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Abr 04
2009
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£££ Alarme falso? - Seis e meia da noite de sábado, dia 4 de abril. Enquanto escrevo uma matéria sobre o novo disco do Yeah Yeah Yeahs para publicar aqui no Mondo Bacana e penso no que fazer para marcar aqui também os quinze anos da morte de Kurt Cobain, sou surpreendido com uma notícia: vazou o tão aguardado The Eternal, álbum que marca o retorno do Sonic Youth a um selo independente (a cultuada Matador, de Nova York), após anos no elenco de uma multinacional (Geffen, que hoje pertence à Universal). O novo trabalho também marca a volta da banda à formação oficial de quarteto, embora o baixista Mark Ibold (ex-Pavement) tanha participado das sessões de gravação e já excursione com eles há algum tempo.
Fui conferir para ver se o alarme era verdadeiro ou não. Algumas coisas ali me pareceram muito estranhas. Primeiro o fato de oito faixas serem instrumentais. OK, bases tipicamente sonicyouthianas, cheias de dissonâncias e linhas tortas de guitarra. Ótimo! Abertura com um sequência evolutiva de dez minutos? Maravilhoso! Faixas dedicadas a Darby Crash (vocalista da seminal banda angelena de punk Germs, aqui homenageado através de seu heterônimo Bobby Pyn) e Gregory Corso (o principal "excluído" da santíssima trindade dos escritores beatniks, formada por Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac). Lindo! Uma faixa final, a décima terceira, com 25 minutos, chamada "Massage The History"? Tentador...
Só que cadê os anunciados vocais divididos entre Kim Gordon, Lee Ranaldo e Thurston Moore? Só duas músicas cantadas por Kim não dá, né? Ainda mais sendo uma quase-vinheta, de pouco mais de um minuto... E cadê as distorções e microfonias? Sonic Youth com ausência quase completa disso também não é Sonic Youth - ainda mais lançando disco pela Matador, que é um selo que dá 110% de liberdade criativa para seus artistas.
A cada faixa, as suspeitas de que este não era o verdadeiro The Eternal só aumentavam. Seria uma peça pregada pelos próprios músicos, "liberando" uma versão incompleta do novo disco? Seria obra de algum incauto apressadinho de plantão, que "descolou" faixas inacabadas? Seja lá o que tenha sido, a piada no final foi para arrancar gargalhadas de qualquer fã da juventude sônica. A tal "Massage The History" foi desmascarada logo no primeiro riff. Tratava-se mera e simplesmente do épico "Diamond Sea", lançado pela banda no álbum Washing Machine, em 1996. De qualquer maneira, o "novo título" tornou-se mais hilário depois de ouvir a "nova" música,
Só então volto ao blog que havia postado o link do tal disco vazado e não havia mais nada lá. Uma hora depois, nenhum registro do tal The Eternal. Tudo apagado. Por enquanto, o jeito é esperar mesmo até o comecinho de junho, que é para quando o lançamento oficial está prometido pela Matador. Ou esperar que o The Eternal original acabe vazando tal qual todos os outros grandes e esperados discos deste ano.

£££ Botão do foda-se - Promessa é dívida e eu já paguei a minha. Publiquei no Mondo Bacana a matéria sobre o Fucked Up, insólita banda canadense que mistura o hardcore ao progressivo e carrega como vocalista um insólito gorducho demipelado chamado Pink Eyes (expressão que, em português, significa conjuntivite). Se você quiser se surpreender comas mil e uma lendas por trás deste "fodido", acesse o texto aqui.
£££ Gratidão - Obrigado por tudo, Kurt. E até qualquer hora.

escrito por vicente, 19 de abril de 2009











