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Supersuckers

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Chega ao Brasil supercoletânea que reúne sucessos e raridades da banda whitrash-punk americana.

Chapelão rock’n’roll

Punk pode casar com country? No caso do Supersuckers, não só pode, como também resulta em uma explosiva mistura de guitarras altas e a cultura whitrash americana. Recém-lançada no Brasil, a coletânea How The Supersuckers Became The Greatest Rock And Roll Band In The World dá uma geral na primeira fase desta banda que deixou o árido estado do Arizona para conquistar o circuito independente americano via Sub Pop. Por Abonico R. Smith.

Coletânea de 27 faixas traz sucessos, raridades e faixas inéditas dos Supersuckers.

Formado por quatro colegas de high school na cidade de Tucson, o Supersuckers sempre refletiu o gosto de seus integrantes (especialmente o punk rock e o rock seventie de arena) e o meio ambiente no qual eles cresceram (imagine o resultado da equação deserto, cowboys e country music). O resultado de tudo isso foi uma grande banda alternativa dos anos 90, que conseguiu conjugar punch com uma deslavada cara whitrash – expressão que designa o caipirão do interior dos Estados Unidos, bem machista, conservador ao extremo e de origem caucasiana.

A carreira de Eddie Spaghetti (baixo, violão e voz), Dan “Thunder” Bolton (guitarra), The Heathman (guitarra e violão) e Dancing Eagle (bateria) – sempre caracterizados com nomes e traços de personagens de quadrinhos/desenhos animados – contou com um golpe de sorte para deslanchar. Um pouco antes da explosão grunge, um show arrasador chamou a atenção do selo independente Sub Pop. Contrato assinado, a banda trocou o árido estado de Arizona pela então efervescente cena da cidade de Seattle, no noroeste americano. Depois foi só pegar carona no boom da gravadora e de artistas como Nirvana e Mudhoney.

Em quase dez anos de Sub Pop, o Supersuckers cravou quatro álbuns de carreira, alguns singles/EPs e ainda uma coletânea. A banda continua na ativa, agora com menos projeção e tocando um selo próprio chamado Mid-Fi. Mas ainda é – e será por muito tempo – reverenciada pela dinamitadora trajetória deixada na casa dirigida por Bruce Pavitt e Jonathan Ponemann. E um ótimo resumo disto pode ser encontrada na tal coletânea, How The Supersuckers Became The Greatest Rock And Roll Band In The World (Die Young Stay Pretty/Trama), que acaba de ganhar edição brasileira. [N. do E.: Cabe aqui uma explicação. Die Young Stay Pretty é um subselo da Sub Pop, que, por motivos judiciais, está impedida de usar seu nome original em nosso país.]

O disco, originalmente lançado em 1999, é dividido em duas partes distintas. A primeira, simplesmente denominada The Greats, traz catorze músicas e dá uma geral no que de melhor há nos quatro primeiros álbuns do grupo – o primeiro (The Smoke Of Hell, de 1992 foi produzido por Jack Endino; o seguinte, La Mano Cornuda, de 1994, pelo baixista do Ministry, Paul Leary). Serve para angariar novos fãs. As outras treze compõem um farto material para quem já conhece o trabalho do grupo. São b-sides, raridades, gravações para trilhas sonoras, covers e alguns registros ainda inéditos. E o encarte ainda reproduz a estética do cartoon (farra, mulheres, shows e clichês como o diabo oferecendo um contrato), fartamente utilizada pela banda em todos os seus discos.

Na parte dos “greatest hits”, o Supersuckers – cujos ecos hoje podem ser encontrados em algumas bandas brasileiras, como Matanza e Forgotten Boys – ensina com perfeição como assimilar influências interioranas (no caso, um pé no country e outro no billy) sem perder peso e viço. “Coattail Rider”, “Creepy Jackalope Eye” (há um quase inaudível sample de “Sympathy For The Devil” nos primeiros segundos – estaria aí mais alguma “ligação” com a tal criatura de chifrinhos?) e “Born With A Tail” são exemplos do quão devastadora uma banda pode ser tanto em disco quanto ao vivo.

Já as faixas extraídas do quarto álbum (Must’ve Been High, de 1997) já indicavam a intenção de deixar um pouco a pancadaria de lado e mergulhar profundamente na country music. A trinca “Dead In The Water”, “Roadworn And Weary” e “Supersucker Drive-By Blues”, com direito a dobro e pedal steel, revelam uma outra banda completamente diferente. Não por acaso elas permanecem até hoje nos sets ao vivo, como prova o último disco da banda, Must’ve Been Live, deste ano.

Na segunda parte – batizada The Gravy – estão curiosidades como uma regravação groovy do rapper californiano Ice Cube (“Dead Homiez”, b-side do 7” “Hell City Hell”, também incluído), duetos com famosos artistas country norte-americanos como Steve Earle (“Before They Make Me Run”, dos Rolling Stones) e Willie Nelson (“Bloody Mary Morning”), gravações de fora da Sub Pop (os hardcores “Saddletramp”e “Alright”, este de apenas dezoito segundos) e dois blues inéditos do iniciozinho da carreira, quando a banda ainda se chamava Black Supersuckers (“Wake Me When It’s Over”, cover de Willie Nelson; e Monkey”, faixa que flerta escancaradamente com o glam, algo como um Marilyn Manson antecipado em alguns anos).

 


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