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Abr 20
2009
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HEAVY TRASH faz um Rockabilly nervoso no Jockers.Postado por karen tortato | Tags: Sem Tags |

Fotos: Marcelo Stammer
É isso. Jon Spencer ao vivo em Curitiba. Depois de colocar uma roupa brilhante digna de um evento especial, cheguei tranquilamente na fila do Jokers na última sexta-feira dia 17 de abril de 2009, onde aconteceu um dos mais bem idealizados projetos "pocket festival" que já vi na cidade de Curitiba.
Da parceria da Digital Rock com Maamute nasceu o I-CWB, que apresentou uma proposta honesta e rápida de trazer para o público exigente e também carente de Curitiba bons shows internacionais à preços honestos, mas sem o burburinho e as cansativas jornadas até os grandes festivais, como é de costume.
Nem sempre eu tinha mais a mesma vontade de me enfiar numa van e viajar até Rio ou SP para ver umas 12 bandas divididas em 3 palcos, me espremer em filas e lutar com minha pequena estatura para esticar o pescoço e ver a banda lá longe, distante, ou me contentar com um dos 4 ou 5 telões estratégicamente colocados para apreciar as novidades vindas de outras fronteiras.
Eu só queria ver, por exemplo, um show assim: curto. Não 4 horas de espera pra ver a grande atração da noite e umas 5 bandas abrindo desde as 17 horas. Atrasos, bebedeira, cansaço nas pernas. Sem lama, sem stress, sem perder os amigos nos imensos pavilhões e voltar andando procurando o carro ou tentando caçar um táxi.
Meu Deus! Que drama, não? Beleza. Tô cansada. Ainda vou à grandes festivais e pretendo continuar indo, desde que sejam muito bem organizados como foi o Claro que é Rock, o Planeta Terra...Tim, até o antigo Curitiba Pop/Rock Festival eo Curitiba Calling, recém organizado pela produção deste site do qual escrevo. Mas a proposta me surpreendeu. Desde a escolha do lugar. O Jockers é um bar muito aconchegante e confortável. Peca no atendimento e na falha de ter poucos garçons quando precisamos dele. Mas estava confortável. Assistir o Heavy Trash, banda "surpresa" de Jon Spencer, do Jon Spencer Blues Explosion, um projeto mais enraizado eu diria, mais rock puro como o leite, mas com pitadas de poeira das botas que andaram pelas garages e porões.
Aquela guitarra de Matt, atual parceiro de Jonathan neste projeto que foi tecido com paciência, muito gosto, cuidado e amor à música, como diz o próprio Jon em outras entrevistas e resenhas encrustadas em sites e blogs afora pra falar deste show desprovido de maiores conhecimentos de quem foi conferir. Não digo que foi sensacional, mas foi muito legal, cool, interessante. Fiquei assistindo à performance do ex-Pussy Galore e Boss Hog do alto, no segundo piso do palco. Arrumei um cantinho do lado de um dos produtores, que inclusive me contou a origem egípcia de um integrante da banda.
Realmente demorei pra sentir uma associação com os antigos projetos de Spencer. Estava acostumada a gostar da guitarra com efeitos pontuais e sensuais do Boss Hog e experimentar o barulho cheio de movimento do JSBE, que pra mim, tem no Orange um dos melhores trabalhos do cara. Pessoas prostradas na frente do palco. O show inicia e logo os passinhos rocker dão lugar ao movimento sexy do público encantando com o som. As meninas da "comissão de frente" ardiam ao barulho de cada dedilhada no violão com captador de Jon e da guitarra maravilhosamente semi-acústica de Verta-Ray.
Aliás como não prestar atenção no movimento de corpo dele. Que não mudou nada desde suas experiências performáticas ao longo de 20 anos de rock garage punk blues.
É certo que o rockabilly era a intenção, mas ficou claro que por mais raiz do billy, ainda era sujo, pesado, uma coisa sofisticada, pero no mucho. Mais cavernosa. Obviamente pensei em Lux Interior, Nick Cave e Elvis Presley por conta da sofisticadíssima indumentária de Jon e dos cabelos cheios de brilhantina do baterista, que a cada troca do set, pegava o pente e deslizava pra trás o franjão encharcado de suor.
Críticas à parte, minha opinião é agora não o dissecar da origem, nem do que porque resolveram fazer este projeto, mas sim, o que me interessou na hora foi apreciar um bom show, ver o pipocar de flashes, a elegância dos músicos tragando pequenos goles de vinho e água e os detalhes do dedilhar das 3 massas de cordas estourando e desafiando a platéia, que timidamente se entregou ao show.
Palmas, depois gritinhos, dança e delírio. Fomos jogados pelo Heavy Trash para um filme antigo com direção nova e ousada, que é o que a banda me pareceu, algo meio teatral no contexto rockabilly.

Assim como no filme dos irmãos Cohen: E aí, meu irmão! Cadê você?, onde George Clooney luta para obter a melhor brilhantina mesmo recém fugido, sujo e perseguido pela polícia após uma fuga da prisão e depois, os personagens, com John Turturro, inclusive, ensaiam uma banda de mentira para conseguir uma grana num estúdio do meio-oeste onde um produtor oportunista se aproveita pra gravar os presidiários ao lado de um negro que fez um pacto com o diabo para ter sucesso.
Desculpem as milongas, mas o Heavy Trash do Jon Spencer é isso mesmo. Podridão em busca de requinte, sujeira, rock garagento e fetiche pelo antigo. Exatamente ao contrário do que fez a maioria das bandas americanas filhas do folk americano e do Indie melódico ao Indie pesado, sujo, desconstruído de tudo que vemos hoje.

Um relógio andando pra trás. O show seguiu solto, muitos aplausos. Jon entrou na onda e foi ter com a comissão de frente.
Eu já estava um pouco enjoada, admito e com sede. Tinha prestado atenção em 85% do show sem mexer um fio de cabelo, fiquei hipnotizada com a cozinha dantesca de cordas e as decorridas viradas da bateria baixa billy, além da performance do astro central. Decidi esperar o Our Gang que tocaria depois e guardar energia.
Aliás, muito inteligente colocar o Our Gang para descontrair depois, uma coisa completamente diferente, com barulhinhos mais experimentais de uma fusão mais tecnológica, e nem porisso, menos poética.

Quanto ao Koti e os Penitentes, não vi, infelizmente. Até porque cheguei tarde, justo pra ver o Jon. Mas fico agora no aguardo de Pollard, ex-líder do Guided by Voices, uma das alternativas possíveis do projeto I_CWB.
Até logo,
Karen






