atual lado mais rock no Jason. Já aproveito a carona pra recomendar aos batutinhas da pauleira Taken, Mars Volta e Refused, que tenho ouvido bastante ultimamente.”

Arrigo Barnabé – Clara Crocodilo (1980)
“Foi com o mestre Arrigo que eu me iniciei na técnica serial de compor em partitura em um workshop em 2000 (não tô tirando onda... Compor em partitura é brinquedo igual tocar punk rock! Desmistifiquem logo esta coisa. Não existem regras!). Este álbum também me inspirou pra fazer a peça com o Malditos Ácaros (Malditos Somos Nós Tentando Ser Nós Mesmos”). Clara Crocodilo é uma “ópera” atonal com estética de quadrinhos. Muito bom. Tenho me inspirado muito nessa com os Dead Pixinguinhas, que lançarão ano que vem um livro de quadrinhos e contos orquestrados”.

Frank Zappa – The Yellow Shark (1993)
“Socorro! Não sou digno. Zappa é meu segundo pai. Leia a biografia. Rezem ajoelhados no milho. Zappa é pra mim um daqueles caras que não dá pra acreditar que foram humanos. Esse cara arrumava o chuveiro do banheiro? Preocupava-se com a conta de telefone? Impossível! Ele pensava em música o dia inteiro. É uma anomalia da natureza. Nasceu sob as condições ideais de temperatura e pressão... Citei The Yellow Shark porque foi o último e prefiro as orquestradas do Zappa. Mas tem que ouvir tudo. A “G Spot Tornado” é de chorar no canto. Zappa me fez trocar a brincadeira de air guitar por air conducting. Quando eu for velhinho, quero ser a unha do Zappa.”

Replicantes – O Futuro é Vortex (1985)
“Meu disco preferido com 13 anos de idade. E também o primeiro show que eu fui na vida junto o com DeFalla (lá no Círculo Militar... quem tava lá levanta o dedo!). Eram minhas bandas preferidas junto com Garotos Podres. As letras desse disco são ótimas. Não vi o show com a volta do Wander ainda, espero cruzá-los em breve. Ah! E já pego o gancho pra fazer a propaganda do Flavio Basso, que era dos Cascavelettes e depois como Júpiter Maçã/Apple sempre tem marcado fases divertidas da minha existência. Porto Alegre é um lugar ducaralho!”

Boredoms – Chocolate Synthtizer (1994)
“Imagina a equação: Boredoms está para Tóquio assim como o Sonic Youth está para Nova York. Não estou dizendo que fazem guitarrice microfonenta. Fazem. Mas não é só isso. Imagine japinhas crescendo cheio de brinquedinhos eletrônicos que chegaram aqui dez anos depois em mãos. Freestyle e dadaísmo em estado bruto. Esse é disco é a cruza do belzebu com Funkadelic tocando no Lino’s. É a porta de entrada pro noise japonês. Noise japonês é o que há, quem conhece não larga mais.”

Tom Zé – Se O Caso É Chorar/ Todos Os Olhos (1972/1973)
“Este disco marcou minha fase “tropicalista”(aaaahahahahaha!) na Radio Macumba. As letras são demais. O lance que ele fez de construir instrumentos (inspirado no sueco Walter Smetak, que foi seu professor na UFBA e fez um trabalho lindo e subestimado... Pesquisem na rede!) me inspira na minha atual pesquisa com performance e tecnologia interativa. Engoli seco quando vi um show dele em São Paulo. Se eu chegar aos 60 com esse pique e transmitindo essa transparência num palco minha missão foi cumprida. O bom é que esses discos foram relançados na versão dois em um. Essencial!”

Aristóteles de Ananias Jr – Aristóteles de Ananias Jr (1995)
“Marcelo Birck é poderoso. Fico de cara quando não levam o cara a sério por preconceito ao seu lado escrachado. O cara inventou uma estética totalmente própria, misturando jovem guarda com atonalismo e tosqueira. As letras são um caso à parte, fuzzy-logic total, como diria Timothy Leary. O disco solo acho que é melhor ainda, mas este marcou uma fase totalmente sem noção da minha vida, em que me metia em enrascadas estúpidas e surreais. (Alguém da caravana pra Blumenau aí?)

Melt Banana – Charlie (1998)
“Este disco é demais. Sou apaixonado por essa japinha que berra feito uma louca com essa banda de grindcore-videogame. Nova onda para os anos 2000. Os shows devem ser inacreditáveis...”

Paulo Leminski – Catatau (1975)
“É livro? É álbum? Lê de trás pra frente? Escuta embaixo d’água? Sei lá, atonalismo puro e curitibano. Tudo que eu quero ser quando morrer.”


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Comentarios (1)Add Comment
0
esta entrevista é de 2002
escrito por glerm, 01 de dezembro de 2008
Abonico,
Acho importante você atualizar ali que essa entrevista foi feita em 2002, no bacana.mus.br ...

A data do Catatau esta errada também, é de 1975. A segunda edição é que é de 85.
abraço.
glerm

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