Quarta Ago 23

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Retrofoguetes

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Música mexicana, HQs, surf music, psycho e rockabilly compõem os ingredientes deste trio baiano.

Ativar retrofoguetes

Remanescentes do Dead Billies, banda histórica baiana de psychobilly, Morotó (guitarra), Joe (baixo) e Rex (bateria) não desistiram de tocar junto depois da saída do vocalista Moskabilly para a carreira solo. Então, formaram os Retrofoguetes. Ao contrário do que muita gente pode pensar, a banda não é uma versão instrumental dos Billies. Mistura porções inusitadas de Reverend Horton Heat, Dick Dale, Flash Gordon, Galaxy Rangers, música tradicional mexicana, história em quadrinhos, psycho e rockabilly, formando uma deliciosa trilha sonora (os dias ensolarados agradecem...). Neste ano, eles já participaram do festival goiano Bananada e viram-se presentes em matérias da imprensa nacional, divulgando o ótimo EP Protótipo de Demonstração Número 1.

Rex falou com Sylvie Piccolottosobre um pouco da banda e do cenário bahiano underground.

Retrofoguetes: poderoso som instrumental made in Bahia.

Os Retrofoguetes são um trio de surf music?
É um projeto que surgiu a partir da saída de Moskabilly dos Dead Billies. Como eu, Morotó e Joe não pretendíamos parar de tocar juntos, a solução era fazer um som instrumental, embora essa idéia já existisse antes mesmo do fim dos Billies. A surf music era uma influência marcante no som da gente e sempre tocávamos alguns temas instrumentais nos shows da banda. Ficamos apreensivos no início, porque não sabíamos como o público reagiria a essa mudança, mas depois percebemos que a gente continua tendo o mesmo feedback que antes e isso faz com que a gente prefira manter a coisa instrumental mesmo, além disso, é menos um pra dividir o cachê.

Como está o rock baiano?
Salvador sempre teve e sempre vai ter uma cena bastante forte e singular. É claro que, como tudo, ela já viveu momentos positivos e outros nem tanto. Acho que o grande boom da cena aconteceu na segunda metade da década de 90, quando as bandas locais adquiriram um maior profissionalismo e deixaram registrados os seus trabalhos num grande número de discos. Assim tivemos brincando de deus, Dr. Cascadura, Dead Billies, Dois Sapos e Meio, Saci Tric, Catapulta, Penélope e várias coletâneas. Depois disso, a cena amornou, algumas bandas quase pararam e pouca coisa aconteceu. Hoje, a coisa está voltando a esquentar, as bandas remanescentes continuam trabalhando e várias outras surgiram. Acho que até o primeiro semestre do ano que vem, várias dessas vão estar lançando seus discos: O Cumbuca, Retrofoguetes, Tritor, Nancyta, Zambotronic, Diga Aí Chefe, The Honkers, Rewinders e Lilit. Isso com certeza vai dar uma grande visibilidade, principalmente se essas bandas sacarem que precisam se inserir no grande mercado alternativo que existe hoje no Brasil, não restringindo seus trabalhos a Salvador. Agora, para a cena local crescer, a gente precisa também de mais locais para tocar, de veículos segmentados, principalmente rádios para divulgar os trabalhos. Assim podem também atingir um público maior.

Este é o primeiro registro sonoro de vocês?
É sim. Quando pintou o convite para tocarmos no Bananada, festival que é realizado em Goiânia todos os anos e reúne grande número de bandas do cenário alternativo brasileiro, surgiu a necessidade de gravarmos um CD demo pra a gente poder fazer contato com essas bandas, além de produtores e selos que habitualmente estão presentes nesse tipo de evento. Entramos no estúdio com andré t [em minúsculas mesmo] e Nancy Viegas, para gerarmos o monstrinho. Não tínhamos dúvidas que o resultado nos surpreenderia, andré e Nancy são grandes profissionais e já acompanhavam nosso trabalho desde os Billies; eles sabiam exatamente o que nós queríamos. O resultado de tudo isso é que o disco ficou tão bom que a gente resolveu dar um tratamento mais legal, com capinha feita em gráfica, selo em silk, transformando-o em um produto bacana pra a gente trabalhar. Por tudo isso, a gente prefere chamá-lo de EP. Vamos gravar novas músicas para lançar nosso CD até o primeiro semestre do ano que vem.

De onde veio o sensacional nome Retrofoguetes?
Queríamos fazer uma banda de surf instrumental adotando para o som e para o visual uma estética de filme B de ficção-científica, algo como o Man-or-Astroman?. É importante citar este grupo como referência, embora a gente tenha bebido na mesma fonte. Os Billies já trabalhavam dentro deste universo muito antes da gente ouvir falar neles. Sempre conceituamos nosso som como um trabalho com fortes características visuais, como se ele funcionasse como uma trilha sonora. Passamos a vida inteira lendo quadrinhos, vendo seriados japoneses e filmes de ficção, lendo caras como Isaac Asimov. Tudo isso serviu como ingrediente na hora de conceber o projeto. Passamos a infância ouvindo a frase "ativar retrofoguetes". Achei o nome ideal, porque unia a coisa futurista ao retrô, já que nossas principais influências estão mesmo no passado.

E quais são elas?
A principal é a surf music da década de 60. Bandas como Beach Boys, Surfaris, Ventures, Trashmen, Revels e caras como Dick Dale e Link Wray. Ouvimos coisas novas como Man Or Astro-Man?, Andrews Surfers, Fifty Foot Combo, The O'Haras. Também estamos buscando conhecer mais as bandas daqui do Brasil. Acho que a influência de outras tendências como bolero, tex-mex, swing jazz, rockabilly, hardcore e psychobilly faz com que o nosso som se torne bastante autoral, coisa que já acontecia com os Dead Billies.

Como está a divulgação deste álbum? E os shows?
Lançamos o disco aqui em Salvador, onde temos tocado bastante, praticamente toda semana. Estamos comercializando o disco através de Rogério Big Brother, um cara já bastante conhecido no mercado alternativo, utilizando principalmente a internet. Quem tiver afim de conhecer nosso som, pode enviar e-mail para [retrofoguetes@hotmail.com] e a gente manda o disco. Estamos tentando fazer o máximo de contatos, já que, normalmente, as bandas daqui tendem a ficar isoladas do resto do país. Queremos participar de mais eventos como o Bananada e o Punka (festival de Aracaju, no final de setembro), porque sabemos que essa é a melhor maneira de divulgar nosso trabalho. Recebemos também o convite pra participar de uma coletânea organizada pelo pessoal do Reverb Brasil, programa de surf music de uma rádio de BH, que, sem a menor dúvida, vai ser uma grande oportunidade de manter um contato com as outras bandas brasileiras do gênero.


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