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Set 02
2009
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Ninguém é perfeito...Billy era quase!Postado por Tanara de Araújo | Tags: classicos, cinema, Billy Wilder |
Há quase um mês, conclui a leitura de Billy Wilder - E o Resto é Loucura, biografia escrita pelo jornalista alemão Hellmuth Karasek. O exemplar, porém, seguiu no meu criado-mudo. Só o devolveria à estante após ter dividido com meus leitores o prazer que foi ter meu pré-sono embalado pela vida e obra desse diretor fantástico.
Para quem não o conhece, Billy Wilder escreveu e dirigiu, entre outros clássicos, Quanto Mais Quente, Melhor! (Some Like It Hot, 1959) que faz aniversário de 50 anos neste 2009. Considerada a melhor comédia americana do Século XX pela American Film Institute (AFI), o longa foi minha primeira experiência Wilderiana e é, de fato, uma ótima credencial para os ainda não-iniciados. Com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon, o filme narra a história de dois músicos que são testemunhas de um massacre no Dia de São Valentin (Dia dos Namorados nos EUA). Para se protegerem, disfarçam-se de mulheres e passam a integrar uma banda feminina. A partir daí, é como diz as chamadas da Sessão da Tarde: "Eles enfrentarão uma série de confusões e aventuras". Nesse caso, é claro, com muita inteligência, glamour e diálogos inesquecíveis — o "ninguém é perfeito" da cena final também é tida como uma das melhores frases do cinema (é a 48ª da lista de 100 da AFI).
Em E o Resto é Loucura, há pelo menos uns três capítulos que remexem no baú da produção e dos bastidores do filme. A descoberta do talento ultracômico de Lemmon, que mais adiante se tornaria um de seus atores fetiche, ao lado de Willian Holden e Walter Matthau. Um dos primeiros projetos com I.A.L Diamond, seu parceiro de máquina de escrever por 24 anos ("É sabido que Wilder tinha as ideias mais brilhantes, mas alguém precisava colocar um pouco de ordem e lógica nelas, e para isso Diamond era perfeito"). E, claro, a tarefa ingrata de dirigir a turbulenta Monroe, mesmo sendo ela uma persona tão emblemática em sua obra. "Olhando retrospectivamente, devo dizer que jamais encontrei alguém que pudesse ser tão completamente trivial quanto ela. Mas também não conheci ninguém que fosse tão maravilhosa no celulóide, e isso inclui Greta Garbo" (Billy Wilder).

Obviamente as mais de 550 páginas do livro não se dedicam exclusivamente ao clássico de 1959. A narrativa parte da infância de Wilder, na província de Sucha (Áustria), o jornalismo e as primeiras experiências com roteiro em Berlim e a ida para os Estados Unidos, fugido dos nazistas — Wilder não só era judeu, como perdeu a mãe e os avós em campos de concentração. O restante engloba a promoção de roteirista alheio a diretor de seus versáteis textos e um apanhado riquíssimo sobre seus filmes na América, de A Incrível Suzana (The Major And The Minor, 1942) ao derradeiro Amigos, Amigos, Negócios À Parte (Buddy, Buddy, 1981). No finalzinho, ainda há fichas de sua obra completa. A edição do livro é de 1995, finalizada, portanto, antes da morte de Billy, que ocorreu em 2002.
Eu super, super, super recomendo a leitura de E O Resto É Loucura, mas compreendo que 500 páginas é missão para fãs. Então, para iniciá-los, compilei numa listinha básica, a crème de la crème do querido Billy...
*Cinco Covas no Egito (Five Graves To Cairo, 1943)
*Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944)
*Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950)
*Sabrina (Sabrina, 1954)
*O Pecado Mora ao Lado (Seven Year Itch, 1955)
*Testemunha de Acusação (Witness For The Prosecution, 1957)
*Quanto Mais Quente, Melhor! (Some Like It Hot, 1959)
*Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, 1960)
Como restringi aos filmes já lançados em DVD no Brasil, tive que deixar de fora o maravilhoso A Montanha dos Sete Abutres (Ace In The Hole, 1951), um dos melhores filmes sobre ética jornalística do mundo. Com sorte, de tempos em tempos, ele passa na programação da Band aos domingos de madrugada. Fiquem atentos!
Agora, para finalizar meeeesmo, um trechinho de uma carta que Steven Spielberg escreveu em 1994 para Wilder e que está publicada na conclusão do livro. "Vejo-me como um proeminente representante de 10 mil colegas da indústria cinematográfica que são da opinião de que em todo mundo não há ninguém melhor do que você."
Viu? Não sou eu, é o Spielberg quem está falando ;)
That's it!







Eu adoro Wilder, e são pouquissimas pessoas que o conhecem.
Mas, o cara era FODA.
Parabéns pela matéria, Tanara
=D