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ESPECIAL - Monokini

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Dissonâncias da bossa nova, pegada rock’n’roll e um turbilhão de outras influências da música, moda, design, cinema e arquitetura dos anos 50 e 60. Tudo reprocessado e até flertando com o eletrônico. Conheça esta banda peculiar.

Passado nada pretérito

Eduardo EwertDissonâncias da bossa nova, pegada rock’n’roll e um turbilhão de outras influências da música, moda, design, cinema e arquitetura dos anos 50 e 60. Tudo isto reprocessado e sempre com a preocupação de olhar para o futuro, chegando até a flertar com o eletrônico. Abonico R. Smith conta quem é o Monokini, grupo paulista que está lançando seu primeiro álbum no Brasil mas já conquistou de vez os japoneses.

Coquetel de sonoridades dos discos dos pais fazem parte da extensa lista de referências e influências do Monokini.

Há quatro décadas, a polarização na música brasileira não era tão somente clara, como também radical ao extremo. Defensores roxos das cores verde e amarela erguiam as dissonâncias e o baixo volume da bossa nova no mais alto pedestal, saíam às ruas em passeata e acusavam impiedosamente a guitarra elétrica de ser o principal fator de americanização e alienação da juventude. Do outro lado, jovens adeptos do rock’n’roll embarcavam na carona da onda britânica que varria o planeta (em especial a beatlemania lá fora e a jovem guarda no país) e transgrediam as regras de comportamento, vestuário, cabelos e, acima de tudo, do patrulhamento ideológico. Se alguém ousasse pensar em combinar bossa e rock estaria correndo o risco de acender o pavio de um grande barril de pólvora carregado pelos ares de protesto e turbulência que pairavam na época.

No final de 2002, depois de ensaiar com um single e algumas participações em coletâneas (no Brasil, Europa e Japão), o Monokini apresenta o ponto de interseção entre a bossa nova e o rock’n’roll em seu álbum de estréia – que será lançado pelo selo independente Bizarre Music no dia 8 de novembro. O tempo voou, o idealismo radical dissipou-se feito fumaça e a idéia da fusão tampouco é inédita. Contudo, foi este grupo paulista – e de nome extraído de uma música lançada por Roberto Carlos no início do auge da Jovem Guarda (“Eu Sou Fã do Monoquíni”; leia mais abaixo o guia Para Entender o Monokini) – que conseguiu encontrar o equilíbrio exato entre os dois elementos, sem pender para qualquer lado.

Por sinal, o Monokini vai muito além da paixão pela música produzida nos fervilhantes anos pós-guerra (década de 50 e 60). Seria simplismo reduzi-lo a isso. Fabiana Karpinski (vocais), Josmar Madureira (teclados), Marcelo Rodrigues (guitarra), Alan Martinez (baixo) e Marcelo Figueiredo (bateria) fazem questão de deixar claro seu interesse por outros conceitos culturais daquele tempo, como o cinema, o design, a moda e até mesmo a arquitetura.

O nome do disco, Mondo Topless, veio do diretor americano de b movies Russ Meyer. “Nosso álbum é uma homenagem explícita a Meyer e sua forma livre e inovadora de trabalhar. Ele supria com maestria a falta de recursos por criatividade; sempre obtendo ótimos resultados. Penso que esta seja a maior identificação com o trabalho dele. Seus filmes, além de provocativos, são muito divertidos e diversão também é um dos conceitos de nosso disco. Os samples da faixa "Tchuby Tchuba" foram extraídos de seu filme Mondo Topless, lançado em 1966”, conta Josmar.

Mondo Topless bate tudo isso em um mesmo liquidificador e de lá sai uma poderosa vitamina que, contrariando nostálgicos extremos, recorre a ingredientes do passado para justamente continuar olhando para a frente. A rica sonoridade do Monokini não se restringe a perpetuar a reverência ao que já foi estabelecido. A banda obtém pleno sucesso em seu objetivo de construir uma identidade própria, simultaneamente sofisticada e naïve, tirando o melhor de cada ingrediente e reprocessando-o na máquina do tempo (aqui fica inevitável o uso de um item indispensável nas histórias de ficção científica daquele tempo).

Discos dos pais
O Monokini foi criado em 1999. Veio das cinzas de duas formações indies paulistas dos anos 90, a Sonic Disruptor (que chgou a lançar um álbum independte, Poppers, produzido pelo músico, DJ e apresentador de rádio e TV Kid Vinil) e a Violet Riot. Ambas tinham fortes influências do rock britânico, construíam muralhas sonoras e cantavam em inglês. “Quando decidimos nos unir, queríamos fazer algo completamente diferente do que nossas antigas bandas faziam. Ou seja, abandonamos as guitarras distorcidas, passamos a cantar em português e buscamos referências nas coleções de velhos discos de nossas famílias. Nos deparamos com a bossa nova, com a jovem guarda e o pop ensolarado dos anos 60”, lembra o tecladista, também porta-voz oficial do grupo.

