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Interpol

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Banda de Nova York revive a melancolia das bandas inglesas dos anos 80. E a Matador aposta neles.

Preto básico

Nada de batidinhas do electropop ou o estilo despojado dos Strokes e Yeah Yeah Yeahs. Nova York volta a respirar anos 80 através de climas sombrios, sentimentos obsessivos, desolação e clima de (des)esperança. Estes são os ingredientes do Interpol, quarteto que tem entre suas influências máximas cultuadas bandas britânicas como Joy Division, Smiths, Cure e Echo & The Bunnymen. Lara André conta como é Turn On The Bright Lights.

Os dândis dark americanos do Interpol assinam com a Matador e partem para conquistar o mundo.

Se você achava que o resgate musical dos anos 80 ficaria limitado às batidinhas do electropop ou que o máximo que a cidade de Nova York tinha a oferecer de novo era o estilo despojado dos Strokes e Yeah Yeah Yeahs, eis que desponta o Interpol. Finalmente estamos falando de uma banda americana que toca um misto de post-punk e guitar rock de inspiração 80’s, em um estilo que ecoa aos britânicos Cure, Smiths, Echo & The Bunnymen e... Joy Division – isso porque o timbre de Paul Banks lembra de fato o de Ian Curtis. “É só uma coincidência”, defende-se o vocalista.

Ao contrário do que possa parecer, entretanto, o quarteto é muito competente e passa longe da “heresia” ou da colagem musical. E, acredite, tem muita personalidade. Formado em 1998, o Interpol tem line-up de duas guitarras (Paul Banks e Daniel Kessler), baixo (Carlos D.) e bateria (Samuel Fogarino) e vinha tocando em clubes nova-iorquinos e gravando material independente até que neste ano a sempre atenta Matador Records resolveu tirar a banda da semi-obscuridade lançando em junho um EP com apenas três músicas. A receptividade foi muito boa e o disco serviu como uma espécie de teaser para o primeiro álbum, Turn On The Bright Lights, que acaba de ser lançado.

Uma das músicas que projetou o Interpol chama-se “PDA”, que no álbum ganhou sua terceira regravação, com uma bateria mais presente. Traz versos enigmáticos do tipo “nós temos duzentos sofás onde você pode dormir bem e sonhar” ou diretos como “você fica tão bonitinha quando está frustrada, querida”. As músicas do Interpol seguem essa linha dark, de sentimentos obsessivos, desolação e uma ponta de (des)esperança.

“Obstacle 1” é uma das mais bem-acabadas faixas de Turn On The Bright Lights, mostrando que o quarteto é bastante entrosado – as guitarras estridentes de Paul e Daniel se alternando e dialogando entre si, causando um efeito admirável. E ainda há a continuação (?!), um pouco mais à frente, “Obstacle 2”, igualmente gostosa de ouvir e que começa assim: “eu vou te puxar para perto, te abraçar apertado e brincar com as tranças que você está usando esta noite”, cantada de um modo ultra espontâneo e intenso.

“Say Hello To The Angels” é curiosa. Tem uma introdução de bateria e guitarra que lembra os conterrâneos Strokes. Segundos depois, contudo, vira uma faixa com guitarras martelantes e energia totalmente smithiana, para deixar Morrissey e Johnny Marr meio assustados. A atmosférica “Stella Was A Diver And She Was Always Down” envolve o ouvinte por seis minutos em uma turbulenta história de amor (“ela fugiu, ela fugiu”) e faz você se dar conta de que continua sendo lindo escutar alguém declarando aberta e insistentemente (“Stella, Stella, oh Stella / Stella I love you, Stella I love you, Stella I love you”).

Como não poderia deixar de faltar a uma banda do circuito Manhattan-Brooklyn que se preze, claro, há também a lenta, sombria e impressionista “NYC” (“The subway is a porno/ Pavements they are a mess”). O disco fecha com faixas bastante introspectivas, como a longa “The New”, com excelente linha de baixo, e “Leif Erikson”, de letra estranha e bela melodia para compensar.

Turn On The Bright Lights mostra que o Interpol é bastante promissor e que definitivamente não vale a pena ficar insistindo nas comparações infrutíferas com esta ou aquela banda. As influências parecem muito bem digeridas e acrescidas de um toque pessoal de seus integrantes, seja no aspecto surreal de algumas letras ou nas guitarras envolventes e na atitude cool (eles também são chegados em roupas bacanas e cortes de cabelo modernosos). Nos últimos meses, o quarteto já rodou a Europa, gravou uma session no programa de John Peel na BBC, abriu shows de Trail Of Dead, Delgados e até Belle & Sebastian.

Há poucos dias, a banda subiu no Carling Stage, o palco dedicado às novas bandas do festival de Reading, tendo que enfrentar um impiedoso sol forte na cara – o que deve ter estragado substancialmente a tonalidade sombria das músicas. De fato, ao contrário do que sugere o título do álbum, a idéia é justamente “desligar” as luzes brilhantes e submergir no clima noturno e hipnótico que o Interpol proporciona.


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