E eles tomaram gosto pela coisa. Da bossa nova, pegaram os acordes dissonantes e versos com ares bastante ingênuos. Do easy listening (hoje devidamente transformado em lounge) vieram teclados cafonas, melodias monossilábicas (isto é, os la-la-las e pa-pa-pas da vida, também presentes na bossa) e um aguçado senso de orientação pop. Pitadas de jazz e samba também transparecem aqui e ali. A contagiante levada rítmica da surf music dos famosos filmes da turma da praia (estrelados pelo casal Frankie Avalon e Annette Funicello) também se diz presente. Toques retrô-futuristas como barulhinhos espaciais e referências a filmes de ação e espionagem da época também não poderiam ficar de fora. E quem procurar bem também vai achar ecos de Sérgio Mendes, Burt Bacharach, Lafayette, Roberto Menescal, Roberto Carlos, os girl groups lapidados por Phil Spector, a Invasão Britânica.

Os vocais também são destauqe no Monokini. Sempre fazem lembrar as famosas divas da época. “Fabiana Karpinski possui voz doce e centimetrada. Ou seja, tudo o que nossa música exige”, reflete Josmar. “Podemos dizer que seu estilo de cantar é a soma da timidez de Nara Leão, da candura de Astrud Gilberto, da sensualidade de Nancy Sinatra ou Wanderléa e da fragilidade de Claudine Longet. Mas o melhor de tudo é que ela não cresceu ouvindo nada disso. Muito pelo contrário. Fabiana é da geração Psychocandy, do Jesus & Mary Chain. Ela simplesmente absorve o espírito de nossas canções, de forma sensível e elegante”.

Electronica
E o melhor de tudo isso é que o álbum do Monokini não foi produzido por nenhum nome de forte ligação com o passado. Muito pelo contrário. Quem assina a pilotagem da banda no estúdio é o músico mineiro Paulo Beto, um dos mais ativos nomes do cenário eletrônico underground brasileiro. “Na verdade a idéia partiu de Carlos Farinha, dono da Bizarre Music. Nós não o conhecíamos pessoalmente, mas já tínhamos ouvido os trabalhos que ele vinha desenvolvendo com a Pat C e adorávamos. Devido ao seu carisma, logo se tornou um grande amigo. Paulo Beto é um dos músicos mais criativos e competentes do país, na atualidade. Seus projetos eletrônicos Anvil FX e LCD provam isto. Todos os dedos dele estão nesse disco”, constata o tecladista.

Graças a Paulo Beto, por exemplo, o Monokini obteve um belo e forte som de bateria, algo raro em se tratando de discos independentes nacionais feitos sem grana mas com muita raça. Josmar lembra que este era um dos grandes desafios da banda, pois seria a bateria quem daria a cadência ao álbum. “A pedido de Paulo Beto, utilizamos as mesmas técnicas de posicionamento de microfones utilizadas nas gravações dos anos 60, para captar os sons. Isso foi fundamental. Mesmo tendo gravado as faixas em estúdios diferentes, conseguimos uma uniformidade. O mérito também vai para o baterista Marcelo Figueredo que é autodidata, possui balanço, elasticidade e, quando necessário, a leveza de um Milton Banana”.

Outra ligação com a electronica estão nos dois remixes que fecham a edição brasileira (para o exterior, o grupo ainda está em fase de negociações com alguns selos e ainda não há a certeza se as remixagens sairão no álbum ou apenas em singles). “Originalmente Mondo Topless seria um EP, mas durante o percurso acabou se tornando um álbum. Na minha opinião, o disco soa mais como uma compilação do que propriamente como um álbum comcomeço, meio e fim. Partindo desse princípio, nos sentíamos livres para incluirmos remixes, faixas ao vivo...”, explica. Entretanto, Josmar ressalta que a inclusão de remixes sempre foi uma idéia fixa da banda. “Adoramos ver nossas músicas sob uma nova óptica. É muito legal conhecer a visão que outros músicos e DJs têm de nosso trabalho”.

O remix de “Monossílabas” é assinado pela dupla americana Tipsy. David Gadner e Tim Digulla são mestres nas colagens de sons, unindo beats eletrônicos ao easy listening dos anos 50 e 60. A maior perversão feita pelo duo foi a inclusão de um solo de kalimba (instrumento melódico de percussão, de origem centro-africana e tocado com os dois polegares e indicadores). “Eles já trabalharam com a banda inglesa Pulp, remixando o single "This Is Hardcore" e foi uma grande honra quando nos procuraram querendo nos remixar. O som de kalimba foi sugestão deles e adoramos! Tim é hoje um grande amigo e vamos continuar a desenvolver trabalhos juntos”, promete.

Anvil FX assina a outra remixagens, que distorce por completo “Tchuby Tchuba”. Paulo Beto, em seu projeto mais conhecido, descontextualiza a versão original. Acelera o andamento, eliminando a levada de surf music. A batida veloz soa como um trem desgovernado enquanto o órgão toma proporções grandiosas.

Com Mondo Topless, o Monokini abre caminho para atacar em várias frentes e cair no gosto de segmentos distintos como o alternativo, o pop e o eletrônico. “Nossa música é flexível e pode se encaixar em diversos segmentos. As pessoas, hoje em dia, estão muito mais abertas para absorver qualquer estilo de música, desde que haja qualidade. Um fã de Sex Pistols pode comprar discos do Belle & Sebastian ou Moby sem medo de ser feliz! Os mais radicais estão perdendo espaço para pessoas de bom senso. É claro que sempre haverá aquelas pessoas que torcerão o nariz para a nossa música, mas isso realmente não nos preocupa”, conta o tecladista.

No Japão, país onde a banda conta o maior número de fãs (tudo por causa das confluências de influências com a forte cena de Shibuya-Kei e da participação dos brasileiros em duas coletâneas, uma de uma grande revista sobre música de lá e outra ao lado de bandas como Ladytron, Ursula 1000 e Girlfriendo), a expectativa pelo lançamento do primeiro álbum já é grande. Para Josmar, o fato do Monokini [www.monokini.com.br] ser mais conhecido do outro lado do mundo do que em seu próprio país “chega a ser engraçado, mas reflete a realidade do homem contemporâneo. Muitas vezes, é mais fácil você ter laços estreitos com alguém que vive na Noruega do que com o vizinho que mora no apartamento ao lado do seu”.

Por outro lado, para músico, o medo de apostar no "novo pop" ainda é uma constante no Brasil. “É claro que gostaríamos que isso fosse diferente, mas isto implicaria em uma renovação na elite dos meios de comunicação e também nas grandes gravadoras, o que é quase impossível. A cena indie brasileira esta aí, criativa, produzindo à todo vapor. Resta surgir alguém que queira vender o peixe...”



Mondo Topless faixa a faixa


“Tchuby Tchuba”
A faixa que abre (e também fecha) o álbum evoca o espírito dos filmes beach party, nos quais garotas dançavam de biquíni na praia. Possui levada surf music com sabor de "tequila", vocais de scat e samples do filme Mondo Topless, do diretor americano Russ Meyer.

“Complexo de Phil Spector”
Ao contrário do que possa parecer, aqui nada lembra o wall of sound característico do incensado produtor. A faixa é um indie rock de garagem imerso em guitarras distorcidas, órgãos pesados e bongôs alucinados. A letra aborda o complexo de superioridade de uma pessoa, fã de Phil Spector: "Garoto você não é/ O que realmente pensa/ Seu jeito, seu olhar/ É comum em qualquer um".

“Copan”
Os anos 60 vistos do alto do edifício projetado por Oscar Niemeyer. Um misto de bossa nova e lounge pop com la-la-las sussurrados no melhor estilo Brigitte Bardot. O título revela a veia urbanista do grupo.

“Panorama 03”
Bossa-rock dividida em três atos. Seguindo a fórmula "sol & mar" de Ronaldo Boscoli e Roberto Menescal, a letra aborda desencontros amorosos ("Mesmo que o amor/ Não seja o que eu espero/ Mesmo assim/ É o que eu quero").

“Monossílabas”
Aqui os clichês sessentistas chegam ao ápice, desde a levada de bateria contagiante ao vocal cheio de "la-la-las e pa-pa-pas" que caminham juntos com um orgão bem jovem guarda, a la Lafayette. “Se esta faixa tivesse sido editada a quarenta anos atrás, certamente teríamos sido julgados e estaríamos cumprindo pena até hoje. Roberto Carlos, por ter sido rejeitado pelo pessoal da bossa nova, certamente nos daria um belo chute no traseiro .João Gilberto, por sua vez, acertaria seu violão em nossas cabeças, pelo sacrilégio de tocarmos bossa com guitarra elétrica”, brinca o tecladista Josmar Madureira.

“Conexão Tokyo”
Aqui a conexão com a cena japonesa de Shibuya-Kei (Pizzicato 5, Fantastic Plastic Machine, Kahime Karie, Mansfield, Neil & Iraza, Cubismo Grafico, etc...) se faz presente. "Conexão Tokyo" soa como trilha sonora de filmes de espionagem dos anos 60 e traz discretos samples de Quincy Jones, que se fundem a barulhinhos "futuristas".

“Espelhos”
Uma das faixas mais dançantes do álbum, chama a atenção por sua deliciosa mistura de jovem guarda com pitadas bem dosadas de dance e eletrônica. A letra mostra como é possível esquecer o mundo e seus defeitos quando se está com a pessoa que se gosta ("Espelhos não mostram defeitos/ nenhum sentimento é perfeito/ Quero apenas estar/ Com você").

“Riviera”
A primeira canção composta pelo Monokini é uma bossa-pop meiga e cativante. Mais uma vez a parceria Boscoli & Menescal é reverenciada em refrão ingênuo e ensolarado ("Sábado de sol sempre a brilhar/ Eu e você à beira mar/ Ninguém pode acreditar/ Como é bom poder te amar".

“Garoto de Sampa”
Bossa nova de construção quebrada e inusitada. O trompete é guiado com leveza pela linha melódica do vocal. A letra apaixonada mapeia a cidade de São Paulo ("Lindo, como é lindo/ Subindo a Augusta ou descendo a Consolação/ Garoto de Sampa você vive/ No meu coração"). Para Josmar, o a recorrência da veia urbanóide vem do fato da paixão dos músicos por São Paulo. “Acreditamos que o caos urbano também possa propiciar criatividade”.

“Palavras no Ar”
Trânsito pelo jazz-pop. A guitarra e a percussão dão ritmo e balanço do começo ao fim do arranjo. A letra, por sua vez, é uma verdadeira declaração de amor ("Deslizar no teu céu/ Mergulhar no teu mar/ Me perder em você").

“Monossílabas (Tipsy Remix)”
A música ganha ares de easy listening no remix feito pela dupla americana Tipsy. O uso de instrumentos inusitados como a kalimba, dão um toque todo especial.

“Tchuby Tchuba (Anvil FX Remix)”
O produtor do disco, Paulo Beto, veste a identidade de Anvil FX e subverte a surf music original do arranjo. Acelera o andamento e faz a batida soar como um trem desgovernado, enquanto o órgão toma proporções grandiosas.



Para entender o Monokini


Roberto Carlos
Em julho de 1965 foi lançado o LP Roberto Carlos Canta Para a Juventude, que incluía entre outros sucessos "Eu Sou Fã Do Monoquini". Não demorou muito para Roberto se tornar o artista mais representativo do movimento musical que surgiu e que recebeu o nome de jovem Guarda.

Rudi Gernrich
Em 1964, o criador de moda alemão Rudi Gernreich apresentou um traje de banho onde faltava a peça superior, que recebeu o nome de monokini. Tratava-se de um calção suspenso por alças em V, que passavam ao centro dos seios expostos.

Russ Meyer
Meyer é um dos diretores mais cultuados do cinema alternativo americano graças às suas peripécias e a fidelidade com a qual trabalhou em suas produções. A característica principal de seus filmes está nas tramas esquisitas protagonizadas por bad girls determinadas, rebeldes e – obviamente – peitudas. Entre seus principais títulos estão Mudhoney (1965), Motor Psycho (1965) e o clássico Faster Pussycat... Kill! Kill! (1966).

Mondo Topless
Em 1966, Meyer filmou Mondo Topless. Durante 60 minutos, garotas de seios avantajados dançavam ensandecidas ao som de uma surf music alucinante.

Bossa nova
João Gilberto, um baiano de Juazeiro, tornou-se o principal expoente da batida de violão que influenciou e encantou o mundo. Esse estilo inovador dominou a música mundial até que os Beatles roubaram a cena em 1964.

Jovem guarda
Quando Roberto Carlos pisou pela primeira vez no palco da TV Record, em setembro de 1965, as guitarras elétricas passavam a ser o sonho da juventude brasileira. A resposta do público veio rápida e fulminante. Em pouco tempo, as tardes de domingo eram da turma da Jovem Guarda, que assumia também os primeiros lugares nas paradas de sucesso.

Easy listening
Estilo de música hedonista, com refrões pegajosos e recheados de "daba daba da". Foi predominante nos anos 50 e 60. Também denominada como música de cocktail, o easy listening contribuiu muito como trilha sonora de comédias inofensivas e divertidas. Le Baxter, Martin Denny e Juan Carlos Esquivel são alguns de seus maiores expoentes.

Shibuya-Kei
A cena musical Shibuya-Kei surgiu no glamour do bairro comercial de Shibuya, na região oeste de Tóquio, e é caracterizada por sua deliciosa mistura de ritmos e estilos diferentes, que reforma o pop com pitadas bem dosadas de dance, lounge, eletrônica, bossa, disco e jazz. O grupo japonês Pizzicato 5 é, sem dúvida, seu maior ícone.

Oscar Niemeyer
O mais importante e contestado arquiteto brasileiro ficou mundialmente conhecido por Brasília – hoje, Patrimônio Cultural da Humanidade. Assinou, entre outras obras, o edifício Copan, o Parque do Ibirapuera e o Memorial da América Latina, tudo na cidade de São Paulo.


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